NOTÍCIAS

Vale garante verticalização do alumínio

Notícias Gerais

23/05/2010


O Pará só tem a ganhar com a transferência das participações da Vale na Albras, na Alunorte e na Companhia de Alumina do Pará (CAP) para a multinacional norueguesa Norsk Hydro. Quem garante é presidente da mineradora, Roger Agnelli, ao rebater as críticas de que a transação, envolvendo US$ 1,1 bilhão em dinheiro e 22% de ações ordinárias da Hydro, teria selado o fim do alardeado sonho dos estrategistas paraenses de verticalizar a produção de alumínio no Estado.
;
“Muito pelo contrário, posso afirmar que esse é o começo da verticalização. A indústria do mundo inteiro se integrou: bauxita, alumina e alumínio. Hoje, os grandes produtores de alumínio no mundo são integrados. Se você ficar exposto, por exemplo, na produção de alumina sem ter o consumo garantido, o seu risco aumenta fortemente. E estávamos encurralados, quer dizer, uma produção grande de alumina, enquanto a indústria, os concorrentes e os consumidores estão se integrando na cadeia inteira (bauxita, alumina e alumínio). A Vale poderia ficar na posição de não ter aonde vender a alumina. E a Norsk Hydro sempre foi um grande cliente de alumina. Essa integração, representa a integração total da cadeia”, afimou Agnelli com exclusividade a O LIBERAL.
;
Segundo Agnelli, a decisão não se deve somente à oferta do principal insumo, mas também ao preço dele. O grande gargalo da planta de alumínio é que a energia elétrica é cara e sobre ela incidem impostos, encargos e tarifas que oneram ainda mais o valor. “A questão toda é o custo de energia. Com esse custo que temos hoje, é absolutamente inviável fazer qualquer novo projeto de alumínio no Brasil. Não dá mesmo. Porque em outros países a energia está bem mais barata que no Brasil. A Noruega tem energia bem barata. Essa integração com a Norsk Hydro vai permitir que se continue investindo na produção de alumina, que necessariamente vai ter que aumentar a produção de bauxita e alumínio”, disse.
De acordo com dados da Vale, o gasto com energia elétrica pela Albras atingem hoje US$ 26 milhões ao mês. São US$ 675 gastos com energia para uma tonelada de lingote de alumínio primário produzido na planta industrial de Barcarena. A Vale paga atualmente US$ 45 por megawatts/hora e somente a Albras tem uma demanda de 800 megawatts para suprir a necessidade de produção.
COMPENSAÇÃO
Críticas ao negócio que envolveu bilhões partiram sobretudo do meio político, questionando-se a relação de exploração mineral do solo paraense e a compensação deixada ao Estado. Da tribuna da Câmara, o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) expresseu seu receio sobre o fim da verticalização da produção de alumínio, a partir das declarações do recém-nomeado vice-presidente executivo da Área de Negócios para Bauxita e Alumina da Hydro, Johnny Undeli, de que “o vetor de todo o arranjo” é garantir matéria-prima (para fábricas da empresa em vários países) “para os próximos 100 anos”.
;
“A Vale, ao vender a cadeia do alumínio à Norsk Hydro, está entregando matéria-prima para ser beneficiada alhures. Sai de fininho da pressão e vende para noruegueses o produto primário para gerar empregos na indústria norueguesa ao povo viking”, protestou o deputado.
;
Em resposta às criticas, Roger Agnelli reforçou que o negócio foi a solução para tornar viável o desenvolvimento da cadeia produtiva do alumínio no Pará. “A verticalização, por si, não quer dizer nada, absolutamente nada. Tem que verticalizar, mas desde que tenha economicidade. Eu sempre repito: a maior agregação de valor que tem é você tirar da terra o minério, o níquel, o cobre…
;
Porque, enquanto estiver na montanha, não vale nada; aí você tem que aplicar tecnologia pra criar valor, aí você sai do zero para alguma coisa. Isso é uma agregação de valor infinita”, explicou o presidente da Vale.
;

O Liberal


Compartilhe:

Assine nossa newsletter e fique por dentro das últimas notícias do setor INSCREVER