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Única mineradora não estatal de ouro da Venezuela não teme expropriação

Notícias Gerais

18/08/2011


Executivo-chefe da mineradora acredita que anúncio do presidente Chávez seja dirigido às mineradoras ilegais que trabalham sem permissão do governo
CARACAS – Andre Agapov, executivo-chefe da única mineradora de ouro que não é estatal da Venezuela, Rusoro Mining Ltd., disse em entrevista por telefone que não está preocupado com os planos do presidente Hugo Chávez de nacionalizar o setor porque ele acredita que o anúncio seja dirigido às muitas mineradoras ilegais que trabalham sem permissão do governo e usam práticas prejudiciais ao meio ambiente.
“Todo o ouro está sendo vendido ilegalmente e, evidentemente, o Banco Central, o ministro das Minas e o presidente disseram que já basta, especialmente considerando-se os atuais preços do ouro”, afirmou Agapov. A Rusoro produz cerca de 100 mil onças-troy de ouro por ano, segundo o executivo-chefe. A indústria ilegal de mineração de ouro na Venezuela é tão grande que sua produção provavelmente seja duas vezes superior à da Rusoro e do governo venezuelano juntos, acrescentou.
A Rusoro, com sede em Vancouver (Canadá,), comprou suas operações da sul-africana Gold Fields Ltd em 2007. Ele possui uma joint-venture 50%/50% em sua mina Isadora com o governo venezuelano e detém uma participação de 95% na mina Choco 10, na qual o governo possui os 5% restantes.
Agapov disse que seu pai, Vladimir Agapov, presidente da Rusoro, é amigo pessoal de Chávez e sua companhia sempre teve uma boa relação com o governo, portanto, ele não está preocupado com uma expropriação.
Falando na televisão estatal por telefone, Chávez disse hoje que apresentará um novo decreto nos próximos dias para colocar a exploração e extração do ouro nas mãos do governo. “Nós não temos apenas a riqueza do petróleo, nós temos aqui uma das maiores reservas de ouro do mundo. Vamos transformá-las em nossas reservas internacionais porque o ouro está se valorizando”.
A medida foi anunciada um dia após documentos obtidos pelo Wall Street Journal terem mostrado que o governo venezuelano planeja transferir bilhões de dólares das reservas em dinheiro no exterior para bancos na Rússia, China e Brasil, e toneladas de ouro dos bancos europeus para o seu próprio Banco Central.
De acordo com os documentos, o país sul-americano planeja movimentar 211 toneladas de ouro que atualmente guarda no exterior para o Banco Central em Caracas, onde o governo mantém suas remanescentes 154 toneladas de ouro.
Segundo a Dow Jones, o Banco Central detinha quase US$ 18 bilhões em ouro no fim do primeiro semestre do ano, representando quase 63% de suas reservas totais. No fim de junho, a Venezuela era o maior detentor de ouro na América Latina, segundo o Conselho Mundial do Ouro.
Chávez, que vem buscando centralizar o controle de setores-chave da economia como parte de sua “revolução socialista do século 21”, havia sinalizado em maio que a nacionalização do ouro estava em andamento. Ele disse na ocasião que queria criar uma entidade “nacional” para o ouro, semelhante ao monopólio estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). Ele também disse que o país estava produzindo cerca de 11 toneladas de ouro por ano, enquanto o mesmo montante deixava o país como contrabando.
Em fevereiro, a canadense Crystallex International Corp teve seu contrato para desenvolver as minas de ouro Las Cristinas revogado pelo governo. A companhia agora pede arbitragem e indenização de US$ 3,8 bilhões da Venezuela.
Há um ano, o governo permitiu que as mineradoras exportassem até metade de sua produção, relaxando exigências anteriores para que as companhias vendessem 70% no mercado doméstico e apenas 30% no exterior. As informações são da Dow Jones.

O Estado de São Paulo


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