Vale pode elevar investimento mesmo com lucro reduzido
27/04/2012
Presidente da empresa afirmou ontem que aportes, estimados em até R$ 21,4 bilhões, devem ser ainda maiores durante todo o ano de 2012
Mesmo após amargar uma queda de 43% em seu lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, em relação a 2011, a Vale afirmou ontem que os investimentos para 2012 podem ser ainda maiores que os R$ 21,4 bilhões projetados atualmente. ?Existe uma boa possibilidade de executarmos todo o aporte previsto e até de investirmos mais?, disse o presidente da empresa, Murilo Ferreira, em teleconferência a jornalistas.
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Ferreira creditou o fraco desempenho da companhia nos três primeiros meses do ano às fortes chuvas que impactaram produção, custos e embarques. No entanto, o executivo continua confiante. ?Não há razão alguma para acreditarmos que os resultados deste ano serão inferiores aos de 2011?, afirmou Ferreira. Ele lembrou que, anteriormente, a empresa já havia divulgado as suas expectativas de que o trimestre seria mais fraco, seguido de uma gradual melhora ao longo do ano.
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De acordo com o diretor-executivo de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, a companhia tem seguido as tendências de mercado no que diz respeito ao sistema de precificação do minério de ferro. ?Os chineses preferem os preços do momento. Hoje, esta é a realidade do mercado, e nós dançamos conforme a música?, disse o executivo. Martins destaca que cerca de metade das negociações feitas na China segue os preços atuais.
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Ele complementa que os contratos de longo prazo ainda são maioria para a Vale, mas os chamados index (índices, em português, que são uma espécie de preços de referência baseados no momento, como nas bolsas de valores) também devem crescer. ?Estamos seguindo as tendências do mercado?, disse Martins.
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O executivo salienta que o sistema que era adotado até o terceiro trimestre do ano passado era baseado em contratos trimestrais e, atualmente, existem mais 10 modelos para a precificação. ?Todos são baseados em preços de referência do mercado, mas usando médias diferentes. Alguns clientes usam bases trimestrais, mensais, ou até diários?, acrescentou.
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Ainda em relação à região asiática, Martins disse que o centro de distribuição (CD) da companhia na China ?projeto antigo da mineradora ? ainda não obteve licença. Porém, o CD de Omã (na Arábia) já está pronto e o da Malásia está em construção, devendo ficar pronto no final de 2013.
?Recentemente, aprovamos mais um CD nas Filipinas, o que deve ampliar nossa capacidade de embarques para 60 milhões de toneladas anuais na região?, disse o executivo.
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Martins destacou que a Vale leva desvantagem em relação às empresas sediadas próximas à China. ?Hoje, os países preferem negociar com empresas que estão mais perto, porque o embarque do Brasil para a Ásia, por exemplo, leva mais de 45 dias?, diz o executivo. Com a construção dos novos centros de distribuição, a situação ficará mais ?confortável? para a mineradora.;
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?Ganharemos competitividade?, afirma.
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O presidente da Vale ressaltou que a economia chinesa apresentou desaceleração no final do ano passado, mas que o ritmo de crescimento deve aumentar nos próximos meses. Além disso, Ferreira diz que o primeiro trimestre foi muito bom para o mercado do aço e, caso o quadro continue assim, a mineradora terá o maior recorde diário de sua história.
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Impasses institucionais
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O presidente da Vale destacou dois eventos como impasses ?institucionais?. Um deles é o projeto do Rio Colorado, na Argentina. Com a expropriação da petrolífera YPF, Ferreira afirma que o momento é de instabilidade no país vizinho. ?Deixamos claro que a nossa decisão de rever o projeto Colorado se deve a vários motivos, entre eles a altíssima inflação na Argentina e também o evento político em questão?, diz. Ele frisou que o episódio da YPF não foi o detonador da bomba para a revisão do projeto da Vale, no país. ?Todo ambiente de incertezas traz consequências?, diz.
Outro problema ?institucional? vivido pela maior mineradora do mundo é a cobrança de taxas sobre a mineração, instituídas pelos governos do Pará, Minas Gerais e Amapá. ?Essa discussão tem sido liderada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e nós vamos continuar acompanhando a situação. Até o momento, não fomos informados de mudanças?, diz Ferreira.
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EBX
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Ainda nesta quinta-feira, a Vale e o grupo EBX, do empresário Eike Batista, firmaram um memorando de entendimentos para estudar a construção de um trecho ferroviário para ligar ferrovias ao Porto de Açu (RJ), segundo divulgado em comunicado oficial. Caso fique comprovada a viabilidade econômica e ambiental do projeto, a mineradora brasileira teria acesso garantido ao porto de Eike para escoar o seu minério de ferro. Em agosto do ano passado, Eike havia dito que estudava uma parceria com a mineradora para interconectar o Porto do Açu com ferrovias administradas pela mineradora. O Porto de Açu abrigará um complexo industrial que irá demandar US$ 40 bilhões em investimentos.
Panorama Brasil