Vaivém – Mauro Zafalon: Receitas com as exportações de commodities disparam
25/07/2011
As receitas brasileiras com commodities dispararam. Demanda mundial maior e elevação dos preços garantiram avanço de 59% nas receitas do primeiro primeiro semestre em relação a 2010.
As 26 maiores exportadoras de commodities do Brasil, incluindo mineração e agronegócio, venderam US$ 41 bilhões até junho, ante US$ 25,8 bilhões em 2010.
As mineradoras somaram US$ 23 bilhões, salto de 79%. Já as agrícolas obtiveram US$ 18 bilhões, com alta de 39%.
A Vale, líder do ranking, quase dobrou sua receita. Exportou US$ 15,1 bilhões, contra US$ 7,8 bilhões no primeiro semestre de 2010.
Com o bom desempenho do setor, o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) revisou para US$ 43 bilhões as exportações do ano, 22% mais do que em 2010.
Entre as commodities agrícolas, um dos destaques fica para as carnes. Apesar do dólar desvalorizado, as exportadoras tiveram a seu favor a valorização internacional do produto, que foi recorde.
A JBS exportou US$ 1,3 bilhão no semestre, com aumento de 126% em relação a igual período de 2010. A recuperação do setor, que vem ocorrendo desde 2009, somada ao maior volume e aos melhores preços, permitiram a evolução, afirma Jeremiah OCallaghan, diretor de relações com investidores.
O diretor da JBS diz que boa parte dessa evolução veio dos mercados do Oriente Médio, da Rússia e da Ásia.
Ricardo Florence dos Santos, diretor de planejamento e de relações com investidores da Marfrig, diz que esse comportamento das exportações é resultado também de melhorias internas. Apesar de ser um ano difícil, devido ao câmbio e à alta dos grãos, as empresas do grupo buscaram eficiência e sinergia. A diversidade do grupo em proteínas permite o aumento das exportações e a entrada em novos mercados, segundo ele.
A Seara Alimentos obteve receitas 72% maiores neste ano em relação ao primeiro semestre de 2010. Seara e Marfrig exportaram US$ 1,3 bilhão no primeiro semestre.
Outras duas gigantes do setor (Sadia e BRF Brasil Foods S.A.) tiveram evolução menor nas receitas neste ano (14% e 19%, respectivamente), mas somaram US$ 2,4 bilhões.
A Cosan Açúcar e Álcool exportou US$ 484 milhões no período e obteve o maior aumento percentual entre as empresas do setor: 605%.
A liderança em receitas no setor do agronegócio fica para as grandes tradings -Bunge, Cargill e ADM-, favorecidas pela safra recorde de grãos e pelos preços externos.
As empresas de papel e celulose também aumentaram suas receitas, mas com taxa inferior à média do setor.
O cenário para os próximos meses, principalmente no caso das carnes, continua favorável. Demanda, preços e o potencial brasileiro são decisivos na busca por novos mercados, avaliam Florence e OCallaghan.
;Rebanho Os Estados Unidos iniciaram o mês com rebanho de 100 milhões de cabeças de gado, 1% menos do que em 2010. O rebanho leiteiro subiu 1%, para 9,2 milhões de vacas.
;Confinamento Os dados de ontem do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicam também que o confinamento de gado é menor. Seca e custos forçam as vendas no setor.
;Quanto é O total de gado confinado recuou de 11,2 milhões de cabeças em maio para 10,9 milhões em junho. Agora, está em 10,4 milhões, 4% acima do total de julho de 2010.
;Pouca mudança Os preços do álcool ficaram estáveis nos postos de São Paulo. Nas usinas, tiveram pequeno reajuste.
;Valor Pesquisa do Cepea mostrou que o hidratado foi a R$ 1,137 por litro, com alta de 0,4%. O anidro subiu 0,5%, para R$ 1,296.
Folha de São Paulo