Vale investe na pesquisa da mineração do futuro
13/12/2010
Empresa investe US$ 300 milhões para desenvolver tecnologia de exploração em locais onde o homem não pode chegar
O desenvolvimento de tecnologias para mineração em locais de difícil acesso (grandes profundidades, desertos, fundos de oceanos ou florestas tropicais) se tornou um campo de investimento estratégico para a Vale. Nos próximos três anos serão aportados US$ 300 milhões, cerca de R$ 513 milhões, na construção de três campi do Instituto de Tecnológico Vale (ITV).
É o maior investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) espontâneo do setor de mineração no Brasil. Os pesquisadores serão incumbidos de desenvolver tecnologias que reduzam os custos de operação para viabilizar a mineração em depósitos de minério de ferro, cobre e outros recursos naturais em lugares ermos ou inacessíveis ao homem.
Em conjunto com a comunidade acadêmica, a Vale se antecipa a já propagada escassez destes recursos como resultado do aumento da demanda e pretende ampliar suas reservas próprias e criar capacidade técnica de exploração em solos ainda virgens.
As três unidades do ITV serão distribuídas em Minas Gerais, no município de Ouro Preto, no Pará, em Belém, e São José dos Campos, no estado de São Paulo. Conforme o diretor do ITV, Luiz Mello, em um horizonte de três anos novas tecnologias desenvolvidas nestas unidades já deverão estar em utilização pela mineradora.
Entre os objetivos do aporte está a redução de custos que hoje impedem a exploração de jazidas já conhecidas, mas que são economicamente inviáveis. Mello citou que o cobre é explorado a cerca de 700 ou 800 metros de profundidade. O ouro, em alguns casos, é explorado a 4 mil metros. ?Pelo valor do ouro, compensa. Pelo preço do cobre, ainda não?, disse.
Mello lembrou que no poço de petróleo da Petrobras que culminou na descoberta da camada pré-sal foram investidos dezenas de milhões de dólares para que os resultados viessem apenas no longo prazo. ?Insistiram na exploração porque as informações asseguravam a existência de petróleo. E eles chegaram até lá. É um investimento de risco, mas também temos informações da existência de reservas minerais (em locais inóspitos, perigosos ou de difícil acesso)?, observou.
A mineração do futuro e as novas tecnologias foi o tema do debate realizado ontem pela Vale, em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), no Parque Metalúrgico da universidade. Participaram do encontro estudantes, docentes e pesquisadores.
Foram discutidas as possibilidades de desenvolvimento de tecnologias para sistemas robóticos com altos níveis de autonomia e suas implicações para ambientes de trabalho de alto risco. O pesquisador Albert Alfes apresentou o tema ?Novas oportunidades para operação em ambientes inacessíveis ou inóspitos para seres humanos?.
Funcionário da Nasa integra projeto
O pesquisador Albert Alfes, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, integra o grupo de pesquisadores que desenvolveu os robôs que estão colhendo informações em Marte. Embora esteja acostumado a trabalhar com automação robótica espacial, o desafio de desenvolver tecnologias para explorar ambientes terrestres de difícil acesso não foi abandonado, pelo contrário.
Uma série de estudos do pesquisador geraram ferramentas (algumas já disponíveis, outras em fase de testes ou desenvolvimento) com aplicação para a mineração e mesmo segurança nacional. Preparados para operar em regiões contaminadas por radiação, resíduos químicos ou biológicos, os veículos robóticos têm sido utilizados para explorar desertos, montanhas e profundezas marinhas, além da superfícies de outros planetas.
Projeto ainda embrionário, os dirigíveis autônomos, poderiam sobrevoar áreas para realizar sondagens geológicas e estudar a biodiversidade de locais onde o homem ainda é incapaz de chegar. Diferente do Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), já utilizado pelo Exército para monitoramento de fronteira e também pela Cemig para identificação de defeitos da rede de energia, o dirigível tem grande autonomia de voo, que pode chegar a semanas. Outra diferença é que o dirigível utiliza o gás Hélio para voar e, por isso, não necessita de tanta energia e combustível para deslocamento como o Vant.
Outra característica é que ele fica praticamente parado no ar. Os sensores podem transmitir as informações para o dirigível que estará próximo, o que não seria possível com o Vant, que teria que circular a área e longe da superfície. Ele trabalha também com o desenvolvimento de equipamento parecidos, mas que farão o reconhecimento e recolhimento de informações por vias terrestres e aquáticas. A operação autônoma de equipamentos como escavadeiras, por meio da utilização de robôs, embora ainda não seja muito comum, já é uma tecnologia disponível e utilizada por algumas mineradoras.
O transporte de minério dentro das minas, próximo as operações, onde existe risco maior de acidentes, é outra solução estudada pelo pesquisador.
Hoje em Dia