Votorantim Metais investe em projeto no Pará
08/11/2012
Belém – Apesar do alto custo de energia, insumo essencial na produção de alumínio, a Votorantim Metais (VM) decidiu apostar suas fichas na produção de bauxita e da alumina, produto intermediário entre o minério e o alumínio primário. O complexo de produção de alumina da empresa será instalado no Estado do Pará e terá capacidade para produzir 3 milhões de toneladas do produto por ano, podendo chegar a 6 milhões de toneladas até 2020. O investimento deve chegar a R$ 5,6 bilhões e é o maior feito pela companhia em todo o País.
“A produção do metal, no Brasil, é uma questão complicada por causa do peso da energia elétrica. Trata-se de um problema mais estrutural do que transitório”, afirmou o diretor do projeto Alumina Rondon da VM, Daryush Albuquerque. Mesmo assim, a empresa resolveu investir.
De acordo com o executivo, se todas as fases e licenciamentos forem aprovados dentro do cronograma da empresa, o projeto deverá entrar em operação no final de 2016. Albuquerque diz que a planta terá capacidade de produzir bauxita e alumina no mesmo local. “Estamos verticalizando a produção. Trata-se de um projeto integrado”, explica ele, que está há três meses na empresa depois de ter saído da Alunorte, atualmente a maior produtora de alumina do País.
A VM, entretanto, estuda minuciosamente a questão de energia para o Alumina Rondon, apesar das medidas do governo para baratear a eletricidade no País. Em princípio, o projeto deve ter cogeração, com o uso de caldeiras de carvão, coque de petróleo ou biomassa. Albuquerque, no entanto, diz que ainda não está fechado o valor do investimento em energia. Ele ressalta, porém, que a diminuição do preço de energia por parte do governo deverá ajudar a reduzir os custos da operação, ainda que uma planta de alumina não gaste tanto quanto uma unidade produtora de alumínio primário (conhecida como smelter), que consome em média 800 megawatts (MW). “Energia ainda é um insumo bastante importante no custo de produção da alumina. Qualquer redução por parte do governo será bem-vinda”, diz Albuquerque. A quantidade calculada para alimentar o Alumina Rondon deve ser em torno de 75 megawatts.
;Segundo o executivo, a produção de alumina no Pará deve ser voltada para exportação. No entanto, existe a possibilidade de parte dessa produção ir para a CBA, que hoje é considerado o complexo mais moderno do mundo na produção de bauxita, alumina e alumínio primário.
A reserva de bauxita na região prospectada pela VM, no Pará, tem potencial de mais de 1 bilhão de toneladas, com vida útil acima de 40 anos. Desafios
Um dos grandes desafios do projeto Alumina Rondon é a logística. “Temos de escoar esses 3 milhões de toneladas de produto”, diz. Segundo a VM, o transporte da produção será feito pelas rodovias existentes no estado até o embarque no Porto de Vila do Conde (Companhia das Docas do Pará). No entanto, a empresa conversa com o governo federal para viabilizar uma ferrovia. “Estamos trabalhando com o governo, realizando estudos para o projeto. Utilizaríamos a Norte-Sul, que está parada em Açailândia [MA]”, explica o diretor.
Outro desafio do grupo é a diminuição da cotação do alumínio na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês), que tem afetado também as margens do metal. “A queda dos preços do alumínio sempre prejudica todas as fases da cadeia, pois está tudo atrelado”, diz o executivo. Ele pondera, no entanto, que ainda assim é possível ter boas margens no negócio de alumina. “Por outro lado, os smelters realmente não conseguem margens por conta do custo de energia no Brasil. A margem é muito baixa ou negativa”, ressalta.
;Segundo ele, não há hoje no País um grande projeto de transformação de alumínio primário, nem no curto nem no longo prazo. “Nos últimos 20 anos, não houve um investimento alto. O último foi da Albras, em meados de 1985”, diz o executivo da VM. Ele explica que a questão energética, no Brasil, se tornou muito complicada para as empresas produtoras de alumínio primário. “Não há investimentos nesse negócio porque não é interessante. Apesar de o Brasil ter tantos recursos naturais, há uma enorme dificuldade em relação aos custos envolvidos”, diz.
A Votorantim possui geração própria de energia e é a única que tem apresentado crescimento da produção de alumínio primário, ao contrário de grandes empresas como Alcoa e BHP Billiton. “Temos energia suficiente para alimentar a CBA”, afirma Albuquerque.
O executivo destaca, ainda, que a Votorantim investirá muito na mineração, prática utilizada por diversas empresas que não têm na atividade seu principal negócio, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN),Usiminas e Gerdau. “A Votorantim tem projetos de exploração mineral em oito países do mundo. Eu não tenho dúvidas de que a empresa está disposta a investir muito em mineração”, diz Albuquerque.
DCI