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Vale planeja exportar níquel do projeto de Nova Caledônia

Notícias Gerais

16/11/2010


A Vale anunciou nesta segunda-feira planos de embarcar níquel a partir de seu projeto de US$ 4,3 bilhões em Nova Caledônia, dois anos antes do previsto inicialmente e apenas de produto semi-acabado.
Um executivo sênior da Vale disse que, pelo projeto de Goro, seria possível embarcar ao menos 4 mil toneladas do metal semi-acabado para a Austrália a partir do próximo mês, mas enfatizou que a Vale se manterá fiel à sua meta de longo prazo de explorar até 58 mil toneladas por ano em Goro.
“Esta será uma medida temporária para um mínimo de 4 mil toneladas”, disse Petter Poppinga, vice-presidente executivo da unidade de metais à Reuters no intervalo de uma conferência da indústria.
“O plano de longo prazo é produzir nosso próprio metal… Não gastamos mais de US$ 4 bilhões apenas para vender um produto intermediário”.
A Vale está ansiosa para mostrar que seu projeto em Goro, que explora e processa níquel a partir de jazidas do minério laterítico, não terá o mesmo destino dos projetos de níquel laterítico construídos na Austrália pelas mineradoras BHP Billiton e Minara Resources.
A BHP Billiton fechou seu projeto de US$ 2,2 bilhões em Ravensthorpe no começo deste ano, ainda que depois tenha vendido o mesmo por US$ 340 milhões para a canadense First Quantum Minerals, que planeja retomar o projeto.
O projeto da Minara, pioneira no processo de níquel laterítico, ainda precisa alcançar a capacidade anual de 40 mil toneladas esperada.
O processo do níquel laterítico requer alta pressão e processamento através de ácidos, o que pode tornar o equipamento vulnerável a falhas.
A Vale está fazendo alguns reparos em sua refinaria em Goro, que ainda está em construção, e analistas da indústria dizem que ela pode levar mais cinco anos para atingir a taxa máxima de produção de 58 mil toneladas de níquel por ano e 4 mil toneladas de cobalto.
CRONOGRAMA
Entretanto, Poppinga disse que a Vale manterá seu objetivo de atingir plena capacidade em 2013 e que a exportação do produto semi-acabado –com cerca de 40% de níquel– é um passo de médio prazo.
A Vale produziu sua primeira carga de metal em Goro em agosto, mas os embarques do produto semirrefinado para a refinaria QNI, do norte da Austrália, seriam suas primeiras exportações.
“Não vemos nenhuma razão para mudar os prazos do nosso projeto por causa disso”, disse Poppinga, reforçando o plano de acrescentar mais 15 mil toneladas à sua produção anual ao embarcar algumas partes não utilizadas de um projeto brasileiro frustrado de mineração em Goro.
O projeto de Goro foi inicialmente estimado em US$ 3,2 bilhões, mas foi incrementado depois, em parte para atender às demandas ambientais.
Goro estava previsto para iniciar operações no final de 2008. A QNI, propriedade do investidor Clive Palmer, pode produzir até 70 mil toneladas de níquel por ano, mas opera com cerca de 40 mil toneladas apenas, devido à limitada oferta de insumos, disse Poppinga.
O consumo global de níquel primário deve crescer em até 1,53 milhão de toneladas no próximo ano, ante 1,43 milhão de toneladas estimados em 2010, de acordo com o Grupo Internacional de Estudo do Níquel.

Folha de São Paulo


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