Uso do carvão para diesel atrai interesse de petrolifera
20/05/2008
Após anos de tentativas, a Petrobras acaba de confirmar interesse no projeto de gaseificação de carvão, que inclui o desenvolvimento de combustíveis líquidos derivados do mineral abundante no Rio Grande do Sul. Com 90% das reservas do país, o Estado poderá ser um dos beneficiados pelo processo, que será desenvolvido em Criciúma (SC), por iniciativa da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM). Um dos fatores cruciais para que a estatal se inclinasse em participar do desenvolvimento dessa tecnologia foi a alta do petróleo, avalia o presidente da ABCM, Fernando Zancan. Nas primeiras estimativas, o preço de venda final do gás resultante do novo processo poderá ficar entre US$ 6 e US$ 9 por milhão de BTUs (british thermal unit, medida de geração de calor). A Petrobras paga cerca de US$ 5,5 por milhão de BTUs pelo gás natural boliviano, incluído o transporte. O preço final não costuma ser revelado, mas ainda passa pelas distribuidoras estaduais, portanto se aproxima do valor estimado para o produzido com carvão. Além disso, o gás fornecido a esse preço tem limitação física – a Bolívia mal consegue manter o atual volume de suprimento. – O Sul do Brasil não tem gás. Ou recebe a terceira planta de regaseificação (de gás liquefeito, importado em navios) que Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão brigando para fazer ou tem de buscar alternativas domésticas para ter segurança energética e por uma questão de preço, já que a projeção é de que o barril chegue a US$ 250 em 2010 – argumenta Zancan.ABCM testará adoção de metano como combustívelA entidade planeja ainda desenvolver tecnologia que permite o uso do metano encontrado nas minas (hoje um risco para a mineração) como combustível. Segundo Zancan, nos Estados Unidos 10% da produção de gás vem do uso de metano nas camadas de carvão. O ponto de partida, explica é um estudo feito na década de 1980 que previa a gaseificação do carvão extraído na Mina do Leão, na Região Carbonífera do Estado.( marta.sfredo@zerohora.com.br )MARTA SFREDO