WestLB amplia crédito para projetos de mineração
16/08/2011
As incertezas quanto aos preços das commodities, reflexo de uma economia mundial em desaceleração, e até mesmo as dificuldades enfrentadas pelas instituições financeiras europeias parecem não diminuir o apetite do WestLB pelo setor de matérias-primas na América Latina. Enquanto na matriz o banco alemão aguarda para setembro ou outubro uma resposta da Comissão Europeia sobre sua proposta de reestruturação, que deverá reduzir fortemente o volume de ativos nos próximos anos, do lado de cá do Atlântico o WestLB intensifica as operações de financiamento de projetos de extração de recursos naturais, à parte as especulações de venda da filial brasileira – entre outras subsidiárias.
No alvo do WestLB estão empreendimentos de pequeno e médio portes. O banco concluiu, em julho, uma operação de financiamento de projeto (“project finance”) de US$ 30 milhões para a canadense Luna Gold Corp. para explorar ouro no Maranhão. A instituição também acaba de ganhar o mandato para liderar o financiamento do Projeto Tucano, da australiana Beadell Resources, que prevê a produção anual de 150 mil onças (equivalente a 4,6 milhões de gramas) de ouro no Amapá. O pacote deverá incluir repasse de recursos do Banco da Amazônia (Basa) e financiamento de outros bancos comerciais.
“Apesar da momentânea volatilidade de preços, os fundamentos do mercado de commodities não serão afetados”, afirma Claudio Pitchon, responsável pela área de metais e minerais do WestLB para as Américas. “Cerca de 20 milhões de chineses saem todos os anos das zonas rurais para os centros urbanos e, por isso, a demanda por matéria-prima continuará forte.” As apostas do banco recaem sobre projetos de cobre, ouro, zinco, níquel e fertilizantes (fosfato e potássio), além do minério de ferro.
A América Latina é responsável por cerca de 30% do investimento em exploração mineral no mundo. O WestLB tem hoje na região dez operações de financiamento a projetos em execução no setor de recursos naturais em carteira – seis no Brasil, três no Peru e um no México -, que totalizam US$ 1 bilhão. O volume financiado varia de US$ 50 milhões a US$ 200 milhões por negócio, e o prazo, de cinco a sete anos.
Embora as cifras não sejam tão expressivas, se considerados os elevados volumes normalmente movimentados pelo segmento de project finance – à exceção do US$ 1,8 bilhão levantados pelo WestLB para a MMX, em julho -, o número de pequenas e médias empresas desenvolvendo projetos na área é promissor. O que tem tornado o nicho mais atrativo a cada ano é a evolução de preço das matérias-primas. No caso do ouro, por exemplo, a cotação da onça-troy (31,1 gramas) era de US$ 250 em 2004 e, hoje, é comercializada a US$ 1,7 mil.
A análise de risco de financiamentos a projetos na área de metais e mineração precisa ser rigorosa, pois cada mina apresenta características geológicas distintas. Segundo Pitchon, diferentemente de setores como o de infraestrutura e energia, que têm riscos mais padronizados, na mineração a natureza costuma causar algumas surpresas – o chamado risco de prospecção. Daí a necessidade de um geólogo no time de recursos naturais do WestLB para as Américas, que conta com quatro pessoas divididas entre os escritórios de São Paulo e Nova York.
Todo o financiamento é estruturado com base no fluxo de caixa futuro do projeto, e não no risco de crédito da empresa que está por trás do empreendimento. Normalmente o desembolso envolve 70% do valor total do investimento – e a companhia patrocinadora do projeto entra com os 30% restantes. Na maioria dos casos, o crédito é sindicalizado junto a outros bancos. As operações levam, em média, de quatro a seis meses para serem estruturadas.
O financiamento de projeto é o carro-chefe do WestLB no setor de metais e mineração, mas a oferta geralmente é acompanhada de produtos como “hedge” de câmbio e de commodities, que anulam o risco de volatilidade de preços. O WestLB também presta assessoria para fusões e aquisições.
O setor de metais e mineração responde por 25% do volume de negócios do WestLB no Brasil. No primeiro trimestre deste ano, o banco apresentou lucro líquido de R$ 9,382 milhões, queda de 45,7% em relação a igual período de 2010. Os ativos totais somavam, em março, R$ 2,887 bilhões.
Valor Econômico