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Vale testa fibra da casca de coco na pelotização de minério de ferro

Notícias Gerais

05/01/2015


A Vale tem desenvolvido um novo tipo de aglomerante a partir das fibras da casca do coco verde para utilização como matéria-prima na produção de pelotas de minério de ferro. A nova tecnologia está em fase avançada de testes e conta com a colaboração técnica do Laboratório de Biotecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).A pesquisa teve início em 2011 e envolveu pesquisadores da Vale nas áreas de pelotização e de inovação e tecnologia. Os estudos em parceria com a universidade prosseguem e têm como objetivo nesta nova fase aprimorar a fórmula e desenvolver alternativas de tratamento e reaproveitamento dos resíduos gerados durante o processamento da casca do coco.
Também se estuda viabilizar uma produção de quantidade maior do aglomerante para teste em escala industrial.
São utilizados atualmente três tipos de aglomerantes na produção de pelotas: a bentonita e a cal hidratada, que são inorgânicos, e um orgânico que é importado e obtido a partir da árvore pinus europeu. Quando são adicionados aos fios de minério, os compostos garantem a formação de pelotas cruas, com consistência física suficiente para resistirem, sem trincas ou degradações, ao trajeto do pelotamento no forno.
“O aglomerante orgânico, por não gerar resíduos minerais, garante às pelotas um teor de ferro mais elevado e, portanto, com maior valor agregado”, afirma o diretor de pelotização da Vale, Maurício Max.
Como o aglomerante orgânico usado atualmente é importado, portanto mais caro, e o pinus europeu, árvore da qual é feito, é de crescimento mais lento, surgiu a ideia de usar a fibra do coco verde, resíduo abundante no Brasil, como matéria-prima para a produção da substância.
Dados apurados pela pesquisa mostram que, em 2010, foram produzidos 2,7 milhões de toneladas de coco no país. Enquanto a polpa é largamente usada na indústria alimentícia, a casca acaba sendo descartada. A partir de sua parte mais fibrosa é extraída a celulose, matéria-prima para o aglomerante. As pesquisas mostram ainda, que provavelmente a proporção de aglomerante será mantida mesmo com a troca da matéria-prima.
“Atualmente para cada tonelada de pelota produzida em escala industrial são usados 500 gramas de aglomerante. Em laboratório conseguimos produzir 200 quilos de pelotas usando 100 gramas de aglomerante de casca de coco, ou seja, a mesma proporção”, diz o diretor.
De acordo com Max, os resultados do trabalho são promissores, pois já foi possível comprovar a viabilidade técnica do processo por meio de produção do aglomerante em escala de laboratório e de ensaios de geração de pelotas de minério de ferro feitos nas instalações da planta piloto de pelotização do Complexo de Tubarão, também em menor escala.
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