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Vale deve partir para outras fusões após fim de negócio com Xstrata

Notícias Gerais

26/03/2008


O fim da negociação da Vale do Rio Doce com a mineradora anglo-suíça Xstrata não deve impedir a brasileira a voltar a negociar com outras empresas, segundo analistas. A compra da Xstrata, avaliada em US$ 90 bilhões, não ocorreu por falta de acordo, segundo informou a Vale em comunicado nesta terça-feira.
O economista e analista do setor de minério da Tendência, Bruno Rocha, afirmou que a Vale deve partir para outros negócios tão logo tenha oportunidade. “As fusões e aquisições vão continuar nesse setor nos próximos anos. A tendência é de consolidação do mercado”, afirmou.
Rocha também acredita que a negativa da Xstrata não vai impedir o crescimento da Vale. “Há um aumento de demanda pelos produtos da Vale e isso a fará investir e por isso vai crescer. Por outro lado, pode haver novas fusões e aquisições”, afirmou.
Antes mesmo do negócio fracassar, o presidente da Vale, Roger Agnelli, havia afirmado que, mesmo sem a Xstrata, a companhia não desistiria de se tornar a primeira do mercado de mineração. Atualmente a Vale é líder em minério de ferro, mas a liderança geral é ocupada pela BHP Billiton, que já fez oferta para a comprar a Rio Tinto.
No comunicado em que anuncia o fim do negócio, a Vale informou que, de acordo com regra do Reino Unido, a empresa brasileira “se reserva o direito de anunciar uma oferta ou possível oferta” dentro dos próximos seis meses “caso haja uma recomendação positiva ou acordo com o Conselho de Administração da Xstrata”.
A prerrogativa também é válida caso haja “um anúncio de possível oferta ou firme intenção de uma oferta por terceiros pela Xstrata ou a Xstrata anuncie que recebeu uma proposta ou foi consultada por uma terceira parte para uma possível proposta”.
Dificuldades
Roger Agnelli, presidente da Vale, já havia afirmado há cerca de um mês que havia muitas dificuldades para a concretização do negócio. À época ele destacou que os problemas não eram pequenos, e que iriam desde aspectos financeiros até a combinação de projetos. “Tem um limite, e nesse limite nós já chegamos. Agora é questão de eles decidirem o que querem fazer”, disse à época.
O negócio chegou a ser avaliado em cerca de US$ 90 bilhões, que seriam pagos pela Vale à Xstrata, dos quais US$ 30 bilhões seriam em ações preferenciais da mineradora brasileira. O governo reagiu à proposta por temer que ela pudessa colocar, no futuro, a mineradora brasileira em poder de estrangeiros.
A Vale foi privatizada em 1997 e o governo tem ingerência nas decisões do conselho da Vale através do BNDESPar –braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Previ –fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil– fazem parte do bloco controlador da Vale.

Folha Online


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