Vale declara força maior nos embarques de minério
12/01/2012
A Vale informou ontem que está declarando “força maior” em uma série de contratos de minério de ferro a partir de hoje. Por causa das chuvas na Região Sudeste, a empresa não tem conseguido cumprir esses contratos.
“Estamos entrando em contato com os clientes conforme os termos dos respectivos contratos. A forte chuva desde meados de dezembro de 2011 nos estados de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e Espírito Santo criou dificuldades paras nossas operações nos Sistemas Sul e Sudeste. Diversas áreas desses Estados estão inundadas e os governos locais declararam estado de emergência em vários municípios”, afirma fato relevante divulgado ela empresa.
Até o momento, a Vale estima uma perda de 2 milhões de toneladas métricas nos embarques de minério de ferro.
Preços. Segundo analistas, o período de fortes chuvas em Minas Gerais deve impactar diretamente a oferta mundial de minério de ferro. Com a produção e a qualidade do minério comprometidas em algumas regiões, a perspectiva é de que os preços voltem a subir neste início de ano. O fenômeno climático deve contribuir para uma recuperação parcial dos preços, que pode chegar a 8% de alta neste trimestre.
Minas Gerais concentra quase 70% do volume de produção de minério de ferro no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Da produção total de minério da Vale nos noves primeiros meses de 2011, por exemplo, os sistemas Sul e Sudeste foram responsáveis por mais de 60% do total produzido pela mineradora no período. Além da Vale, toda a produção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está localizada no Estado: a mina Casa de Pedra fica no município de Congonhas e a Namisa no Quadrilátero Ferrífero. A MMX também produz em Minas no Sistema Sudeste.
O volume de chuvas neste verão está maior e deverá prosseguir com força no Estado de Minas Gerais.
Segundo o agrometeorologista da Somar Meteorologia, Marco Antonio dos Santos, as chuvas mais fortes este ano são explicadas pelo fenômeno climático La Niña.”Em verões em anos de La Niña os efeitos recaem na região central do Brasil. Os volumes acumulados estão muito grandes, principalmente na região metropolitana de Belo Horizonte”, disse o especialista.
O Estado de São Paulo