Vale fecha 2010 como a ação mais recomendada em 2010
09/12/2010
SÃO PAULO – Repetindo o resultado visto em todos os outros meses de 2010, a Vale (VALE5) manteve a liderança nas carteiras recomendadas em dezembro. Logo atrás, aparece a Petrobras (PETR4), que conseguiu manter a posição alcançada em novembro. Completando o pódio, está a OGX (OGXP3), que subiu um degrau em relação ao mês passado.
Ao todo, 29 carteiras de bancos e corretoras foram utilizadas para este levantamento. Os portfólios selecionados foram: Ágora, Ativa, Banif, BB Investimentos, Bradesco Corretora, Brascan, BTG Pactual, Citi, Coin, Fator, HSBC, Itaú, Link Investimentos, Magliano (2 carteiras), Omar Camargo (2 carteiras), PAX, Planner, Safra, SLW (3 carteiras), Socopa, Souza Barros, Spinelli, TOV, Win e XP.
Entre todas as carteiras publicadas pela InfoMoney em dezembro, nesta compilação apenas não foram considerados os portfólios com sugestões de ações que tenham perspectiva de pagamento de proventos.
Vale: soberania em 2010Os ativos preferenciais classe A da Vale (VALE5) seguem como preferidos dos analistas para dezembro, com 19 recomendações nas 29 carteiras compiladas. Em novembro, a mineradora havia conquistado 20 recomendações entre 29 carteiras compiladas. Cabe ressaltar ainda que os papéis ordinários da companhia (VALE3) também foram lembrados, tendo recebido duas recomendações nesse mês – no mês anterior, eles receberam uma única indicação.
E motivos não faltam para os analistas manterem-se otimistas. Além dos fortes resultados do terceiro trimestre – cujos números surpreenderam os mercados e indicaram o maior lucro líquido da história da empresa -, o mercado de minério de ferro continua aquecido, o que poderá ajudar a companhia a seguir o momentum positivo, trazendo mais performances robustas nos meses a seguir.
“O cenário para a Vale mostra-se muito positivo para 2010, considerando que o preço do minério de ferro passa a refletir o preço do mercado à vista a cada trimestre”, disse a SLW, utilizando esse argumento não só para justificar o bom desempenho da empresa nos últimos meses como também para projetar novos resultados significativos nos próximos trimestres.
Já a equipe da Brascan acredita que, mesmo com um possível aperto monetário na China, um dos principais destinos das vendas da Vale no mundo, isso não é um fator tão preocupante, tendo em vista que as cotações do minério de ferro no mercado internacional “encontram-se em um dos patamares mais elevados do ano, de US$ 170 por tonelada”. De acordo com os analistas da corretora, esses patamres atuais podem se traduzir em um reajuste de 7% e 9% nos preços adotados pela mineradora no primeiro quarto de 2011.
Enquanto isso, a Planner Corretora afirma que, embora espera uma “acomodação” no quarto trimestre da Vale, recomenda a manutenção do ativo em carteira, tendo em vista sua exposição ao mercado chinês. Outra que também espera números mais modestos no final desse ano, a Ativa segue muito otimista com o setor de mineração em 2011, “na medida em que se espera a continuidade da robusta demanda asiática pela commodity, associado à restrição de elevação da capacidade de produção de minério nos próximos 3 anos, o que deverá sustentar o preço deste produto em patamares elevados neste período”.
Um ponto também muito comentado nos relatórios de research refere-se às ações da Vale, que têm se mostrado subavaliadas. “O valuation da empresa continua bastante atrativo, com múltiplo EV/Ebitda 2010 de 4,5 vezes, um desconto de 16% em relação aos seus pares globais”, afirma o time de análise do Safra.
Petrobras: “rali de final de ano” garante apostaAssim como no mês passado, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) terminaram dezembro na segunda posição entre as ações mais recomendadas, tendo sido lembrada em 15 das 29 carteiras de bancos e corretoras levantadas pela InfoMoney. No mês anterior, dos 29 portfólios compilados, a estatal ocupava espaço em 14 deles.
Fortemente penalizadas em 2010, sobretudo por conta das indefinições que cercaram o processo de capitalização, os papéis da estatal ainda não têm sido vistos com tanto otimismo por parte dos analistas, apesar da segunda colocação sendo mantida em dezembro. “Em dezembro esperamos mais um mês de volatilidade e ainda muito dependente do cenário externo, que não agrada”, afirma a SLW em seu relatório.
Contudo, o time de análise da corretora chama atenção para o chamado “rali de final de ano”, já que nessa época o Ibovespa registra com maior frequência resultados positivos e, por conta dos patamares atuais das ações da Petrobras, pode indicar uma boa oportunidade de entrada nesse investimento.
O fluxo de notícias também pode vir a funcionar como um “driver” para os papéis da petrolífera em dezembro. Segundo a Ativa, são esperadas ao final de dezembro novidades referentes à definição de comercialidade de Tupi, além dos dados de reservas provadas, que serão divulgados em meados de janeiro. “Com isto e pela forte queda apresentada nas ações da estatal em 2010, estamos elevando em 2 pontos percentuais a participação da Petrobras na carteira Ativa”, afirma a corretora.
Os analistas do Safra argumentam que, embora as ações da companhia continuem negociadas com prêmios relativamente altos perante seus pares globais, o perfil de crescimento da companhia ainda mostra-se muito interessante. Assim como a Ativa, eles esperam que as novidades sobre Tupi possam servir de catalisador para esses papéis em dezembro.
OGX completa o pódioSubindo uma posição em relação ao mês passado, a OGX (OGXP3) ficou na terceira colocação no último mês do ano, recebendo 11 recomendações. Em novembro, os papéis da petrolífera de Eike Batista receberam as mesmas 11 indicações, enquanto que o Itaú Unibanco (ITUB4), terceiro colocado no mês anterior, viu as indicações para suas ações PN diminuírem de 12 para 10.
No último mês, os ativos da empresa acumularam perdas em torno de 10%, o que, na avaliação do Safra, abre uma boa oportunidade de entrada. Além disso, há a questão envolvendo o “farm-out” (venda de ativos para uma empresa do mesmo setor) envolvendo a venda de participação de um dos blocos da Bacia de Campos.
Outro ponto muito comentado refere-se às suas frequentes descobertas de hidrocarbonetos na grande maioria dos poços em que opera, que deverão passar do atual estágio pré-operacional para se tornarem negócios mensuráveis. “A excelente taxa de sucesso e a monetização de cerca de 20% das suas reservas, prevista para o primeiro trimestre de 2011, são fatores que podem beneficiar suas ações”, acreditam os analistas da Planner.
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