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Vale: Mineradora buscará liderança na área

Notícias Gerais

28/01/2010


O anúncio pela Vale ontem da celebração de contrato com a Bunge Fertilizantes S/A e a Bunge Brasil Holdings B.V. para adquirir por US$ 3,8 bilhões 100% das ações da Bunge Participações e Investimentos S/A (BPI) é o primeiro passo importante para a mineradora entrar de fato no ramo de fertilizantes, setor que elegeu como estratégico para seus negócios futuros. A companhia prevê que com o desenvolvimento de seus projetos greenfield de fosfato e potássio no mundo e novas aquisições poderá se tornar uma das líderes do setor de fertilizantes nos próximos sete anos, com uma produção estimada de 3,3 milhões de toneladas de ácido fosfórico e 10,7 milhões de toneladas de potássio. Na avaliação de analistas, a diversificação é importante para a Vale – hoje muito dependente de insumos siderúrgicos e bastante e dedicada a industrialização e logística. Com o negócio, a empresa muda o foco para consumo, crescimento da população e renda.
A demanda por fertilizantes no Brasil e no mundo tende a crescer e a entrada da Vale nessa “praia nova”, destaca Pedro Galdi, da SLW Corretora, vai ser muito promissor, já que a empresa caminha para ter mix diferenciados como outras mineradoras. É o caso da australiana BHPBilliton, a maior do mundo, que além de minério tem negócios que vão do petróleo aos diamantes.
A Vale vai desembolsar US$ 1,65 bilhão pelos ativos de rocha fosfático e fosfatados da BPI e os US$ 2,15 bilhões restantes serão pagos às ações detidas diretamente e indiretamente pela BPI na Fosfertil.A transação está sujeita à aprovação de órgãos governamentais, inclusive o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Depois de concluída a operação, a Vale pretende lançar uma oferta pública obrigatória para comprar as ações ordinárias detidas pelos minoritários da Fosfertil por 100% do preço por ação atribuível às ações da Fosfertil. Ontem, as preferenciais da Fosfértil, mais líquidas, fecharam a R$ 18,40, queda 3,10% no dia.
A Vale informou ainda, em comunicado, que vai realizar estudos referentes à combinação dos ativos e empresas adquiridos da BPI com outros ativos de fertilizantes que já possui, com vistas a uma futura reorganização corporativa do segmento. A Vale criou uma área para cuidar só de fertilizantes, comandada por Ruy Fernandes.
A aquisição é vista pelo mercado como um primeiro passo para a Vale se firmar no mercado nacional, dependente de importações, e se tornar uma líder global na indústria de fertilizantes. Para chegar lá, a empresa pretende construir uma “plataforma” para criar valor com ativos de classe mundial pela combinação de aquisições e crescimento orgânico.
Atualmente, a Vale tem uma mina de potássio no Brasil – de Taquari-Vassouras – , adquirida nos anos noventa. Tem ainda no potássio os projetos Carnalita I, II e III, no Brasil, Rio Colorado e Neuquén, na Argentina e Regina, no Canadá. Em fosfato, cujo mercado transoceânico é menor, a companhia tem as minas de Bayóvar I e II no Peru, e Evate, em Moçambique.
A mineradora estima que Bayóvar I, no departamento peruano de Piura, com capacidade de produção projetada de 3,9 milhões de toneladas de rocha fosfática, seja concluída no segundo semestre deste ano. Ainda em 2010, a Vale começa a construção do projeto Rio Colorado, que vai produzir 2,4 milhões de toneladas de potássio (cloreto de potássio) na primeira fase. O investimento total é estimado em US$ 4,1 bilhões e o início da produção é previsto para o segundo semestre de 2013.

Valor On Line


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