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Votorantim terá fábrica de cimento no Uruguai

Notícias Gerais

15/08/2011


Companhia investirá US$ 146 milhões em parceria com estatal Ancap e Artigas em unidade para atender o mercado do Rio Grande do Sul.
A investida internacional da Votorantim Cimentos (VC) ganhou novo capítulo, com o anúncio da construção de uma fábrica no departamento (estado) de Treinta y Tres, no Uruguai. Em parceria com a Artigas e a estatal local Ancap, a unidade receberá US$ 146 milhões para produzir 750 mil toneladas anuais do insumo para construção.
A Ancap terá 20% da fábrica, mesma participação da VC. Os 60% restantes ficam com a Artigas (joint venture da VC e a espanhola Molins). “A previsão é iniciar operação da fábrica em 2014. Iniciamos hoje o processo de licenciamento ambiental, que é semelhante ao do Brasil e deve ser de cerca de quatro meses. Após a obtenção da licença, as obras começam com duração entre 24 e 26 meses”, diz o presidente da VC, Walter Schalka.
A unidade uruguaia ficará a cerca de 250 quilômetros da fronteira com o Brasil. A posição facilitará o acesso ao mercado da região sul do Rio Grande do Sul, atendido pela Votorantim pela fábrica de Esteio e Vieira Machado, próximos de Porto Alegre. “O mercado do sul já tem um estoque de cimento colocado, mas o sul cresce a taxas expressivas e essa fábrica do Uruguai já começa a operar perto da capacidade em 2014”, diz.
Segundo Schalka, a cobertura da parte norte do estado gaúcho será feita via Santa Catarina, a partir da recém-inaugurada fábrica de Imbituba (1,1 milhão de toneladas) e Vidal Ramos, unidade a ser inaugurada neste ano com capacidade de 700 mil toneladas. “A combinação dessas plantas vai abastecer Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul.”
Reserva calcário
A Votorantim afirma que a inexistência de reservas de calcário no Rio Grande do Sul pesou na decisão de aportar no Uruguai, onde o consumo atual de cimento equivale à capacidade a ser instalada em Trinta y Tres. “As fábricas de cimento têm de ser feitas em regiões onde existam jazidas de calcário em tamanhos suficientes”, diz o presidente da companhia. “Não se pode construir em áreas com poucas reservas e no Rio Grande do Sul as reservas são limitadas”, afirma Schalka.
A VC comprou uma reserva do mineral em Treinta y Tres há cerca de dez anos, pagando US$ 400 mil. “Nosso objetivo sempre foi utilizar essa jazida para a construção de uma planta de cimento”, afirma Schalka.
O depósito certificado é de 100 milhões de toneladas de calcário, explorável por 100 anos.
A empresa vai consumir 1 milhão de toneladas por ano, prevendo um retorno do investimento total da viabilidade da mina e a construção da fábrica entre cinco e seis anos. A implantação da fábrica vai empregar 400 pessoas e, na operação em 2014, serão 120 funcionários diretos e indiretos. “Teremos de desenvolver mão de obra no local, porque as fábricas de cimento não ficam nessa região do Uruguai”, diz o executivo.
A reserva uruguaia foi um dos primeiros passos na estratégia de internacionalização da Votorantim Cimentos. A investida externa ganhou projeção em 2001, com a aquisição da canadense St.Marys Cement. Em 2010, a empresa adquiriu 21,2% da portuguesa Cimpor.
Com isso, a VC ganhou presença nos mercados da África, América Latina e Ásia. A empresa encerrou 2010 com a venda de 26,3 milhões de toneladas de cimento no globo, atingindo receita líquida de R$ 8,5 bilhões.

Brasil Econômico


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