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Urânio: país pode quebrar monopólio

Notícias Gerais

08/05/2008


Autores: Gustavo Paul e Cristiane Jungblut – O Globo de 8/5/2008
BRASÍLIA. O governo estuda a entrada da iniciativa privada no processo de produção e enriquecimento de urânio, com vistas às futuras usinas e térmicas nucleares a serem construídas no Brasil. A flexibilização do histórico monopólio estatal do setor foi admitida ontem pela ministrachefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante o depoimento sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Comissão de Infra-estrutura do Senado.
A ministra alertou que o país precisará incrementar o parque gerador nuclear, pois entre 2020 e 2030 o atual modelo energético, baseado na geração hidrelétrica e nas térmicas a gás, óleo e carvão, estará próximo do esgotamento.
A entrada do capital privado neste ramo é uma demanda de grandes empresas de mineração, como a Vale, que vai investir na Austrália. O empresário Eike Batista, dono da holding EBX, também já disse querer explorar o minério. Há no mundo um mercado potencial de US$ 12 bilhões de compra e venda de urânio, ávido por fornecedores, mas o monopólio estatal impede a entrada das empresas privadas no setor.
O Brasil detém a sexta maior reserva conhecida do planeta. E, nos últimos anos, a demanda internacional cresceu a tal ponto que se calcula que haja um déficit de cerca de 60 mil toneladas para atender aos interessados.
Usina de Angra 3 vai custar ao governo R$ 7,3 bilhões Dilma disse que a construção da usina nuclear de Angra 3 está garantida e que outras virão, como já indica o planejamento do setor elétrico. As projeções comportam a existência de oito usinas no país até 2030.
? A gente acredita que mais de uma usina será necessária nos próximos anos.
Segundo ela, para atender à demanda, o governo deve contar com a ajuda privada: ? Existem alguns cenários que não só dizem respeito às usinas e à cadeia da energia nuclear: a produção, exploração e enriquecimento de urânio.
E como se daria a participação, nesse caso, da iniciativa privada? A ministra disse que o governo tem pressa: ? Tem de começar a fazer agora, porque, em média, uma usina demora de cinco a seis anos para ser feita.
No caso de Angra 3, usina que irá gerar 1.350 megawatts (MW) e vai custar R$ 7,3 bilhões, o governo aguarda a conclusão do estudo de impacto ambiental, que deve ficar pronto em junho. A data prevista para a conclusão da obra é maio de 2014.
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