Vale: recuperação das vendas de níquel e cobre é principal surpresa no trimestre
28/02/2011
SÃO PAULO – A diversificação nos negócios e investimentos da Vale (VALE3, VALE5) já rende resultados. O balanço da companhia no quarto trimestre de 2010, tradicionalmente um período de queda nas margens operacionais, chamou a atenção pela alta na venda de metais base, em especial o níquel e o cobre. A empresa ganhou com a retomada de suas operações no Canadá, bateu novos recordes em 2010 e superou as estimativas da maior parte dos analistas, que reiteraram a projeção de crescimento para este ano.
;”A melhora na divisão de metais não ferrosos foi significativamente maior do que nossas expectativas”, diz o Barclays. A Link Investimentos avalia que a retomada das operações da mineradora no Canadá para a exploração do níquel, aliada aos embarques superiores a 80 milhões de toneladas de minério de ferro no trimestre, foram os grandes destaques do balanço.
“O ano de 2010 trouxe enormes lucros para a Vale, com demanda relativamente estável, e a redução das incertezas em relação às grandes economias do mundo. O ano de 2011 deverá ser ainda melhor”, diz em relatório o analista Leonardo Correa, da Link.
Ano começa com o pé direitoA perspectiva de avanço tanto no segmento de metais de base, quanto nos preços de minério de ferro durante o primeiro e segundo trimestres de 2011, traz a oportunidade de um bom momentum para ganhos nesta primeira metade de 2011, revela o Barclays. Apesar da recomendação neutra, o banco compartilha com a maior parte das corretoras a projeção de continuidade de crescimento neste ano.
Além dos números reportados reiterarem os bons fundamentos da empresa, a produção siderúrgica chinesa traz a chance de um novo aumento de preços no segundo trimestre. Já a retomada econômica na Europa e Estados Unidos continua a indicar a sustentação da demanda e dos preços de matérias-primas nos próximos exercícios, aponta o Banco do Brasil Investimentos.
“O que chama muito a atenção é a evolução verificada em 2010, onde os recordes voltam a ser superados, com uma clara perspectiva de continuidade do crescimento. O otimismo se confirma, justificando as estratégias e os volumosos investimentos previstos”, diz o analista Antonio Emilio Bittencourt Ruiz, em relatório divulgado pelo BB.
Investimentos;
“A companhia está aproveitando esse excelente momento do minério de ferro para apresentar crescimento sustentável em diversas áreas. O endividamento da companhia está controlado, e a capacidade de geração de caixa vai continuar por alguns trimestres, o que irá permitir que a empresa realize esses investimentos sem problemas”, avalia o analista Leonardo Correa, que assina o relatório da Link Investimentos.;;;;;;;;;
Na última quinta-feira (23), junto com a divulgação de seus resultados, a mineradora lançou um plano para destinar mais US$ 24 bilhões a projetos futuros. Além de continuar a procurar boas oportunidades ligadas ao minério de ferro, o objetivo é crescer em fertilizantes, cobre e níquel.
No último ano, a Vale investiu US$ 12,7 bilhões em manutenção de ativos existentes e em exploração de múltiplas oportunidades de crescimento. Ao todo, foram seis projetos entregues no período: Adicional 20 Mtpa, expansão de minério de ferro; TKCSA, planta de placas de aço; Bayóvar, mina de rocha fosfática; Três Valles, operação de cobre; Onça Puma, operação de ferro-níquel, e Omã, operação de pelotização de minério de ferro.
O fim dos projetos e sua maturação traz a expectativa de uma reversão de custos neste ano. No quarto trimestre, o crescimento de despesas operacionais foi apontado pela Brascan Corretora como um dos ponto negativos mais importantes do período, quando também pesaram as despesas para retomar as atividades no Canadá.
Além disso, a companhia também investiu US$ 6,7 bilhões para financiar aquisições, inclusive de ativos de fertilizantes no Brasil. No total, o investimento em 2010 da Vale atingiu US$ 19,4 bilhões, “o maior na indústria mundial de mineração”, segundo a companhia.
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