Usiminas faz investimento recorde de R$ 3,2 bilhões em 2010
29/10/2010
Reduzir custos e agregar valor: lucro líquido alcança a R$ 495 milhões no terceiro trimestre e cresce 14%
Diante do cenário adverso, marcado pelo aumento dos custos da matéria-prima e aumento da concorrência com as importações, a Usiminas tem investido para reduzir os seus custos e agregar valor aos seus produtos.
– Nosso foco atual é na redução de custos e aumento de produtividade para competir em nível internacional – ressaltou o diretor-presidente da companhia, Wilson Brumer, durante a teleconferência para a apresentação dos resultados.
O executivo também lembrou que a busca é não se tornar apenas auto-suficiente em minério de ferro, mas também em outros insumos, como carvão e energia elétrica. Os investimentos começam a gerar resultados e o custo de produtos vendidos no terceiro trimestre deste ano ficou em R$ 2,44 bilhões, contra R$ 2,76 bilhões no segundo trimestre e R$ 2,53 bilhões um ano antes.
Plano de investimentos – A empresa está executando um plano de investimentos de R$ 3,2 bilhões em 2010, recorde histórico de aportes da companhia em um único ano. A recente entrada em operação da nova coqueria na usina de Ipatinga, com investimento de R$ 707 milhões, é um importante projeto de redução de custos já implantado, tornando a usina auto-suficiente em coque.
Estão em andamento outros projetos em laminação e revestimento, que visam ampliar a atuação da Usiminas em mercados de maior valor agregado. Um desses investimentos é a instalação da tecnologia de resfriamento acelerado de chapas grossas da usina de Ipatinga. Com orçamento de R$ 539 milhões, o aporte irá permitir a fabricação de aços com alta resistência e soldabilidade, ideais para a aplicação nos projetos voltados para o pré-sal.
Tecnologia CLC – A Usiminas será a única siderúrgica fora do Japão a deter a tecnologia do CLC, que já está em fase préoperacionale será apresentado aos clientes em meados de novembro. Também na usina de Ipatinga está sendo instalada uma nova linha de galvanização a quente, que ampliará em 550 mil toneladas/ano a capacidade de produção do grupo. A nova unidade irá aumentar o fornecimento da empresa para mercados aquecidos como o de veículos automotores e linha branca. A previsão é de que a operação do equipamento tenha início no primeiro semestre de 2011.
Em Cubatão, a Usiminas está instalando, em sua usina, um novo laminador de tiras a quente com capacidade de produção de 2,3 milhões de toneladas/ano. Com as obras civis já em andamento, e os principais equipamentos em fase de fabricação, a previsão é de que a operação tenha início no segundo semestre de 2011, permitindo a ampliação da participação da companhia em mercados estratégicos no segmento industrial.
Outro investimento é a ampliação da Mineração Usiminas. O plano de expansão da subsidiária prevê investimentos de R$ 4,1 bilhões até 2015, que serão aplicados em projetos de instalações industriais, equipamentos, barragens e terminais de embarque, dentre outros. As minas produziram 5,5 milhões de toneladas de minério em 2009 e deverão fechar 2010 com 7 milhões de toneladas. O planejamento prevê a ampliação do volume extraído para 29 milhões de toneladas em 2015.
A Usiminas registrou vendas de 1,55 milhão de toneladas de aço de julho a setembro, ante 1,694 milhão um ano antes. Enquanto isso, a produção de aço bruto somou 1,953 milhão de toneladas, alta de 7%. Diante do cenário adverso, Brumer destacou que a tendência é de aumento das exportações, o que deve provocar comprimir as margens da companhia. No terceiro trimestre, a margem Ebitda ficou em 22,7%, apresentando queda de 1,6 ponto percentual em relação aos três meses anteriores.
A empresa já fechou exportações para o quarto trimestre 70% maiores que as registradas no terceiro. Entre julho e setembro, a siderúrgica destinou 315 mil toneladas ao mercado externo, cerca de 20% de suas vendas totais no período. O número ficou 18% abaixo do registrado no segundo trimestre, embora tenha sido verificado crescimento de 80% nos negócios com a Argentina e de 82% com a China.
Importação de aço – O crescimento das importações de aço é o principal desafio enfrentado pelas siderúrgicas brasileiras.
– Até setembro, foram importadas mais de 4 bilhões de toneladas de aço. Esperamos que este ano o volume atinja 5 bilhões de toneladas – disse Brumer.
– Levando em consideração todos os produtos importados que levam aço, o volume atingirá, 9 bilhões de toneladas, o que corresponde a produção de duas plantas da Usiminas. Este é um dos grandes riscos da cadeia produtiva – alertou o executivo ao citar que ao defender regras mais rígidas de importação para evitar que a haja a desindustrialização brasileira.
No terceiro trimestre, as vendas domésticas da Usiminas recuaram 14% em relação aos meses de abril a junho deste ano, para 1,2 milhão de toneladas.
– Estamos praticando descontos devido à grande oferta no mercado – disse Brumer. Segundo ele, estão sobrando 600 milhões de toneladas de aço no mercado.
De acordo com o presidente da Usiminas, o excesso de importação está evitando que a indústria siderúrgica brasileira seja beneficiada pelo crescimento econômico do país. O Brasil deve apresentar a terceira maior taxa de crescimento do PIB do mundo e o mercado brasileiro de aços planos deverá alcançar níveis recordes de crescimento, cerca de 40%, favorecido pelo bom desempenho de praticamente todos os setores industriais.
Entretanto, esse crescimento, sustentado pela demanda interna e associado à taxa de câmbio supervalorizada e à capacidade ociosa de aço no mundo, cria um cenário favorável às importações, o que afeta o crescimento da indústria como um todo, especialmente do setor siderúrgico. Na avaliação do presidente da Usiminas, o problema, não é apenas a valorização do real frente ao dólar, mas envolve ainda outras questões que tiram a competitividade das empresas locais, principalmente as de pequeno e médio porte. Entre os entraves citados, está a elevada carga tributária e a alta taxa de juros.
Mineração – De todas as unidades de negócios da Usiminas, a área produtora de minério de ferro teve o melhor desempenho em termos de margem Ebitda: 70% no terceiro trimestre após 72% nos três meses anteriores. No acumulado de janeiro a setembro a margem foi de 67%, 15 pontos percentuais a mais que há um ano.
A produção de minério de ferro da companhia, de 1,879 milhão de toneladas, cresceu 9% quando comparada à do segundo trimestre e 31% sobre o mesmo período de 2009. A empresa consumiu 1,196 milhão de toneladas e vendeu as 191 mil toneladas.
Expansão de 91% ao longo do ano
O lucro líquido da Usiminas atingiu a R$ 495 milhões no terceiro trimestre deste ano, crescimento de 14% perante os R$ 433 milhões somados em intervalo idêntico de 2009. O avanço de 43% no lucro entre o segundo trimestre e os três meses seguintes está relacionado aos ganhos cambiais refletidos nas despesas e receitas financeiras do período, compensando o menor volume de vendas verificado no trimestre. As vendas de produtos siderúrgicos recuaram 9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, totalizando 1,821 milhões de toneladas.
No acumulado de janeiro a setembro de 2010, o lucro alcançou R$ 1,171 bilhão, expansão de 91% em relação aos R$ 614 milhões apresentados em igual intervalo do ano passado.O ebitda apurado no terceiro trimestre de 2010 foi de R$ 735 milhões. No acumulado do ano até setembro, o indicador cresceu 160%, atingindo R$ 2,318 bilhões, ante R$ 892 milhões registrados em igual período do exercício passado. A margem alcançou 23,5% nos primeiros nove meses de 2010, frente 11,2% no mesmo intervalo de 2009.
A receita líquida do trimestre foi de R$ 3,241 bilhões. No acumulado entre janeiro e setembro de 2010, a receita líquida somou R$ 9,870 bilhões, ante R$ 7,940 bilhões apresentados em igual período do ano passado. Enquanto houve um menor volume vendido, a empresa afirma que aumentou seus preços médios em cerca de 3% sobre o período de abril a junho.
A produção de aço bruto nas usinas de Ipatinga (MG) e Cubatão (SP) no trimestre foi de 1,953 milhão de toneladas. No acumulado até setembro de 2010, a produção atingiu 5,710 milhões de toneladas, frente 3,794 milhões de toneladas nos mesmos nove meses de 2009. O resultado financeiro da companhia foi positivo em R$ 112 milhões, ante despesas financeiras líquidas no valor de R$ 129 milhões no segundo trimestre deste ano. Segundo a empresa, o resultado decorre, principalmente, da valorização de 6% do real ante o dólar no trimestre, ante a desvalorização de 1% ocorrida no segundo trimestre.
Monitor Mercantil