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Exportação de minérios foi crucial para manter saldo da balança comercial positivo em 2021

02/02/2022


Flávio Penido, diretor-presidente do IBRAM, Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do IBRAM, e Paulo Henrique Soares, diretor de Comunicação do IBRAM

O saldo comercial mineral, de quase US$ 49 bilhões, apresentou contribuição crucial para manter positivo o saldo comercial do Brasil em 2021, ainda mais que este último apresentou elevação de 21,5%, em relação a 2020, enquanto que o crescimento do saldo mineral foi de 51%. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o saldo mineral – que é a diferença entre as exportações e as importações de minérios – do ano passado equivale a 80% do saldo comercial brasileiro, que foi de US$ 61 bilhões. Em 2020, o saldo comercial mineral equivalia a pouco mais de 64% do saldo comercial brasileiro.

Exportação de minérios foi crucial para manter saldo da balança comercial positivo em 2021
O saldo mineral equivale a 80% do saldo Brasil em 2021. Em 2020, esse valor foi de 64,4%.

O IBRAM observa que houve queda no preço do minério de ferro entre junho e novembro de 2021, mas, mesmo assim, a média foi 47,5% maior do que a de 2020. Observa-se elevações em todas as commodities, como cobre (52%) e alumínio (45%).

Os dados referentes ao consolidado do ano passado da indústria da mineração do Brasil foram apresentados neste dia 1º de fevereiro por Flávio Ottoni Penido, diretor-presidente do IBRAM, e por Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor.

Produção fica estável em toneladas

 

Segundo estimativas do IBRAM, a produção mineral brasileira em 2021, em toneladas, cresceu cerca de 7% em relação a 2020, passando de 1,073 bilhão de toneladas para 1,150 bilhão de toneladas estimadas. Em 2021, a variação de preços das commodities no mercado internacional impulsionou o faturamento do setor em 62%, na comparação com 2020, crescendo de R$ 209 bilhões para R$ 339 bilhões.

O IBRAM considera essa variação anual em toneladas como uma ‘estabilidade’, embora o ano de 2021 tenha sido marcado pela demanda aquecida por commodities minerais e 2020 – ano de comparação dos resultados – tenha sido pontuado por paralisações temporárias em operações de mineração industrial. Os números finais de produção mineral de 2021 serão conhecidos a partir de março, diz o IBRAM.

BA, PA, GO, MT, entre outros, investem na expansão da mineração

 

Minas Gerais apresentou a maior elevação percentual em faturamento em 2021 (veja mais adiante). Ainda em termos de variação percentual, a Bahia vem logo em seguida, com 67% de aumento de faturamento em 2021, passando de R$ 5,7 bilhões em 2020 para R$ 9,5 bilhões. “A Bahia tem anunciado muitos investimentos para viabilizar a mineração industrial sustentável e já colhe os dividendos dessa decisão favorável à expansão do setor mineral no estado. O mesmo vemos em outros estados, como Pará, Goiás e Mato Grosso”, diz Wilson Brumer.

Ainda em termos percentuais, o 3º maior crescimento de faturamento em 2021 foi registrado no Pará, com 51%, passando de R$ 97 bilhões para R$ 146,6 bilhões – valor pouco superior ao de MG. Com este resultado, o Pará responde por 43% do faturamento da indústria da mineração brasileira em 2021 – esta participação era de 46% em 2020.

Em seguida, vêm: Goiás com 36% de aumento, de R$ 6,3 bilhões para R$ 8,6 bilhões; Mato Grosso com 35% de elevação, passando de R$ 4,7 bilhões para R$ 6,3 bilhões; São Paulo, com 28%, indo de R$ 4,6 bilhões para R$ 6 bilhões.

Mineração seguirá relevante para a economia de MG, afirma IBRAM

 

Segundo dados do IBRAM, em 2021 Minas Gerais apresentou o maior crescimento no faturamento em 2021: 87%, passando de R$ 76,4 bilhões em 2020 para R$ 143 bilhões. Com este resultado, MG responde por 42% do faturamento global da indústria da mineração brasileira em 2021 – esta participação era de 37% em 2020.

“Minas Gerais ainda é muito forte em mineração e o será por muitos anos ainda. O estado teve o maior incremento de recolhimento de royalty em 2021 e é também o estado que mais vai atrair investimentos no setor até 2025, US$ 10,2 bilhões. A mineração é e será relevante para a economia do estado por muito tempo e tem sido exercida em acordo com normas internacionais de segurança operacional e sustentabilidade”, afirma Flávio Penido.

Wilson Brumer destaca que mais estados, além de Minas Gerais e Pará – líderes em mineração –, têm observado retorno positivo com o apoio à expansão da mineração. Esses estados registram elevações significativas no faturamento com minérios. “Isso é muito importante porque significa atração de recursos financeiros para essas localidades e motiva ações de desenvolvimento local e impulsionamento à economia de muitas cidades”, avalia Brumer.

Recolhimento de tributos cresce mais de 62%. CFEM bate recorde

 

Com elevação do faturamento em 2021, a mineração do Brasil recolheu mais tributos e também mais encargos, como a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), considerado o royalty do setor. A elevação de tributos totais recolhidos foi superior a 62%, passando de R$ 72 bilhões em 2020 para R$ 117 bilhões em 2021.

Somente em termos de CFEM o crescimento foi de quase 70%, indo de R$ 6 bilhões em 2020 para mais de R$ 10 bilhões em 2021 – um valor nunca antes registrado. Foram 2.635 municípios recolhedores de CFEM em 2021. Estados do Sudeste e do Sul apresentam maiores números de municípios, além da Bahia, situada na região Nordeste: MG = 511 municípios; SP = 348 municípios; RS = 216 municípios; SC e BA = 183 municípios cada – com base em dados Agência Nacional de Mineração.

De 2017, quando o recolhimento de CFEM registrou R$ 1,8 bilhão, até 2021 (R$ 10,3 bilhões), o crescimento na arrecadação deste encargo foi de cerca de 460%. Pará (47%) e MG (45%) têm as maiores participações na arrecadação de CFEM em 2021.

Setor mineral se mostra essencial para a economia nacional

 

“Além desses resultados extremamente positivos para a arrecadação pública – União, estados e municípios – e para a geração de divisas, projetamos investimentos de mais de US$ 41 bilhões até 2025. Assim, é factível considerar a indústria da mineração como um dos setores que mais está prestando contribuições para fomentar o desenvolvimento e o crescimento do país”, afirma Wilson Brumer. São investimentos cerca de US$ 6 bilhões em projetos socioambientais até 2025. Outras ações e iniciativas socioambientais correspondentes a mais de 50 temas serão executadas até 2030 pelo setor, com aportes que ultrapassam US$ 18 bilhões.

Exportação de minérios foi crucial para manter saldo da balança comercial positivo em 2021

 

INVESTIMENTOS SOCIOAMBIENTAIS

Exportação de minérios foi crucial para manter saldo da balança comercial positivo em 2021

 

Perspectivas para o setor mineral

 

Em relação às perspectivas para o setor nos próximos anos, os resultados apurados pelo IBRAM são indicadores de estabilidade e manutenção de bom desempenho. Vários fatores também apontam para isso. A China comprou menos minério de ferro em 2021, em relação a 2020 (redução de cerca de 4,3%); por outro lado, a China aumentou a compra de minério de ferro do Brasil em 15%: 243 milhões de toneladas em 2021 ante 212 milhões de toneladas em 2020. A busca por diversificação de fornecedor para diminuir a dependência da Austrália e a preferência por minérios de melhor qualidade para a redução das emissões na produção siderúrgica podem ser considerados como as principais razões para esse aumento.

A demanda por minerais fundamentais (como cobre, alumínio, níquel, entre outros) para as novas tecnologias de energia limpa tem sido crescente, ao passo que não se observa o mesmo movimento em relação às ofertas mundiais. Com isso, a perspectiva é que o setor mineral continue com bom desempenho em 2022 e nos próximos anos. A produção mineral deve se manter estável, com leve crescimento nos próximos anos. Vale ressaltar, entretanto, que o desempenho de qualquer setor econômico depende das conjunturas nacionais e mundiais.

 

MAIS DADOS DA MINERAÇÃO BRASILEIRA EM 2021

 

  • Faturamento por substância – o minério de ferro apresenta o maior faturamento em 2021: R$ 250 bilhões (80% a mais do que em 2020); o ouro apresenta faturamento de R$ 27 bilhões (16% a mais); o cobre quase R$ 18 bilhões (29% a mais); a bauxita R$ 5,2 bilhões (16% a mais); o granito R$ 4,2 bilhões (32% a mais); o calcário dolomítico R$ 6,2 bilhões (47% a mais). O minério de ferro responde por 74% do faturamento da indústria da mineração em 2021 (era 66% em 2020), seguido pelo ouro (8%) e cobre (5%).
  • Comércio Exterior – as exportações de minérios totalizaram em 2021 US$ 58 bilhões, quase 59% a mais do que em 2020 (US$ 36,5 bilhões). Foram 372 milhões de toneladas de produtos minerais exportados, 0,4% a mais do que em 2020. As importações de minérios cresceram 63%, passando de US$ 5,6 bilhões para US$ 9 bilhões.

As exportações de cerca de 358 milhões de toneladas de minério de ferro em 2021 totalizaram quase US$ 45 bilhões, resultado acima do ano anterior. Em 2020, a exportação de cerca de 342 milhões de toneladas de minério de ferro totalizou quase US$ 26 bilhões. Foi um incremento de 73% em US$ e de quase 5% em toneladas.

As exportações de 104 toneladas de ouro em 2021 totalizaram US$ 5,3 bilhões, com 8% de crescimento em US$ e de 5% em toneladas.

Segundo o IBRAM, houve aumento na exportação, em US$, para cobre (40%), nióbio (39%), pedras e revestimentos (35,5%), bauxita (8,5%), além de ouro (8%), na comparação com 2020. Houve queda para caulim (-2,3%) e manganês (-50,5%), em US$ e em toneladas.

Minério de ferro, ouro e cobre foram responsáveis por 91,8% das exportações, em US$, no ano passado, informa o IBRAM.

Entre os maiores compradores de minério de ferro do Brasil estão China (68%); Malásia (6,4%); Japão (3,6%). Os maiores importadores de ouro são Canadá (31,4%); Suíça (24,5%); Reino Unido (14,5%). Os principais importadores de cobre brasileiro são Alemanha (23,5%); China (14%); Espanha (12,4%).

As importações de minérios tiveram variação positiva entre 2020 e 2021:

– em 2020 o país importou pouco mais de 38 milhões de toneladas, no valor de US$ 5,6 bilhões;
– em 2021 importou mais de 44 milhões de toneladas, no valor de US$ 9 bilhões.

O Brasil importou maiores volumes em potássio (14%), carvão (25%), pedras e revestimentos (38%), zinco (68%) e rocha fosfática (3%). O maior valor de importação coube ao potássio = quase US$ 4,3 bilhões. O potássio foi responsável pela maior parcela das importações minerais (47%), seguido pelo carvão (30,6%).

O Canadá e a Rússia são os principais fornecedores de potássio para o Brasil; Colômbia e EUA são os principais fornecedores de carvão.

  • CFEM – Pará (R$ 4,8 bilhões) e Minas Gerais (R$ 4,6 bilhões) lideraram o recolhimento de CFEM em 2021. MG registrou crescimento expressivo de 95% na arrecadação e o PA 55%. Embora em menor valor (R$ 175 milhões) do que os dois estados, a Bahia registrou elevação de 86% em comparação com 2020. A CFEM relativa ao minério de ferro mais uma vez foi destaque: R$ 8,7 bilhões, crescimento de 80% em relação a 2020 – o minério de ferro responde por 85% de todo o recolhimento de CFEM no país, em 2021.
  • Top 15 municípios mineradores – municípios de MG e PA compõem o grupo dos 15 maiores arrecadadores de CFEM por produção. Parauapebas (PA) figura no 1º lugar do ranking com recolhimento de R$ 2,5 bilhões de CFEM; em 2º está Canaã dos Carajás (PA) com R$ 1,9 bilhão; em 3º está Conceição do Mato Dentro (MG) com R$ 669 milhões.
  • Empregos – Dados oficiais do governo federal (Novo CAGED) indicam que foram geradas 14.869 vagas de janeiro a novembro de 2021. Assim, em novembro, o setor mineral registrava mais de 200 mil empregos diretos.

 


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