Vale reajustará preço do minério na média do mercado à vista
07/04/2010
O indexador que será utilizado pela Vale daqui para a frente para balizar os novos preços do minério de ferro será a média de três meses do preço do insumo no mercado à vista chinês, segundo uma fonte próxima às negociações.
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A Vale anunciou na última quinta-feira que adotará o sistema de revisão trimestral para o reajuste, mas não divulgou o indexador e nem o porcentual acertado para o próximo aumento. Segundo a fonte, a elevação média que foi acordada pela empresa com a maioria de seus clientes foi de 90%, para o período que termina em junho.
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Atualmente, as siderúrgicas europeias se transformaram no principal foco de resistência à oferta da Vale. Até a semana passada, segundo a fonte, a gigante ArcelorMittal ainda não havia acertado um acordo com a mineradora brasileira. ?Como a demanda por minério na Europa é mais fraca, as siderúrgicas estão bem unidas, tentando resistir?, revelou a fonte.
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Entretanto, prevê, o cenário mundial de forte procura por matéria-prima vai levar as siderúrgicas europeias a também caminhar na direção do reajuste nessa faixa. Durante a crise, a Europa foi uma das regiões que mais sentiram o impacto da retração econômica. No auge da crise, a ArcelorMittal chegou a ficar cinco meses sem comprar uma tonelada de minério de ferro da Vale.
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A china também tem resistido, no sábado, o jornal estatal chinês Securities Times informou que a Associação de Ferro e Aço da China (Cisa, na sigla em inglês) pediu que siderúrgicas e traders domésticos não importem minério de ferro das anglo-australianas Rio Tinto e BHP Billiton e da brasileira Vale durante dois meses.
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Mas, segundo a fonte, as siderúrgicas chinesas, que em 2009 foram a grande pedra no sapato da companhia brasileira, têm mostrando mais resignação na hora de aceitar um aumento na casa dos 90%. ?Atualmente, é mais difícil para a China argumentar diante da forte demanda que existe por lá?, revelou a fonte.
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No ano passado, quando a crise internacional ainda provocava estragos no setor, as siderúrgicas chinesas foram as únicas a baterem pé e boicotarem a oferta da Vale de baixar seus preços em quase 30%. Na época, a China migrou para o mercado à vista, que operava com cifras bem menores do que as negociadas em contratos de longo prazo.
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Para o Credit Suisse, se a China interromper as compras de minério do mercado transoceânico, mas mantiver sua produção de ferro gusa, quando os chineses forem retomar as importações da Vale e das australianas no fim do segundo trimestre, o mercado vai estar mais apertado por conta das fortes chuvas que atingem a Índia em decorrência da estação das monções. Esse cenário seria um estímulo ao pagamento de preços mais altos.
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Conforme o Credit, portanto, o impacto da Cisa ter solicitado às siderúrgicas chinesas que suspendam as compras das três maiores produtoras de minério é limitado. Com a recuperação da demanda mundial, que, segundo a Vale, já supera o período pré-crise, o preço do insumo à vista disparou. Hoje, o produto está cotado a um valor mais do que 100% superior ao fixado como referência em 2009 pelo setor.
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A grita das siderúrgicas europeias tem sido liderada pela Eurofer, associação que representa o setor. A entidade chegou ameaçar recorrer a órgão de defesa da concorrência sob alegação de concentração de mercado. Além disso, alega que um reajuste dessa magnitude poderia trazer de volta a recessão para a economia da região.
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A expectativa de analistas é que, no curto prazo, os novos preços do minério se aproximem dos negociados no mercado à vista. Segundo o analista da Geração Futuro Rafael Weber, dados colhidos no porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, pela consultoria Steel Business Briefing (SBB), apontam que foi exportado minério para o Japão a US$ 106,7 por tonelada, sem frete, valor 93% acima dos US$ 55,4 por tonelada registrados no dia 30 de março.
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?O valor de US$ 106,7 por tonelada é próximo à média de US$ 105 por tonelada do preço spot para a China no primeiro trimestre?, diz Weber. Na avaliação do analista da Geração Futuro, ?parece claro que está havendo convergência dos preços praticados com o preço à vista?. ?A tendência é que a Vale tente colocar um preço mais próximo do spot?, afirma o analista da Link Leonardo Alves. Mas dependendo da força de cada cliente, pode haver variações nos reajustes, de acordo com o analista da Link.
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Efeito incerto: A passagem de preços provisórios para definitivos poderá ocorrer quando for acordado um índice entre vendedores e compradores de minério, conforme o analista da Geração Futuro. O mercado está tentando entender como funcionará o novo sistema de preços decorrente da mudança de reajustes anuais para trimestrais, destaca o analista da Modal Asset Eduardo Roche.
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?Não sei dizer ainda se a mudança é boa ou ruim, mas os preços estão se ajustando para se adaptar à nova realidade de mercado?, diz Roche. Segundo ele, o sistema de ajustes trimestrais poderá implicar em maior volatilidade nos resultados das mineradoras às variações em função dos preços.
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Nos cálculos do Credit Suisse, um aumento de 83% nos preços de referência do minério com teor de ferro de 62% na base C&F (quando o exportador paga o custo e o frete necessários para que os produtos cheguem ao destino), considerando ajustes de qualidade da matéria-prima e do frete, resultaria no valor de US$ 118 por tonelada. Se a variação for de 90%, o preço chega a US$ 125 por tonelada. Conforme o Credit, os preços podem subir 20% para o trimestre de julho a setembro.
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Se a alta for de 90% nos preços de minério de ferro para o segundo trimestre de 2010, a Vale seria negociada ao múltiplo EV/Ebitda de 6,7 vezes e cinco vezes em 2011. O Deutsche Bank revisou sua estimativa de aumento do preço do minério no segundo trimestre de 60% (considerando 50% das vendas no mercado spot e 50% ia contratos) para 65%.
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Para o terceiro trimestre, o Deutsche espera alta de 10% e, para o quarto trimestre, queda de 15%. A expectativa do banco para 2011 é de estabilidade dos preços. O preço-alvo para os American Depositary Receipts (ADRs) da Vale para 12 meses foi revisto de US$ 36 para US$ 39.
Agência Estado