Vale: resultado do 3ºtri09 confirma retomada da demanda fora da China
30/10/2009
A nota abaixo é reprodução do texto publicado ontem, às 20h49. São Paulo, 28 – Os efeitos da crise internacional sobre o mercado de minério de ferro levaram a Vale a apresentar um resultado no terceiro trimestre muito aquém do obtido no mesmo período do ano passado, com recuo de 65,2% no lucro líquido, para US$ 1,677 bilhão, na contabilidade norte-americana.
Além da menor demanda por minério de ferro em todo o mundo, a empresa sentiu os efeitos dos preços 28% a 48% menores nos contratos de fornecimento da commodity. Apesar do recuo, a mineradora já começa a mostrar uma melhora em comparação com o trimestre anterior, com ganhos de preços e de volumes de vendas, inclusive fora da China.
No terceiro trimestre, as vendas de minério de ferro e pelotas da Vale recuaram 15% ante o mesmo intervalo de 2008, mas tiveram crescimento de 35,5% em comparação com o segundo trimestre, somando 72,930 milhões de toneladas. Além da forte demanda da China, que consumiu 39,838 milhões de toneladas, a companhia ampliou suas vendas para outras regiões, como Europa, Japão, Coreia e Brasil.
Isso levou a uma redução na participação do mercado chinês nas vendas da empresa, passando de 66,2% no segundo trimestre para 54,6% no terceiro trimestre. A fatia da China ainda é muito superior à verificada no terceiro trimestre de 2008 (32,8%), mas reflete uma tendência positiva para a Vale, uma vez que o país é um mercado mais agressivo em relação a preços. Neste ano, a mineradora conseguiu fechar novos preços de contrato em todo o mundo, com exceção dos chineses, que acataram apenas descontos provisórios de 30%, em média, em linha com os demais mercados.
A Europa, mercado de maior valor agregado, aumentou sua participação nas vendas da mineradora de 8,8% no segundo trimestre para 14,9% no terceiro. No mesmo período de 2008, antes da crise, a região representava 25% dos embarques. A recente recuperação dos mercados ficou evidente nos preços praticados pela empresa. Em função da alta do preço do minério no mercado à vista (spot) na China, os preços médios praticados pela empresa no terceiro trimestre foram de US$ 57,23 por tonelada para o minério, alta de 19,7% ante o trimestre anterior, quando o preço médio era de US$ 47,82 por tonelada.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o preço era de US$ 80,19 por tonelada, houve um recuo de 28%. Esta diferença foi causada pelos novos preços de contrato firmados neste ano pela empresa com seus clientes. O ajuste de demanda e preços impactou a receita líquida da mineradora no segmento de ferrosos, que foi de US$ 3,821 bilhões, uma alta de 57,7% ante o segundo trimestre. A receita da companhia como um todo cresceu 35,6%, para US$ 6,8 bilhões ante o trimestre imediatamente anterior.
O Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 74,7% e passou de US$ 1,7 bilhão para US$ 3 bilhões, enquanto o lucro líquido avançou 112,3% e somou US$ 1,67 bilhão. Na comparação anual, o lucro caiu 65,2%, o Ebitda recuou 52,7%, enquanto a receita teve queda de 43%. No segmento de níquel, segundo mercado mais importante da Vale, os volumes apresentaram um recuo, passando de 69 mil toneladas no segundo trimestre para 53 mil toneladas. Mesmo assim, a receita passou de US$ 916 milhões no segundo trimestre para US$ 963 milhões, graças ao aumento de 36,1% no preço médio de níquel, que passou de US$ 13,224 mil por tonelada para US$ 18 mil por tonelada.
Em comparação com o terceiro trimestre de 2008, quando a receita foi de US$ 1,358 bilhão, houve um recuo porque na ocasião o preço médio era de US$ 19,6 mil por tonelada, enquanto o volume era de 69 mil toneladas. Segundo o padrão contábil brasileiro, o lucro da companhia recuou 65,2% para R$ 3 bilhões, a partir dos R$ 7,7 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado, valor ajustado pelas novas normas contábeis do IFRS.
O balanço apresentado no terceiro trimestre de 2008, no entanto, sem o ajuste, reportou lucro recorde de R$ 12,4 bilhões. Apesar de ser mais fraco do que no ano passado – o que não surpreende em função da crise que se agravou no final de 2008 – a retomada do volume de embarques da Vale no terceiro trimestre confirma as expectativas mais positivas do mercado em relação ao seu desempenho futuro, sinalizando que a pior fase da crise global ficou para trás.
Agência Estado / Brasil Infomine