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Vale continua otimista com demanda por minério de ferro

Notícias Gerais

29/11/2011


RIO – A Vale continua otimista com a demanda por minério de ferro no futuro, embora admita a existência de volatilidade no curto prazo. Para o diretor executivo de minério de ferro e estratégia da mineradora, José Carlos Martins, a volatilidade deverá continuar até o Ano Novo chinês, no fim de janeiro.
;”Estamos otimistas em relação ao futuro dos mercados de commodities e também de minério de ferro. Mas no curto prazo temos alguma volatilidade no mercado e essa volatilidade é causada principalmente pelo aumento do fornecimento por Brasil, Austrália e África do Sul, combinado com um aperto de crédito na China e também com uma demanda mais fraca na Europa e nos Estados Unidos”, frisou Martins, que participa do Vale Day, na Bolsa de Nova York. “Essa combinação criou uma situação em que os preços caíram significativamente nos últimos meses”, acrescentou.;
O executivo lembrou que o preço médio da tonelada de minério de ferro no mercado à vista chinês ficou em torno de US$ 175 por cerca de um ano. Nos últimos dois meses caiu para US$ 116, voltou para US$ 150 e agora gira em torno de US$ 135. Segundo ele, a elasticidade do preço das importações no mercado da China é muito grande e o recuo dos preços contribui para um aumento nas quantidades compradas do exterior, o que “mantém o mercado transoceânico estável, apesar do preço mais baixo”.
;Martins ressaltou que atualmente a Vale tem ainda uma frota de cerca de 100 navios trabalhando para ela, dos quais 30% são próprios, 40% são contratados por longo prazo e o restante é contratado diariamente, o que contribui para reduzir o valor dos fretes. Durante a crise de 2008, a companhia foi apanhada em um momento em que realizava suas vendas no modelo FOB, no qual navios contratados por clientes embarcavam o minério nos terminais da empresa e faziam o carregamento até os clientes.
;”Quando o [preço] spot caiu muito, grande parte dos nossos clientes deixou de mandar navios para captar nosso minério. Tivemos que reduzir produção porque não havia para onde embarcar o minério”, lembrou Martins.
;Hoje, segundo ele, há uma proposta mais flexível, onde o único ponto do qual a empresa não abre mão é de uma precificação que considere as condições de oferta e demanda do mercado.
;”Desde que usemos o preço de mercado, abrimos para os nossos clientes a possibilidade de o preço ser trimestral, mensal ou diário”, disse Martins. “Não queremos impor nenhum tipo de sistema de preços, mas queremos dividir com nossos clientes o que for melhor para os dois lados. E trabalhamos duro nisso”, acrescentou, destacando que atualmente 35% das vendas de minério de ferro da Vale são baseadas no uso da frota contratada, com a entrega direta aos clientes.
;”Hoje, se há qualquer problema e os clientes não mandam navios, estamos aptos a carregar nossos navios e entregar minério para o mercado a preços de mercado”, explicou o executivo. “Dada a longa distância entre Brasil e China, é claro que devemos ter uma política de frete mais forte e mais compreensível. Estamos distantes da Ásia, três vezes mais que o nosso principal competidor. A política de frete é muito importante no longo prazo para a Vale”.
;Martins ponderou ainda que atualmente cerca de 20% das vendas da mineradora tem como base o sistema trimestral de preços, que considera a média do mercado spot chinês. “O restante está sob negociação”, frisou.

Valor Econômico


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