Vale mantém previsão de minério com preço alto
29/07/2011
Mineradora segue apostando no consumo acelerado da matéria-prima do aço pela China, especialmente para o setor de construção.
A Vale mantém a perspectiva de alta no preço do minério de ferro até 2013, mesmo ante a valorização do real, a crise envolvendo os países europeus e incerteza fiscal dos Estados Unidos.
“O mercado global de minério de ferro permanece aquecido e esperamos que permaneça assim pelo menos pelos próximos dois anos”, diz a mineradora no balanço do segundo intervalo financeiro de 2011.
A confiança é puxada pelo desempenho de importação do insumo siderúrgico pela China, que respondeu por R$ 8 bilhões da receita operacional da companhia no trimestre – elevação de 29,5% sobre os R$ 6,96 bilhões do primeiro trimestre.
“O 12º plano quinquenal chinês para 2011-2015 continuará a dar apoio à expansão da demanda por commodities, incluindo minério de ferro, carvão e cobre”, diz a Vale.
A aposta maior da mineradora está no processo de urbanização no gigante asiático, onde a maior parcela da população que ainda vive na zona rural tem migrado para cidades médias e grandes.
“O programa de habitação social, que envolve a construção de 36 milhões de unidades, das quais 10 milhões estão programadas para 2011 e outras 10 milhões para 2012, adicionará vigor ao mercado imobiliário e à demanda por minério de ferro a partir do segundo semestre”, confia a Vale.
Recuperação de preço
Segundo a companhia, os preços de minerais e metais registraram “modestas correções” no trimestre encerrado em junho, voltando a “uma recuperação desde meados de junho”.
A empresa afirma que o sistema internacional de preços (Platts) oscilou entre US$ 170 e US$ 185 a tonelada do minério com 62% de teor de ferro nos últimos meses. A Vale cobra um valor adicional para cada 1% de ferro contido em seu minério, em média com 65%.
A Vale vendeu 73,5 milhões de toneladas de minério e pelotas no segundo trimestre, registrando alta de 7,2% sobre o intervalo janeiro-março.
O volume foi atingido apesar de chuvas na mina de Carajás (PA), que desacelerou a descarga de trens no terminal marítimo de Ponta da Madeira (MA) em função da umidade mais elevada do minério. “Uma vez que os problemas sofridos no segundo trimestre foram superados, há potencial para crescimento em 2011 e ampliação da exposição ao ciclo de preços elevados de minérios e metais”, indica.
Projetos mais caros
A perspectiva positiva da Vale para o preço do insumo siderúrgico é puxada pela previsão da empresa para o cenário macroeconômico mundial, responsável pela elevação nos custos de implantação de novos projetos para elevar a produção de minério. “A expansão de capacidade está envolvendo enormes desafios, com grande potencial para causar atrasos na execução, cancelamentos e maiores custos de produção e de investimento (de projetos)”.
A indicativa deve piorar o cenário apontado no final do ano passado pelo Credit Suisse, quando estudo elaborado pelo banco identificou um déficit de 90 milhões de toneladas na oferta global de minério de ferro.
Segundo a Vale, há “uma parte importante da ampliação de capacidade é composta por projetos greenfield (saídos do zero), que exigem investimentos elevados, complexos e caros em infraestrutura”.
O excesso de projetos, na visão da mineradora, estaria “gerando elevação nos custos de capex (investimento) por tonelada métrica que se somam às pressões de custos decorrentes de aumentos dos preços de equipamentos, matérias-primas e serviços e da depreciação do dólar americano em relação às moedas dos países produtores de minério de ferro”.
Brasil Econômico