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Votorantim Metais apresenta planos de investimento para 2011

Notícias Gerais

12/05/2011


Zinco receberá maior parcela do orçamento de R$ 1 bilhão destinado à mineração
A Votorantim Metais, uma das cinco maiores produtoras mundiais de zinco, fabricante líder de níquel eletrolítico da América Latina e com extensa atividade na mineração de bauxita e produção de alumínio no Brasil, apresentou no dia 12 de abril, no 2º Encontro de Clientes em São Paulo, com presença de 300 empresas participantes, suas perspectivas para esse ano e os fatos relevantes de 2010. Segundo os números oficiais, a companhia investirá esse ano R$ 1 bilhão nas operações nacionais (90%) e no exterior (10%), em todos os segmentos da divisão de metais da Votorantim.
O grupo Votorantim atingiu em 2010 receita líquida de R$ 29,5 bilhões e somente a divisão de metais contribuiu com 26,7% desse total, com a quantia de R$ 7,9 bilhões na somatória anual, 51% superior em relação a 2009. A direção do grupo também anunciou os valores do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que em relação ao ano de 2009 aumentaram em 86% e passaram de R$ 900 milhões para R$ 1,6 bilhão. A parcela da Votorantim Metais chegou a R$ 5,8 bilhões em 2010.
O crescimento está ligado principalmente aos investimentos em exploração, prospecção e expansão mineral feitos para elevar a competitividade no mercado nacional e mundial. Em 2011, a empresa investirá cerca de R$ 100 milhões em projetos com potencial para implantação de novas minas no Brasil e exterior. Dentre os destaques estão operações de zinco em Bongara e Shalipayco, no Peru, e em Paragominas (PA), com foco em alumínio na região norte do País.
Ao ser questionado quanto ao crescente interesse de mineradoras brasileiras em investir em minas na África, João Bosco Silva, diretor-superintendente da empresa, afirmou que esse fato no momento não preocupa a companhia: “Esses investimentos no continente só apontam que a África tem ainda muito potencial mineral a ser explorado e será o próximo local para iniciarmos estudos de viabilidade para novas operações, mas no momento ainda não temos nada concreto”.
Com a meta de produzir 78% da própria energia consumida em 2011 e com a geração de 2.380 MW em 2010, a empresa ainda sofre bastante com o preço cobrado no Brasil e com a carga tributária sobre esse insumo, como comenta Bosco: “A questão energética ainda é um grande problema e temos trabalhado para reduzir a carga tributária. Vemos no vencimento de diversos contratos de concessão entre 2013 e 2016 – 20% dos de geração, 82% dos de transmissão e 64% dos de distribuição – uma esperança em conseguir essa diminuição com as empresas energéticas brasileiras”.
Essa questão chegou a atrapalhar o projeto de expansão da CBA em 2008, que, com quase R$ 1 bilhão investido, teve que paralisar o trabalho em função do alto custo da energia elétrica, como explica Marco Antônio Palmieri, diretor de Alumínio da empresa. “Infelizmente o problema energético não foi resolvido, pensamos em utilizar gás natural no processo, mas ainda é incerto, uma vez que o preço desse insumo também é alto no País”, diz.
João Bosco confirma a preocupação do setor mineral e da empresa em relação ao novo Código Mineral, em debate há alguns anos e que deve ser aprovado ainda em 2011, que prevê alteração nas alíquotas para 3% sobre alumínio, manganês, sal-gema e potássio, 2% para ferro, fertilizantes e carvão, 1% para ouro e 0,2% para pedras preciosas, carbonados e metais nobres. “Qualquer discurso referente às cargas tributárias brasileiras que, assim como pesquisas do Ibram mostraram, são altíssimas, nos preocupam. No entanto, esperamos que o código considere a agregação de valor ao minério, que no Brasil é muito baixa, mas levada muito a sério pela Votorantim Metais”, explica.
As operações
Nas operações de alumínio, zinco e níquel da Votorantim Metais, a empresa negociou em 2010 o volume de 495.000 t, 630.000 t e 33.000 t, respectivamente. Essa produção representou acréscimo de 4% nos negócios de alumínio, 18% nos de zinco e 31% nos de níquel, sendo o último a receber nesse ano a menor parcela dos investimentos no País (R$ 151 milhões).
Maior produtora de níquel metálico do País, com capacidade de 44.000 t ao ano, a Votorantim Metais tem como objetivo concluir os projetos de modernização e redução de consumo de óleo na matriz energética da unidade de Niquelândia (GO), assim como o alteamento da barragem de rejeitos. No entanto, o diretor-superintendente não confirmou a data para a retomada do projeto Ferro-níquel, que tem mais de R$ 480 milhões investidos e necessita de pelo menos mais R$ 400 milhões para sua conclusão.
A demora na retomada do projeto, paralisado desde 2008, é devido à grande oferta do mineral existente no mercado. “O projeto está em nossos planos, 95% do detalhamento técnico está pronto e muitos equipamentos já foram adquiridos, no entanto, em vista do início de grandes projetos de níquel no Brasil, como Barro Alto, da Anglo American, e Onça Puma, da Vale, vamos esperar mais um pouco para que o preço do produto suba no mercado, uma vez que no momento há grande oferta”, explica João Bosco.
Outra unidade a receber parte do aporte, principalmente para extensão de sua vida útil, é Fortaleza de Minas (MG). A empresa foca no momento o sulfeto de níquel para alimentar a planta industrial, que com investimentos ao decorrer dos anos conseguiu estender sua operação, que teria fim em 2006, para 2018. Quanto ao projeto de Montes Claros (MG), os trabalhos que já estão avançados e preveem um possível aproveitamento do níquel sulfetado da produção na planta de Niquelândia.
Para atender demanda do mercado, a Votorantim Metais ampliará a sua capacidade produtiva de cobalto eletrolítico, subproduto do processamento do níquel, de 1.400 t para 3.000 t ao ano na fábrica de São Miguel Paulista (SP) até 2012.
Nos negócios de alumínio, em 2011 serão investidos R$ 401 milhões na área industrial e em mineração de bauxita, e a Votorantim Metais concluirá ainda esse ano a construção do maior centro de tratamento de perfis da América Latina, localizado na fábrica de Alumínio (SP), com investimentos de R$ 243 milhões. Também será feito investimento no centro de extrusão, anodização e pintura da CBA , aumentando a capacidade da prensa para 72.000 t ao ano. Na área de extrusão, a empresa adquiriu em 2010 a Metalex, empresa situada em Araçariguama (SP), especializada em reciclagem de alumínio, gerando tarugos utilizados no processo.
Votorantim Metais espera investir na modernização da planta cerca de R$ 290 milhões este ano. A medida tem como objetivo agregar valor aos produtos da companhia e vai de encontro aos recentes pronunciamentos do governo brasileiro que, apesar de não inibir a importação, pede às mineradoras políticas semelhantes às que a Votorantim Metais preconiza.
O Estado de Minas Gerais, onde está concentrada a mineração de bauxita da empresa, receberá a quantia de R$ 44 milhões para aquisição de equipamentos de beneficiamento, abertura de minas e compra de depósitos potenciais, explica Marco Antônio Palmieri. “Atualmente estamos trabalhando em vários corpos minerais pequenos no Estado, todos com em média três a seis meses de atividade e, com as prospecções, temos ainda pelo menos 60 anos de produção em Minas Gerais”, diz.
O negócio a receber o maior valor de investimento em 2011 pela Votorantim Metais é o de zinco, com aporte de R$ 430 milhões, que serão destinados principalmente para a retomada do projeto Polimetálicos, em Juiz de Fora (MG), que reduzirá dependência da importação de concentrados de zinco. A inauguração dessa que será a primeira planta do tipo no País e trará uma tecnologia inovadora para o mercado nacional, está prevista para agosto de 2011, com produção de 15.000 t.
A unidade de Vazante (MG) também receberá investimentos voltados à expansão do projeto Extremo Norte, que prevê lavra do minério em zonas cársticas.
Em relação às operações internacionais, a Votorantim em 2010 concluiu o processo de aquisição da Milpo, terceira maior mineradora de zinco do Peru, país no qual a companhia brasileira já investiu cerca de US$ 1,5 bilhão, e só em pesquisa mineral mais de US$ 22, 4 milhões em 14 projetos nas áreas de zinco, cobre e ouro.
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