Toyota investe na Argentina para garantir oferta de lítio
20/01/2010
Um importante fornecedor da Toyota Motor Corp. conseguiu garantir um suprimento de longo prazo de lítio da Argentina, num dos primeiros acordos de recursos naturais ligados à era dos carros elétricos.
Derrotando compradores chineses, a trading Toyota Tsusho Corp., da qual a montadora japonesa tem 21,8%, conquistou o apoio do governo japonês para o acordo, por meio de empréstimos baratos. O acordo será anunciado hoje na Austrália e no Japão.
A transação indica como a busca por lítio de alta qualidade para baterias de carros híbridos e elétricos impulsionou a disputa pelas commodities da mesma maneira que os combustíveis fósseis no século passado.
Diante da expectativa de rápida expansão da demanda por baterias de carro, “achamos que devemos começar já a nos preparar para suprir o mercado”, disse Naoto Yamagishi, gerente-geral do departamento de metais e recursos minerais da Toyota Tsusho, ao Wall Street Journal.
O investimento permitirá que as empresas japonesas controlem parte do suprimento de lítio, em vez de ficar à mercê de poucos produtores caso a oferta encolha nos próximos anos, como temem alguns.
As fabricantes japonesas de eletrônicos já controlam a maioria do mercado de baterias de íon de lítio para aparelhos como notebooks.
No presente acordo, uma estatal japonesa, a Japan Oils, Gas and Metals National Corp. proverá à trading, a Toyota Tsusho, um financiamento em termos favoráveis para assegurar um suprimento de lítio relativamente barato para a Toyota e outras empresas que concorrem com as sul-coreanas e chinesas no mercado de baterias para carros.
O investimento é avaliado em US$ 100 milhões a US$ 120 milhões, segundo pessoas a par da situação. A Toyota Tsusho vai pagar a conclusão de um estudo de viabilidade este ano sobre uma mina de lítio no norte da Argentina da firma australiana Orocobre Ltd. e assumirá uma fatia de 25% no projeto posteriormente.
Apenas 27% do lítio produzido vai para as baterias, segundo o relatório anual da Sociedad Quimica y Minera de Chile S.A., que alega ter 30% do mercado do metal alcalino, da mesma família que o potássio e o sódio. O lítio é usado para fabricar vidro e cerâmica, na produção do aço e como componente de lubrificantes.
O metal é extremamente leve e resistente ao fogo e tem outras propriedades que o tornam ideal para baterias recarregáveis.
James D. Calaway, presidente do conselho da Orocobre que fica em Houston, nos Estados Unidos, disse ao WSJ que as mineradoras ativas nas planícies de sal do Chile podem aumentar a produção, mas, assim como os campos petrolíferos, as jazidas de lítio podem ser exauridas pela mineração excessivamente rápida.
As fabricantes japonesas de eletrônicos, que enfrentam alguns prejuízos com televisores e outros eletrodomésticos, estão apostando pesado para fornecer baterias de íon de lítio para os carros híbridos e elétricos do futuro.
A Toshiba Corp., a Hitachi Co. e a NEC Corp. já investiram em baterias de íon de lítio para uso automotivo, enquanto a Panasonic Corp. adquiriu o controle da Sanyo Electric Co., maior fabricante dessas baterias no mundo, para garantir uma base mais sólida. A Toyota e a Panasonic são sócias na produção e no desenvolvimento de sistemas de íon de lítio para carros elétricos. A Sony Corp. também informou que estuda entrar no negócio de baterias.
Para garantir o suprimento de matéria-prima para essas empresas, tradings japonesas como a Mitsubishi Corp. e a Sumitomo Corp. têm buscado oportunidades na América Latina, especialmente em países com fartas jazidas de lítio como Bolívia e Chile.
The Wall Street Journal, Valor Econômico