Vale formaliza parceria com a Posco no Ceará
05/11/2010
Grupo sul-coreano terá uma participação de 20% na usina siderúrgica do Pecém, na qual a Vale detém 50%
A Vale formalizou ontem a entrada do grupo sul-coreano Posco em seu projeto siderúrgico no Ceará, e indicou que pretende incentivar novas parcerias no setor para aumentar a produção de aço no País. Um recado que deve ser bem visto pelo novo governo. Em 2009, a mineradora comandada por Roger Agnelli foi alvo de pesadas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou mais investimentos da Vale nesse setor.
O armistício entre Lula e o presidente da mineradora veio empacotado em um orçamento recorde de US$ 12,9 bilhões para 2010, que incluía o desenvolvimento de todos os quatro projetos siderúrgicos na pauta da empresa. Para 2011 o valor dos investimentos da mineradora é ainda maior: US$ 24 bilhões.
Prometida desde 2005, a Companhia Siderúrgica do Pecém, orçada em cerca de US$ 4 bilhões, já passou por reviravoltas que vão desde mudanças de sócios até de tecnologia.
Originalmente, a Vale teria papel minoritário na composição da nova siderúrgica. Mas, pelo desenho final anunciado, a mineradora brasileira será a maior acionista, com 50% do capital. O grupo Dongkuk, também da Coreia do Sul, ficou com 30% do projeto, e a Posco, com 20%.
De acordo com o presidente da Vale, a entrada de um novo sócio no empreendimento reforça o interesse dos investidores estrangeiros em projetos no Brasil. “Entendemos que o Brasil é o melhor lugar para se produzir aço. Por isso, temos estimulado parcerias com nossos clientes para aumentar a produção no País”, afirmou Roger Agnelli.
Para o diretor de siderurgia da Vale, Aristides Corbeline, a participação da Posco é estratégica ao desenvolvimento do projeto. “A entrada deste novo sócio agrega ainda mais valor, pois contaremos com a tecnologia e experiência operacional da Posco em usinas siderúrgicas integradas de grande porte”, ressaltou. A Posco, com 31,1 milhões de toneladas de aço produzidas em 2009, é o terceiro maior grupo siderúrgico do mundo, atrás apenas da ArcelorMittal e da chinesa Baosteel.
Mercado externo. A Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará, será uma usina integrada voltada para exportação de placas de aço com capacidade para produzir três milhões de toneladas em 2014, volume que poderá ser dobrado em uma segundo fase. Segundo a Vale, a obra, iniciada em dezembro do ano passado, está agora em estágio de terraplenagem.
A Vale tem participação em projetos para a construção de quatro siderúrgicas, que preveem investimentos totais de US$ 21 bilhões. Além da CSP, a mineradora brasileira tem em seu plano estratégico outros três projetos siderúrgicos: a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio; a Companhia Siderúrgica de Vitória, no Espírito Santo; e a Aços Laminados do Pará (Alpa).
Inicialmente, a usina no Ceará previa subsídio da Petrobrás no fornecimento do gás, que seria usado tanto como energia como no processo de produção do aço. Com a escassez do gás em 2007, a Petrobrás desistiu do projeto, que acabou sendo bastante modificado.
Na época, os controladores da siderúrgica diziam que a indústria só era viável no Ceará caso houvesse o subsídio do gás. Segundo a Vale, a escolha do Estado para o projeto teve como pano de fundo a localização favorável à exportação e facilidades logísticas.
O Estado de São Paulo