Vale diz que preço para 3o tri já foi levado a clientes
02/06/2010
A Vale já fechou os contratos de preço para o minério de ferro no terceiro trimestre deste ano e apresentou a seus clientes, afirmou na terça-feira o diretor de Ferrosos da mineradora, José Carlos Martins.
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Em uma entrevista à imprensa em Xangai, Martins recusou-se a dar mais detalhes sobre os preços oferecidos para o período entre julho e setembro, mas afirmou que eles representam uma média entre março e maio.
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Entretanto, ele demonstrou preocupação de que as siderúrgicas chinesas possam descumprir contratos de compra de minério de ferro se os preços da commodity no mercado à vista caírem abaixo dos valores definidos trimestralmente.
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“É uma possibilidade, mas espero que elas não façam isso porque temos contratos, temos um compromisso de longo prazo, e um compromisso de longo prazo tem de valer para ambos os lados”, afirmou o executivo a jornalistas.
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A agência de notícias Interfax publicou recentemente que a Vale estava pedindo um aumento de 23 por cento no preço do minério de ferro para o terceiro trimestre, elevando o valor da commodity para 160 dólares a tonelada ante um preço atual no mercado a vista de 150 dólares.
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No fim de semana, o jornal O Estado de S.Paulo informou que a Vale vai aumentar em julho o preço do minério de ferro em cerca de 35 por cento, para até 145 dólares por tonelada, devido à adoção do sistema de precificação trimestral.
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A empresa não comentou nenhuma das notícias.
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As siderúrgicas chinesas foram acusadas de descumprir contratos anuais no segundo semestre de 2008, quando os preços no mercado à vista recuaram abaixo dos valores definidos em contratos benchmark, pela primeira vez, como resultado da crise financeira internacional.
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O fracasso na manutenção dos contratos foi decorrente do colapso no sistema anual de definição de preços do minério de ferro, pelo qual as siderúrgicas negociam um preço válido para todo o ano com as mineradoras, substituído por um ajuste trimestral de acordo com o mercado.
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MERCADO DINÂMICO
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A Vale já substituiu o preço referencial anual por um mecanismo com base em índices em que os preços mudam a cada três meses, provocando reclamações de siderúrgicas chinesas sobre o controle da indústria exercido por Vale e pelas australianas Rio Tinto e BHP Billiton, que controlam juntas cerca de três quartos do mercado internacional global de minério de ferro.
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Mas o presidente da Vale, Roger Agnelli, falando na mesma conferência, insistiu que a oferta e demanda são no final os responsáveis pela alta do preço.
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“A Vale não está determinando os preços –quem está determinando os preços é o mercado”, disse ele, acrescentando que o método de benchmark foi enfraquecido pelas mudanças no mercado.
“O mercado é tão dinâmico que ninguém foi capaz de continuar com o sistema de benchmark”, complementou.
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Martins explicou que os clientes têm liberdade para escolher o índice que preferem usar no sistema de preços trimestrais.
Ele afirmou que no longo prazo os preços do minério de ferro deverão ser determinados por forças do mercado de oferta e demanda, como acontece com outras commodities.
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“Ninguém discute preços da soja, alumínio e cobre –se você quer comprar, você compra. No longo prazo, os preços do minério de ferro serão fixados da mesma maneira”.
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Os embarques de minério para a China devem permanecer em cerca de 140 milhões de toneladas neste ano, o mesmo que em 2009, completou Martins, afirmando que a empresa está agora trabalhando no restabelecimento da produção para sua capacidade total de 300 milhões de toneladas.
“De fato, durante este ano muitos outros mercados estão crescendo mais rápido (que a China)”, disse ele, explicando que compradores de outros mercados estão competindo com os clientes chineses pela oferta.
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As importações chinesas de minério de ferro saltaram com força no ano passado, mesmo depois de a crise econômica global ter afetado os mercados de aço na Europa, Japão e Estados Unidos, subindo 41,57 por cento, para 627,78 milhões de toneladas.
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As importações somente do Brasil saltaram 22 por cento nos primeiros quatro meses de 2010, alcançando 42,9 milhões de toneladas –um quinto do total da China.
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“Na Vale, rezamos pela China todos os dias”, disse Agnelli.
Reuters