Vale investe mais no próximo ano
13/12/2011
O crescimento orgânico, com foco em projetos já aprovados pelo conselho de administração, prevalecerá na destinação dos investimentos da Vale em 2012. A segunda maior mineradora do mundo aprovou um pacote de US$ 21,4 bilhões, dos quais US$ 12,9 bilhões serão direcionados para a execução de projetos em 2012. Outras duas fatias menores irrigarão as operações existentes – US$ 6,1 bilhões – e a área de pesquisa e desenvolvimento – US$ 2,4 bilhões.
Entre os principais projetos previstos para o próximo ano destaca-se o início da expansão de Moatize, em Moçambique, que dobrará a capacidade de produção, atingindo 22 milhões de toneladas anuais de minério de ferro. Os investimentos também contemplam o desenvolvimento do projeto Carajás Serra Sul, com a mina S11D, que produzirá 90 milhões de toneladas anuais de minério de ferro a um custo de US$ 8,1 bilhões, dos quais US$ 794 milhões serão injetados em 2012.
A mina deverá ficar pronta no segundo semestre de 2016, enquanto a logística estará finalizada no primeiro semestre de 2017. O projeto no Pará inclui a revitalização da ferrovia e do terminal marítimo no Maranhão ao custo de US$ 11,4 bilhões, dos quais US$ 321 milhões serão desembolsados também no próximo ano.
O projeto de minério de ferro Serra Sul foi adiado em dois anos devido a dificuldades na obtenção de licenciamento ambiental. O total de investimentos previsto para 2012 ficará acima dos US$ 19 bilhões de fato aplicados em 2011- contra uma previsão inicial de US$ 24 bilhões. Para o diretor de finanças da Vale, Tito Martins, a empresa também estará atenta às “boas oportunidades”. O executivo não descarta a possibilidade de aquisições. “Basta que elas se encaixem no nosso portfólio e na nossa intenção de crescimento”, afirma.
Dos US$ 2,4 bilhões que serão empregados em pesquisa e desenvolvimento, US$ 918 milhões irão financiar o programa global de exploração mineral, que compreende iniciativas nas Américas, África, Ásia e Austrália. O objetivo da Vale é desenvolver as reservas de minério de ferro e níquel, e explorar oportunidades em cobre, carvão, e potássio e rocha fosfática.
Atrasos na obtenção de licenciamento ambiental têm afetado diretamente a execução dos projetos da mineradora, de acordo com nota explicativa. A empresa informa que está tomando medidas para melhorar a eficiência desses processos, como o desenvolvimento de um Guia de Melhores Práticas para Licenciamento Ambiental e o Meio Ambiente e a montagem de equipes de especialistas para aumentar a interação com as agências ambientais.
No mesmo comunicado, a Vale explica que “em consequência dessas dificuldades, os orçamentos dos projetos e a data de início da operação podem ser revistos”. Segundo a empresa, é também por conta desses atrasos que o orçamento de US$ 24 bilhões aprovado para investimentos este ano foi revisto para baixo e deverá ficar em US$ 19 bilhões. A valorização do real em relação ao dólar causou um impacto negativo de US$ 2,191 bilhões nas contas da empresa no terceiro trimestre.
Valor Econômico