Vale busca ações para aumentar investimento em pesquisa
09/04/2010
Mineradora se inspira na Petrobras para formar novo modelo de relacionamento com instituições de pesquisa. Vale vai inaugurar três centros de pesquisa em diferentes estados brasileiros
A mineradora Vale vai inaugurar três centros de pesquisa no Brasil. Segundo o diretor do Departamento do Instituto Tecnológico Vale (ITV), Luiz Eugênio Mello, a empresa construirá unidades em Belém (PA), Ouro Preto (MG) e São José dos Campos (SP).
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A ideia é que as unidades do ITV atuem em pesquisa, contratando pesquisadores, e em ensino, desenvolvendo cursos de pós-graduação stricto sensu.
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“A Vale quer formatar um novo modelo de interação com as universidades”, acrescentou Mello, que proferiu palestra sobre setores econômicos e inovação durante seminário preparatório para a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (4ª CNCTI), nesta segunda-feira (05/04), na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio.
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Em sua fala, Mello reconheceu que os investimentos da mineradora em pesquisa e desenvolvimento são avessos ao risco, como é tradição entre as empresas brasileiras. Embora tenha sugerido a falta de incentivos aos investimentos das grandes companhias por meio de recursos públicos como um dos motivos para essa tradição nacional, o executivo da Vale discorreu sobre as iniciativas da multinacional para reverter esse quadro.
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Segundo Mello, desde a privatização da empresa, em 1997, a Vale descentralizou seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento, deslocando-os para cada uma de suas unidades de negócios. A decisão acabou por gerar perdas de sinergia e, desde 2003, a companhia busca formas de promover um alinhamento estratégico para as iniciativas descentralizadas. A criação do ITV é o mais recente desses movimentos.
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Além do investimento nas unidades do ITV e das mudanças na estrutura organizacional da empresa, Mello citou as parcerias com as fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs) e universidades como ações da Vale para aumentar seu foco em tecnologia.
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Recentemente, a empresa lançou edital de apoio a projetos de pesquisa de seu interesse (sobretudo nas áreas de mineração, energia e logística), em parceria com as FAPs de São Paulo (Fapesp), Pará (Fapespa) e Minas Gerais (Fapemig). A chamada distribuirá R$ 120 milhões – R$ 72 milhões sairão dos cofres da mineradora.
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Já em termos de interação com as universidades, a inspiração é a Petrobras, de acordo com Mello. Para formatar um novo modelo de interação com as universidades, conforme sugeriu o executivo, a ideia é “em vez de comprar serviços tecnológicos, buscar parcerias com as instituições” de ensino e pesquisa.
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O modelo da Petrobras também foi tema dos debates do seminário desta segunda-feira. Segundo Carlos Tadeu Fraga, gerente executivo do Cenpes, centro de pesquisa da estatal, o sucesso empresarial da Petrobras “está suportado em competências tecnológicas, na aplicação do conhecimento”. Para isso, a empresa investe em infraestrutura de pesquisa. “Mas a construção da capacidade local de pesquisa da Petrobras vai além do Cenpes e inclui universidades e fornecedores”, disse Fraga.
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O Cenpes, localizado no campus da Ilha do Fundão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é atualmente um dos cinco maiores centros de pesquisa em petróleo e gás no mundo. De acordo com Fraga, após a duplicação atualmente em curso, o centro será o segundo maior. Nele, trabalham hoje 1,6 mil funcionários, 800 deles pesquisadores. Do corpo de empregados, 24% têm doutorado, 48% têm mestrado e 29% têm apenas graduação.
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Apesar da importância do Cenpes, o executivo da Petrobras destacou que a área laboratorial da empresa em instituições parceiras é quatro vezes maior do que a localizada no centro carioca. A empresa mantém pesquisas em laboratórios de instituições de todo o País, sobretudo em localidades próximas a suas unidades.
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O desafio agora, segundo Fraga, é estender o formato de parcerias tecnológicas aos fornecedores. “Não queremos mais relacionamentos estritamente comerciais”, afirmou o executivo, citando o caso de três grandes fornecedores da empresa com centros de pesquisa instalados também no campus da UFRJ.
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Numa visão de futuro dos rumos da companhia – com vistas à grande oportunidade de explorar petróleo e gás na camada pré-sal -, o desafio é induzir universidades estrangeiras a estabelecerem parcerias com as brasileiras e induzir os fornecedores a fazerem o mesmo com as instituições de pesquisa nacionais. “A CNCTI é um importante momento para rever políticas e articular mais parcerias”, completou Fraga.
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