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Standard Bank traz mais US$ 120 mi e contrata 60

Notícias Gerais

01/07/2008


Altamiro Silva Júnior, De São Paulo

Ana Paula Paiva/Valor
Fabio Solferine, presidente do Banco Standard: “No momento em que todo mundo está procurando capital, o banco recebeu um aporte de US$ 5 bilhões” Enquanto bancos europeus e americanos buscam recursos para enfrentar a crise no mercado de crédito imobiliário americano, o sul-africano Standard Bank está com os cofres cheios e resolveu aumentar as operações no Brasil. O banco acaba de receber US$ 120 milhões da matriz. Até o final do ano, contrata mais 60 executivos e começa a operar em novas áreas no país, como derivativos agrícolas, assessoria a fusões e aquisições e financiamento de aquisições alavancadas.Em março, o Standard Bank recebeu US$ 5 bilhões do Industrial and Comercial Bank of China (ICBC). O banco chinês fez a maior abertura de capital do mundo em 2007, na qual captou US$ 22 bilhões. No final do ano, acertou a compra de 20% do Standard Group, o maior da África do Sul. Parte desse dinheiro foi distribuído aos acionistas na forma de dividendos. A outra parte será investida para financiar os projetos de expansão do grupo, que aposta em mercados emergentes. A instituição opera em 22 mercados, da Ásia, Europa e Américas e tem US$ 100 bilhões em ativos. Com os novos recursos que recebeu, o Banco Standard de Investimentos, que teve autorização para operar no Brasil em 2003, passou a ter patrimônio líquido de US$ 220 milhões. Com isso, o banco começou um programa de expansão dos negócios no país em duas fases, que serão tocadas em paralelo, segundo seu presidente, Fabio Solferine. A primeira será a expansão de negócios nos quais o banco já opera no Brasil, como operações estruturadas e financiamento de projetos para empresas da área de óleo, gás e energia. O banco tem uma carteira de empréstimos para empresas de US$ 300 milhões e acredita que esse número pode subir consideravelmente. O Standard tem 150 clientes (entre empresas e investidores institucionais). O objetivo é chegar a 400 em dois anos. A segunda fase do projeto de expansão prevê a entrada da instituição em novas áreas de negócios. Entre elas, operar com derivativos para o mercado agrícola, atuar no mercado de ações, fusões e aquisições e operar com fundos de private equity (carteiras que compram participação em empresas para revender depois com lucro). Nos fundos, o banco está criando lá fora uma carteira de US$ 250 milhões que vai investir em companhias brasileiras. O banco também quer participar de operações alavancadas, nas quais um private equity faz aquisição de maior porte com ajuda de financiamento bancário. Desde a crise do subprime, essas operar pararam pelo mundo. Solferine conta que um negócio assim vai acontecer em breve por aqui. Sem revelar nomes, o executivo diz que o banco está emprestando recursos para um fundo comprar uma empresa.Na renda variável, o projeto é participar da estruturação de aberturas de capital e distribuição de ações, mercado que anda parado por conta da alta volatilidade das bolsas mundiais. Segundo Solferine, esse tipo de operação vai levar mais um pouco de tempo para o Standard começar a atuar. A razão é que o banco precisa criar lá fora uma plataforma de venda de papéis global, como têm o UBS e o Credit Suisse. Os investidores estrangeiros são os maiores compradores desse papeís, ficando em média com 70% das ações nas oferta brasileiras. O Standard chegou ao Brasil em 1998, em plena crise da Rússia. Naquele momento montou um escritório de representação. Em 2003, recebeu autorização do BC para atuar como banco de investimento, atividade que começou de fato em 2004.Ao longo dos próximos anos, o Standard prevê aportes sucessivos de recursos, na medida em que as operações cresçam. “O banco não foi influenciado pela crise do subprime. No momento em que todo mundo está procurando capital, o banco recebeu um aporte de US$ 5 bilhões.” Segundo Solferine, a prioridade é o crescimento orgânico, mas se alguma oportunidade “interessante” de aquisição aparecer, o banco vai avaliar. Para ele, o país passa por um momento de crescimento favorável a novos negócios. A alta do petróleo estimula novos investimentos no setor de energia. O aumento dos preços das commodities aquece o mercado agrícola e de setores como o de mineração. Além disso, muitas empresas que abriram o capital recentemente estão capitalizadas. Com dinheiro em caixa, partem para consolidar seus setores, o que gera várias oportunidades de operações para o banco, como assessoria a aquisições. O banco tem hoje 90 funcionários e deve encerrar o ano com 150.

Valor Econômico


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