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Tecnologia desenvolvida no Brasil proporciona retrato fiel da geografia

Notícias Gerais

02/07/2013


Mapas são representações visuais de uma região. Essa é a definição mais objetiva e simples que se pode encontrar dos documentos que reproduzem, em uma superfície plana, os contornos do espaço terrestre. Produzidos desde a antiguidade, eles hoje estão cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, em diferentes mídias: mapas de ruas para se localizar num grande centro; tecnologias como o Global Position System (GPS), comum em carros; ou em programas como o Google Maps, acessados pela internet.
Fato é que a evolução da tecnologia permitiu avanços impressionantes na cartografia, a ciência que trata da criação, utilização e estudos dos mapas. Exemplo positivo nesse sentido é um projeto inovador realizado por uma empresa e uma universidade do interior de São Paulo. Durante quatro anos, o engenheiro e cartógrafo Roberto da Silva Ruy realizou, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Presidente Prudente, uma pesquisa de doutoramento que permitiu a criação de um sistema próprio de aerolevantamento digital (produção de mapas a partir de imagens feitas de um avião).
O Sistema Aerotransportado de Aquisição e Pós-Processamento de Imagens Digitais (Saapi) é resultado de um projeto submetido pela empresa Engemap à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), tendo sido desenvolvido de 2005 a 2007. Uma vez finalizada a tese de doutorado de Roberto Ruy, intitulada Desenvolvimento e validação geométrica de um sistema para mapeamento com câmeras digitais de médio formato, a empresa passou a atuar na área de aerolevantamento digital.
A fotogrametria ? técnica que usa fotografias para obter informações de uma determinada área ? existe há muito tempo, mas o equipamento chegava a custar até US$ 1,5 milhão (mais de R$ 3 milhões). Dez anos atrás, as câmeras profissionais de pequeno formato começaram a ficar mais baratas, tornando possível fazer imagens com detalhes para serem aplicadas em mapas, mas as distorções, os dispositivos de fixação e a estabilização térmica (temperaturas baixas poderiam prejudicar os equipamentos), além de softwares para associar as imagens geradas às dos equipamentos, dispunham de recursos limitados.
?As empresas do gênero, de uma maneira geral, adquirem as câmeras que vêm da Alemanha ou dos Estados Unidos. Nós integramos os sensores e montamos nosso próprio sistema de câmera. Hoje, podemos replicar o sistema de coleta de imagens em quantos aviões quisermos?, afirma Roberto Ruy. Além disso, o custo ficou muito menor, quando comparado aos sistemas importados. ?Os equipamentos importados são muito caros e há também os impostos de importação que são cobrados no Brasil (cerca de 60% do valor do equipamento), que deixam as máquinas ainda mais caras?, acrescenta.
Laser
Os mapas superdetalhados, produto criado pelo cartógrafo, atendem áreas muito diversas: de concessionárias de rodovias, governos nos âmbitos federal, estadual e municipal, a empresas nas áreas de mineração e agricultura. Os rodoviários, ele comenta, são os que têm aplicação mais forte. ?A partir de uma aeronave (geralmente um bimotor), você tira fotos de áreas que já foram cotizadas. Além da câmera, contamos com vários sensores. As fotos são depois processadas e feitos cálculos matemáticos, que acabam gerando os produtos.?
O sensor laser integrado à câmera fotográfica possibilita imagens de alta precisão. Isso porque, do avião, são disparados 250 mil pulsos de laser por segundo, captando todas as variações do terreno. Com isso em mãos, uma série de informações é acrescentada em softwares específicos: nomes, localizadores nas cidades e outros dados que o projeto demandar. Num município, por exemplo, as fotos em 3D podem ganhar informações de quadras e lotes. ?A localização é permitida até pelo cadastro do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU)?, diz Ruy. Entre os projetos mais ambiciosos realizados pela Engemap, estão os mapeamentos dos estados da Bahia (ainda não finalizado) e de Santa Catarina. ?O da Bahia é o maior projeto de cartografia em aerolevantamento do Brasil. Já percorremos 75% do estado em voos com três aviões. Geramos o modelo 3D do relevo de toda a área fotografada?, afirma.
O mesmo trabalho pode ser estendido para mapeamento de ferrovias e parques eólicos (para estudar o posicionamento das torres que geram energia elétrica). O tempo de duração do mapeamento depende do tamanho da área a ser detalhada. Um mapeamento estadual pode levar até três anos, e um de menor porte, de três a cinco meses. Além do engenheiro cartógrafo responsável, um projeto de aerolevantamento digital inclui geógrafos, técnicos em cartografia, em processamento de dados e topógrafos.

Correio Braziliense


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