Trunfos da mineração
02/05/2011
Segmento vai se manter como um dos mais dinâmicos da economia brasileira nas próximas décadas
Brasil vem construindo, nos últimos anos, uma trajetória de fortalecimento, superação e estabilidade na economia. Internamente, nunca se produziu e consumiu tanto. No plano externo, as perspectivas também são boas: o país está ganhando visibilidade e atraindo investimentos. Em 2010, os investimentos de empresas internacionais no Brasil atingiram US$ 48 bilhões, conforme informações do Banco Central (BC). Estamos em terceiro lugar no ranking de países prioritários para investimentos estrangeiros entre 2010 e 2012, segundo levantamento realizado ano passado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).
A China, que está no topo desse ranking, é um de nossos maiores investidores. O que faz do país asiático nosso principal parceiro comercial é o interesse em nossas matérias-primas, ou seja, eles aplicam recursos aqui para garantir seu próprio abastecimento. Nos últimos oito anos, os chineses investiram US$ 37,1 bilhões no Brasil ? cerca de 84,5% desse valor foi destinado à metalurgia e mineração. Esse setor vem atraindo empresários do mundo inteiro, assim como o petróleo. A China é um grande fabricante de produtos industrilizados e precisa dessas commodities para manter sua produção em ritmo acelerado. No caso do petróleo, encontramos uma nova fronteira chamada pré-sal, que vai produzir 1,8 milhão de barris em 12 anos, levando o país a alcançar um total de produção de 2,9 milhões de barris por dia em 2014 e 3,9 milhões de barris em 2020. Para ter ideia, em 2010, a China investiu mais de R$ 10 bilhões neste campo e o pré-sal ainda nem é uma realidade.
Se o Brasil souber administrar essa riqueza, conseguirá ainda mais investimentos, crescimento e posição de destaque entre as economias mundiais. Já a mineração ainda precisa de investimentos para a descoberta de megadepósitos para o país. E temos potencial para isso: em 2010, o Brasil descobriu 1.290 ocorrências de minério, conforme balanço do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
O Ministério de Minas e Energia lançou recentemente um plano para mineração com o objetivo de investir, entre outros itens, em pesquisa mineral para expansão ou descoberta de novas jazidas. Serão gastos US$ 350 bilhões até 2030, e a maior parte virá da iniciativa privada. Tão importante quanto onde, é como usar esses recursos. Como fazer multiplicar os resultados? Especialistas em mineração ressaltam a importância da melhoria de produtividade por meio do incentivo a pesquisas e desenvolvimento de tecnologias. Por esse motivo, o governo planeja investir parte desses US$ 350 bilhões em pesquisa, infraestrutura e logística. Aliado a isso, é preciso uma cultura de redução de custos. Há alguns anos já é possível conhecer diversas iniciativas nesse sentido.
Essa consciência de corte de gastos começou a ser despertada no período da crise global, quando os financiamentos secaram, afetando de forma dramática a atuação de empresas no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A consequência, no entanto, foi positiva, porque o setor se mobilizou. Desde então, mineradoras de todo o país incentivam projetos que tenham resultados nesse sentido. Para mostrar exemplos e promover a troca de experiências entre mineradoras a respeito de projetos de redução de custos, ocorre em Belo Horizonte, dias 10 e 11, o 3º Workshop Redução de Custos na Mina e na Planta, a ser realizado pela revista Minérios & Minerales, com apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e do Sindicato da Indústria da Extração Mineração (Sindiextra). Um dos trabalhos expostos este ano é da Jacobina Mineração e Comércio ? Yamana (Bahia). Ao conseguir a redução de 14% do teor no rejeito do minério, a empresa teve uma economia de quase US$ 1 milhão depois da implementação do projeto. Dessa forma, é possível perceber que a mineração vai se manter como um dos segmentos mais dinâmicos da economia brasileira nas próximas décadas.
Estado de Minas – Opinião Joseph Young