Vale vê retomada dos preços de minério no 2º semestre
27/07/2012
Para diretores da mineradora, recuperação chinesa e preço próximo do piso podem impulsionar cotação da commodity.
Mesmo com a desaceleração econômica global, que foi o fator determinante para os impactos negativos na cotação do minério de ferro da Vale, o preço da commodity deve apresentar recuperação nos próximos meses por estar muito próximo do piso.
Para José Carlos Martins, diretor executivo de Ferrosos e Estratégia da companhia, o patamar atual está praticamente fora da “banda habitual que corresponde ao intervalo entre US$ 120 e US$ 180”.
“O preço por tonelada chegou a US$ 119, que pode ser considerado um limite de queda, tornando a recuperação uma consequência”, disse Martins, em conferência com jornalistas nesta quinta-feira (26/7).
Além disso, a empresa acredita que uma recuperação da economia chinesa, impulsionada pelas medidas adotadas pelo governo chinês, deve contribuir para que no segundo semestre a mineradora tenha uma melhora na cotação do mineral.
Segundo Martins, os produtores mais caros devem sair do mercado, diminuindo a oferta significativamente, contribuindo para a elevação da demanda e do preço.
A queda do preço do minério de ferro foi o principal motivo para a baixa do lucro líquido da Vale em 48% no segundo trimestre deste ano.
Bem abaixo do valor vendido no cenário internacional (US$ 141) e descontando os impactos do frete, a Vale pretende trabalhar cuidadosamente para melhorar a qualidade da commodity em algumas minas da companhia.
Entre as prioridades da companhia está a execução do S11D, maior projeto da Vale e da indústria de ferro, que conseguiu licença ambiental do Ibama recentemente e deve inciar operações em 2016, movimentando cerca de 230 milhões de toneladas de minério de ferro.
Martins aproveitou para reforçar as palavras do presidente da companhia, Murilo Ferreira, e disse que uma maneira de diminuir os riscos do projeto Rio Colorado é buscar parceiros. A mineradora pretende investir mais de US$ 5,9 bilhões em uma mina e na infraestrutura para produção e escoamento anual de até 4,3 milhões de toneladas de potássio.
“Em relação ao Rio Colorado, a opção de trazer um sócio é estratégico para mitigar os riscos. Estamos estudando se vale a pena trazer um sócio”, explica Roger Downey, diretor de Fertilizantes e Carvão da Vale.
Sobre os objetivos da companhia em se tornar a maior produtora mundial de níquel, a ideia foi postergada e não deve se concretizar em 2013, como previsto anteriormente.
Além da espera pelo projeto Rio Colorado, quando Onça Puma e Nova Caledônia, suspensos por problemas técnicos e acidentes, voltarem a operar, o nível de produção de níquel deve atribuir à companhia uma posição confortável neste mercado.
“Pretendemos liderar a produção do níquel, mas isso depende da evolução dos dois projetos “, conclui Martins.
Peter Poppinga, diretor executivo de metais básicos da companhia, reforçou que a empresa tem como objetivo melhorar o desempenho das operações de não ferrosos, se referindo ao projeto de níquel Nova Caledônia e de cobre Onça Puma. Qualquer desinvestimento foi descartado.
“O target para níquel (300 mil) e cobre (340 mil) não devem ser cumpridos refletindo os problemas com os dois projetos”, analisa Poppinga.
A empresa não tem perspectivas de vender as suas operações de ferro de ligas de manganês no Brasil como fez recentemente ao se desfazer dos seus projetos na Europa com o objetivo de otimizar o portfólio de ativos.
Brasil Econômico