Transnordestina Logística aposta em infraestrutura
09/09/2010
Projeto ferroviário começa a operar em 2012
Investimento cria valor para acionistas ao diversificar receitas e oferecer retornos adequados
O projeto ferroviário Transnordestina deve iniciar suas operações no final de 2012. Durante teleconferência com analistas e investidores, realizada pela na manhã desta quarta-feira, o diretor presidente da Transnordestina Logística Tufi Daher Filho, afirmou que já foram assinados quatro contratos antecipados. “Se apenas um deles performar já ajudará a operação a atingir o break even (ponto de equilíbrio) do projeto antes mesmo de sua conclusão”, destacou, após lembrar que há uma forte demanda no Nordeste por infraestrutura logística por parte dos produtores de minerais e produtos agrícolas.
De acordo com os dados apresentados, a taxa interna de retorno (TIR) projetada encontra-se em 13% e 14%. Segundo Daher Filho, a taxa está acima do previsto em projetos como a exploração do petróleo na camada pré-sal. Já a receita bruta, que ficou ao redor de R$ 100 milhões em 2009, é estimada em R$ 200 milhões para 2012, R$ 500 milhões para 2013, com crescimento constante até atingir R$ 1,6 bilhão em 2018. A margem operacional da Transnordestina Logística deve ficar acima de 50 % da receita anual. “O capex (investimento) é alto, mas o retorno também é”, declarou.
A ferrovia de 1.728 quilômetros no Nordeste possibilitará que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) seja autosuficiente em logística ao transportar mais de 30 milhões de toneladas de carga por ano no Brasil. “O projeto é uma solução logística integrada que visa atender a região Nordeste, principalmente no transporte de produtos agrícolas e reservas minerais ainda não exploradas. As oportunidades são enormes”, disse Daher Filho.
Mina de ferro
A ferrovia ligará o centro do Piauí (município de Eliseu Martins) – onde foi descoberta uma mina de ferro de boa qualidade, estimada em 2,97 bilhões de toneladas – aos portos de Suape (PE) e Pecém (CE), porto com menor tempo de trânsito entre Brasil, Estados Unidos e Europa. “Existe carga na região. Esta é a mensagem”, destacou o vice-presidente financeiro da CSN, Paulo Penido.
Atualmente a Transnordestina transporta 2 milhões de toneladas por ano, volume que será ampliado para 3,1 milhões em 2012, 8,1 milhões em 2013 e 28 milhões em 2018. “Já temos 170 milhões de toneladas de trilhos em estoque, o equivalente a 4.100 quilômetros, maior do que a distância entre São Paulo e Manaus”, lembrou Daher.
Valor aos acionistas
Para Penido, o investimento na Transnordestina criará valor aos acionistas do grupo ao diversificar as receitas e oferecer retornos adequados. “O custo por quilômetro foi estimado R$ 2,9 milhões, é um dos mais eficientes do mundo”, disse. Este é o menor valor já obtido no Brasil. Ele lembrou que operar a plena carga em 2019 é uma projeção conservadora. De acordo com Penido o traçado e as licenças obtidas, assim como o risco reduzido de concessão, deixam a CSN tranquila quanto ao investimento e funding.
O projeto ferroviário irá despender R$ 4,6 bilhões. Para este ano, será investido R$ 1,3 bilhão, a CSN prevê mais R$ 2,2 bilhões em 2011 e R$ 1,1 bilhão em 2012. O valor será financiado através de dívida (57%) e injeção de capital (43%). Os 43% de equity, estão divididos da seguinte forma: a participação da CSN na estrutura de financiamentos é de 25%, do governo federal 3% e Finor – Fundo de Investimentos no Nordeste (divisão entre governo federal e CSN) 15%.
“A grande virtude deste projeto é a tranquilidade do funding e uma obra bem equacionada financeiramente. A CSN é o grande acionista, com R$ 1,3 bilhão. Metade deste valor é financiamento do BNDES e metade é caixa da CSN”, afirmou Penido. De R$ 1,3 bilhão, a CSN já desembolsou R$ 550 milhões este ano.
Os executivos deixaram claro durante a teleconferência que a CSN não tem planos de listar a Transnordestina em bolsa no futuro imediato. Em diversas ocasiões, o presidente-executivo da CSN, Benjamin Steinbruch, declarou que a companhia poderia vender participações em suas unidades de cimento, mineração, energia e logística a investidores e listá-las em bolsa separadamente, com objetivo de capturar rapidamente o valor desses negócios. A CSN tem 56% de participação na Transnordestina. Entre os demais sócios estão o governo federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A estrutura de capital futura do projeto será 75% da CSN e 25% do governo federal.
Mineração
O foco da CSN nos projetos de mineração se concentra principalmente na região Sudeste, onde se localiza a Casa de Pedra, mas a companhia também tem alguns alvos no nordeste. A fase é de sobrevôos para sondagens de regiões. Outros já se encontram em fase mais avançada.
“Existem perspectivas boas na região. Entre a Paraíba e Pernambuco e outros alvos no Piauí. Estamos fazendo toda a prospecção para definir a reserva. Não há reserva definida, existem recursos potenciais promissores, mas este trabalho estamos desenvolvendo. Quando decidirmos, vamos realizar algumas opções. Vendo a logística, faz todo o sentido olhar a região”, explicaram os executivos da CSN.
Monitor Mercantil