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Vale se prepara para operar em plena capacidade em 2012

Notícias Gerais

03/10/2011


São Paulo – A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, planeja operar à plena capacidade em 2012. A projeção da mineradora é reflexo do otimismo do mercado em relação à China, seu maior comprador, que poderá lidar com qualquer desaceleração em economias desenvolvidas.
Na última década, a participação da China no consumo mundial dos principais metais subiu de 10% para 40%. No entanto, de acordo com especialistas da área, esse crescimento acelerado não deve durar por muito tempo.
“Em dez anos, grande parte da população chinesa já vai estar nas cidades, o que deve desacelerar a demanda por metais”, afirma Colin Pratt, consultor da CRU Strategies, do Reino Unido. Ele salienta que, apesar da China ainda dominar o consumo de metais no mundo, esse quadro não deve se manter. “Só se constrói uma nação uma vez”, acredita.
A mineradora brasileira alertou ontem a que a incerteza sobre a economia global manterá os preços do minério de ferro voláteis por agora, apesar de ainda não ter recebido nenhum pedido de clientes chineses ou europeus para cancelar ou adiar embarques do minério.
O diretor de Assuntos Minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Marcelo Tunes, diz que as mineradoras ainda não reportaram cancelamentos.
Durante conferência na China, o diretor-executivo de vendas e marketing da Vale, José Carlos Martins, afirmou que a empresa tem recebido queixas de produtores de aço chineses de que os custos de produção estão altos e que os preços domésticos do metal não estão bem, mas que não há atrasos ou cancelamentos à vista. “Acreditamos que, como a crise de 2008, os mercados emergentes vão sair ainda mais fortes do que saíram da crise anterior”, disse.
Muitos economistas em bancos de investimento e membros do governo chinês minimizaram temores sobre um pouso forçado da economia da China, segunda maior do mundo. O país pode crescer mais de 9% em 2011 antes de desacelerar para expansão de cerca de 8% nos próximos cinco anos. “Ainda assim, a volatilidade das commodities, em meio à turbulência internacional, não deve afetar os investimentos da mineração brasileira”, avalia Paulo Camillo, presidente do Ibram. O aporte previsto para o setor, no Brasil, deve ser de US$ 68 bilhões até 2015, podendo ser revisto para US$ 70 bilhões até o final do ano.
A Vale projeta vendas de 130 milhões de toneladas para a China, meta anual que a empresa mantém desde 2009 e que representa mais de 40% da produção total de minério da Vale, de 308 milhões de toneladas em 2010.
A meta da companhia para 2011 é produzir 310 milhões de toneladas. “Nossa política visa a manter o posto de maior e mais diversificada empresa de minérios do País”, diz o diretor de Operações da Vale Fertilizantes, Marcelo Fenelon. Para tal, a Vale tem um ambicioso programa de investimento de US$ 24 bilhões, a ser concluído no primeiro trimestre de 2012 para elevar a produção a 469 milhões de t em 2015.
Japão
Todos os olhares do mundo continuam voltados para a China. Porém, outro país asiático pode ser a grande promessa para o mercado dos metais. “Em 2011, o Japão investirá US$ 40 bilhões para reconstruir o país após o terremoto, que foi de grande magnitude”, acrescenta o presidente do Ibram. Essas altas cifras têm sido utilizadas para reerguer o país, que sofreu o desastre em março deste ano, provocando cerca de US$ 300 bilhões em prejuízos.
Camillo reforça que grande parte do orçamento japonês para a reconstrução das cidades será utilizado na compra de commodities minerais. “O horizonte para a mineração é extremamente promissor”, completa. O Japão foi o segundo maior comprador de minério de ferro do Brasil, entre janeiro e agosto deste de 2011.
Anglo American
A mineradora confirmou ontem que terá minério de ferro disponível para suprir as necessidades da Ternium para seu projeto siderúrgico no Porto de Açu, no Rio de Janeiro. As negociações entre as duas companhias continuam de forma positiva, informou a Anglo. A Ternium planeja construir uma siderúrgica no Porto de Açu com capacidade inicial de cerca de 5,6 milhões de toneladas de aço bruto por ano. A data de início da operação ainda não foi confirmada.

DCI


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