Transformação global gera oportunidades de negócios
01/08/2014
?Vivemos à porta de uma nova era ambiental com novos perfis e oportunidades de negócios?. Esta frase é de Maritta Koch-Weser, antropóloga e ambientalista alemã, com mais de 30 anos de atuação em diversos países na causa do desenvolvimento sustentável. Atualmente ela coordena o Grupo de Pesquisa Amazônia em Transformação: História e Perspectivas do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP); é fundadora e presidente da organização não governamental Earth 3000, que aconselha programas ambientais e empresas sociais de vários países; foi diretora para o Meio Ambiente na América Latina no Banco Mundial e diretora geral da UICN (União Internacional para Conservação da Natureza).
Maritta fez a palestra magna na abertura da quarta edição do Seminário Sebrae de Sustentabilidade, no último dia 29, no Centro de Eventos do Pantanal em Cuiabá. Cerca de 450 pessoas estavam presentes, entre empresários, dirigentes e técnicos do Sebrae, autoridades, jornalistas e convidados. O evento prossegue até hoje (31) e a programação é composta por painéis e palestras sobre o tema ?Negócios que transformam realidades?.
A palestrante lembrou que a palavra ?sustentabilidade? foi citada pela primeira vez na literatura, no século XVII, na Saxônia em contexto relacionado à mineração e a extinção das florestas na região. O esgotamento das matas gerou a primeira área de conhecimento, que se dedicou ao assunto e cunhou a palavra ?sustentabilidade? em alemão. Mais tarde, no século XX, o conceito ressurge com força, após as duas grandes guerras mundiais, em decorrência da preocupação com a capacidade humana de destruição, em especial, por causa da bomba atômica usada em Hiroshima.
A paixão pela vida silvestre e a preocupação com o crescimento populacional e a paz motivaram a mobilização intelectual ocorrida, a partir da década de 50. Nos anos 80, o livro Nosso Futuro Comum, conhecido como Relatório Bruntland, se torna um marco no movimento pela sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.
Maritta citou fatos e eventos geradores da governança internacional no tema: a Conferência de Estocolmo; criação da UICN; Convenção da Biodiversidade; Protocolo de Montreal; Rio 92, Protocolo de Kyoto; Carta da Terra; entre outros.
Em termos econômicos, o questionamento sobre o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) dos países, que não considera o capital natural na contabilidade da riqueza produzida, foi passo importante para o estabelecimento dos princípios da sustentabilidade no mundo dos negócios, segundo ela. O Princípio da Precaução e a criação do Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, em 1992, também foi citado como fatos importantes para a consolidação do conceito no mercado.
Já no âmbito da governança nacional, a palestrante disse que a sustentabilidade começou a entrar na história do Brasil durante a gestão do então presidente Geisel. Nos anos 80, avançou mais com a criação da Secretaria Especial de Meio Ambiente ligada ao Ministério de Assuntos Urbanos, seguido do Programa Nacional de Meio Ambiente (PNMA), Instituto Brasileiro de Recursos Naturais e Meio Ambiente (Ibama), Ministério do Meio Ambiente (MMA), conselhos e sistemas associados.
A criação da Lei de Crimes Ambientais coloca o Brasil em situação especial, pois vários países não possuem este tipo de legislação até hoje, de acordo com Maritta. A sustentabilidade institucionalizada por meio de áreas de preservação declaradas, que totalizam 11% do território nacional, é outro fato que coloca o país em destaque.
Sebrae