Viabilidade de explorar lítio em Minas é avaliada
19/01/2012
Fiemg busca investidores para fábrica de baterias.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) está desenvolvendo um estudo de viabilidade econômica para a exploração de uma jazida de lítio, usado na fabricação de baterias de celulares e tablets, em área próxima aos municípios de Araçuaí e Itinga, nos vales do Jequitinhonha e Mucuri. Já existem inclusive negociações, ainda incipientes, com investidores nacionais e internacionais para a construção de uma fábrica de baterias no Estado.
As informações são do presidente da Fiemg, Olavo Machado Junior. Ele confirma que a entidade está desenvolvendo levantamentos para atrair parceiros com o objetivo de verticalizar a cadeia produtiva do lítio no Estado, passando pela extração, beneficiamento, transformação e fabricação de baterias. “São estudos complexos, mas existe a potencialidade. As negociações com possíveis parceiros, porém, ainda são incipientes”, afirma.
Entre os investidores interessados, fontes de mercado que preferiram não se identificar afirmam que estão grupos asiáticos, essencialmente chineses e japoneses. O eventual investimento seria da ordem de US$ 150 milhões e envolveria toda a cadeia produtiva das baterias, desde a exploração e beneficiamento do lítio até a fabricação do produto final.
Reservas – Anteriormente, o diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Mineração do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), João César de Freitas Pinheiro, que já participou de seminários entre possíveis interessados e representantes do governo de Minas, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), confirmou à reportagem que as reservas em Minas têm potencial para abrigar o empreendimento.
Pinheiro informou ainda que, além de Minas, o Ceará, que também tem reservas do mineral, já mostrou interesse no investimento. Outro Estado que também teria condições de receber o empreendimento é Santa Catarina, porque tem a tecnologia de transformação do lítio para o uso final na produção de baterias.
Minas, no entanto, teria vantagem sobre os outros estados em função do perfil econômico do Estado, com forte know how no setor extrativo. Outro fator que pode ajudar é a entrada em peso do governo estadual nas negociações porque há forte interesse em direcionar o desenvolvimento socioeconômico para a região Norte e vales do Jequitinhonha e Mucuri.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, já admitiu ao DIÁRIO DO COMÉRCIO que o assunto é de interesse do Estado, mas os estudos e as negociações, segundo ela, estavam sendo conduzidos pela Fiemg.
Além de ser utilizado para a fabricação de baterias, o lítio também é usado pela indústria química (fabricação de graxas e lubrificantes), metalurgia (fabricação de alumínio primário), indústria cerâmica e indústria nuclear (fabricação de reatores).
Diário do Comércio