Teófilo Otoni quer ampliar mercado de pedras preciosas
28/02/2012
Depois de uma década de enfraquecimento, o polo produtor e beneficiador de pedras preciosas de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, busca se profissionalizar para reconquistar o mercado. Hoje 128 empresas da região atuam no ramo, porém, o caráter em parte ainda amador desses negócios impede um balanço sobre a movimentação do setor.
Segundo o secretário de indústria, comércio e turismo do município, Bruno Balarine, embora a formalização do segmento esteja em expansão, ainda é difícil mensurar a dimensão da atividade. Isso porque, entre outros fatores, muitas das companhias instaladas em Teófilo Otoni comercializam também pedras extraídas de outras localidades do país, o que dificulta o mapeamento. “A crise do setor passa por uma falta de identidade. Precisamos de um diagnóstico real para levantarmos o potencial da região”, diz.
Balarine conta que, nos próximos dois meses, será lançado um selo de origem do produto, o que deverá facilitar esse processo. A ideia será colocada em prática por meio do Laboratório Gemológico da Unidade de Inovação Tecnológica em Gemas e Joias, recém-inaugurado na cidade pela Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).
O laboratório é uma reivindicação antiga do setor. A estrutura será responsável por fazer a identificação de gemas de cor e diamantes, emitir laudos técnicos e certificados. O trabalho deve intensificar a comercialização das pedras produzidas na cidade por meio da emissão dos documentos que atestam a autenticidade dos itens.
Ainda visando à profissionalização, a Uemg e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) já oferecem cursos específicos em Teófilo Otoni e a prefeitura lançou o Projeto Mais Precioso. Segundo Balarine, a iniciativa visa, entre outros objetivos, aprimorar o intercâmbio entre as cadeias envolvidas na exploração de pedras preciosas. “O garimpeiro muitas vezes não tem interação com o joalheiro que também está distante do importador e do exportador”, justifica.
O Mais Precioso pretende também minimizar um dos gargalos para o crescimento do ramo: a falta de informação. O secretário diz que o excesso de burocracia que envolve a legislação mineral e ambiental é inacessível aos garimpeiros e trava a expansão dos negócios.
Apesar disso, a exploração de pedras preciosas já vive uma nova fase depois de um período de decadência, em virtude das dificuldades para extração, falta de mão de obra qualificada e amadorismo do setor. De acordo com Balarine, todas essas questões somadas a dificuldades na economia internacional reduziram a atividade no município, afetando, sobretudo, quem atua na informalidade.
E, exatamente por isso, o secretário tira um saldo positivo dos anos turbulentos. Passada a má fase, o segmento está se refazendo de forma mais estruturada o que possibilita além da profissionalização, uma produção mais voltada para o valor agregado dos produtos.
A região de Teófilo Otoni dispõe de uma variedade grande de pedras preciosas e semi-preciosas, como topázio, topázio imperial, berilo, turmalina e ametista. O setor é impulsionado principalmente pelos mercados chinês e europeu que conforme o secretário, se complementam. Isso porque, enquanto a China é voltada para a produção de peças mais valiosas, a Europa investe em design e lança tendências que viram moda em todo o mundo. Atualmente 80 das 128 empresas instaladas em Teófilo Otoni, exportam sua produção diretamente.
Diário do Comércio