Yara triplica de tamanho no Brasil e mira América Latina
10/12/2012
Anunciada na sexta-feira, a compra da divisão de fertilizantes da Bunge pela Yara International significa uma importante mudança do papel do Brasil no cenário de distribuição de fertilizantes da companhia de origem norueguesa. O volume movimentado do produto no país saltará do patamar de 2,7 milhões de toneladas para 7,5 milhões de toneladas por ano. O peso do Brasil no faturamento global do grupo sairá dos atuais 10% para 25%, de acordo com o presidente da Yara Brasil, Lair Hanzen.
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Trata-se da terceira aquisição da multinacional no país. Em 2000, comprou a Adubos Trevo e, em 2006, a Fertibras. Desde 2009, a companhia não fazia globalmente uma aquisição dessa monta. Há três anos, uniu-se a companhias da Líbia para criar a Líbio-Norueguês Fertilizantes (Lifeco), com aportes de cerca de USS$ 225 milhões da Yara.
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A transação com a Bunge foi feita por um valor três vezes maior que o negócio da Líbia – US$ 750 milhões, sendo capital de giro líquido de US$ 385 milhões e ativos avaliados em US$ 365 milhões, como misturadoras, marcas e armazéns. Também entrou no acordo, segundo o presidente da Yara Brasil, a fábrica de superfosfato simples (SSP) da Bunge, localizada no Sul do país, que elevará a capacidade de fabricação deste insumo pela Yara das atuais 600 mil toneladas anuais para cerca de 1 milhão de toneladas.
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Com o negócio, a participação de mercado da Yara no Brasil vai saltar de 9% para 25%, uma vez que somente a Bunge movimentava 4,8 milhões de toneladas do produto no país. O volume é inclusive maior do que a Yara movimentava em adubo em toda a América Latina – 3,8 milhões de toneladas anuais.
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O interesse da empresa na região se justifica pelas elevadas taxas de crescimento do mercado de fertilizantes na América Latina. “Somente o Brasil avança de 3% a 4% ao ano”, diz o vice-presidente global da companhia, Egil Hogna. Por isso, continua ele, a empresa “vê oportunidades de outras aquisições na América Latina”.
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No Brasil, detalha Hanzen, o será a “digestão” dos ativos recém-adquiridos, assim como aportes para otimizar as sinergias potenciais do negócio de distribuição no país, calculadas em US$ 25 milhões.
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No acordo firmado com a Bunge, a Yara se comprometeu a fornecer fertilizantes para a Bunge, em um volume anual da ordem de 1 milhão de toneladas. O contrato, de longo prazo, atenderá as operações da multinacional americana de fornecimento do insumo aos agricultores, como parte de suas atividades de originação de grãos. Funcionará também para suprir a demanda das lavouras de cana-de-açúcar da Bunge.
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A transação com a Yara encerra a presença da Bunge em fertilizantes. Em 2010, a multinacional vendeu sua participação na Fosfertil e todos os ativos de mineração de fosfato e direitos de exploração de outras jazidas, por US$ 3,8 bilhões, para a Vale.
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Valor Econômico