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Sistemas detectam tesouros ocultos

Notícias Gerais

23/11/2010


Para saírem da terra e se transformarem em mercadoria lucrativa, comercializada no mundo todo e empregada na fabricação de quase tudo, os minerais demandam o uso de muita tecnologia. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de técnicas e equipamentos abrangem todas as fases de um empreendimento destinado a explorar economicamente um mineral.
Esse processo, que começa com a prospecção, fase em que se procura descobrir um depósito mineral, e culmina com a produção mineral, é longo e demanda um alto cacife financeiro. “Mineração não é para principiantes”, define o consultor José Mendo Misael de Souza, conselheiro da regional de Minas Gerais da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM). “É preciso muita ciência para descobrir minerais.”
A prospecção é a fase mais demorada e de maior risco. Uma empresa pode levar anos para descobrir determinada concentração mineral e acabar não achando nada. Ou achar e acabar concluindo que o projeto de extração não é economicamente viável. Nessa fase inicial, são usadas técnicas de investigação indiretas, ou seja, não é mais preciso, como no passado, coletar amostras de solo. Novos sistemas de sensoriamento remoto, por meio de satélites, cruzam as barreiras de nuvens e das copas e caules das árvores, como no caso da região amazônica, e geram mapas com imagens mais completas que mostram a topografia real do terreno.
No Brasil, segundo Onildo João Marini, secretário executivo da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb), o sensoriamento por avião SAR, equipamento de radar usado pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), fornece imagens mais detalhadas do que as de alguns satélites. Outro tipo de sensor com capacidade maior ainda, segundo Marini, foi criado pela Orbisat, empresa especializada em sensoriamento remoto e soluções para a área de defesa, que também faz levantamentos de áreas de florestas densas.
Também a bordo de aviões, outros equipamentos revelam a presença de concentrações minerais por meio da medição do magnetismo, densidade, radioatividade e condutividade elétrica das rochas.
Há ainda outros métodos, como a aerogravimetria, tecnologia nova que mede a densidade das rochas a partir do ar, usada pelas empresas, que transportam o equipamento por helicóptero. Ele permite detectar sulfetos metálicos a profundidades de até 300 metros. Usado no solo, pode detectar essas áreas a até 600 metros de profundidade. Esses e outros métodos, como geoquímicos e geofísicos, orientam a localização de pontos para sondagens, a última etapa da prospecção. As sondas permitem medir a quantidade e qualidade do minério na região.
São sistemas e instrumentos cada vez mais sofisticados que permitem varrer a superfície e penetrar no solo para descobrir os minerais. “É da natureza do processo de descoberta gastar o mínimo para achar o máximo”, diz José Mendo. Isso é necessário para que se tenha uma comprovação da existência do minério que justifique o investimento no projeto. “Carajás levou 18 anos até vender o primeiro grama de minério”, compara o consultor. “Na maioria dos casos”, concorda Onildo Marini, da Adimb, “a empresa não vai até o final. De cada 100 alvos que a companhia estuda, talvez um resulte em depósito mineral. Se for bom, ele paga os anos de insucesso”.
Os investimentos da Vale em P&D vão somar US$ 1,9 bilhão em 2011, o equivalente a 8% de seus aportes totais, segundo Marcio Godoy, diretor global de desenvolvimento de projetos minerais.
“Quando falamos em pesquisa e desenvolvimento, consideramos três pilares: descoberta, viabilização do depósito e aprimoramento de técnicas para aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade”, diz Godoy. “Uma empresa de mineração investe muito tanto em técnicas e tecnologia de varredura, para descobrir o que há debaixo da terra, como em técnicas e projetos de engenharia para viabilizar essas descobertas. Às vezes é preciso recorrer a tecnologias novas ou adaptar o que já existe.”
Um exemplo de adaptação de tecnologia foi a solução encontrada pela Vale para vencer a dificuldade logística das minas de bauxita em Paragominas (PA). Depois de descoberto o depósito e conhecidas as reservas, o estudo de viabilidade econômica esbarrou na dificuldade para se transportar o minério por uma distância de 245 quilômetros até Barcarena (PA), próxima de Belém, onde fica a refinaria da Alunorte, empresa do grupo que produz alumina a partir da bauxita de Paragominas, que depois se transforma em alumínio na Albras, também do grupo.
A empresa também aplica e desenvolve novas tecnologias na produção. É o caso do reaproveitamento de sobras, antes depositadas em pilhas ou em suas barragens de rejeito (lagos artificiais), que aumenta a vida útil de suas reservas e reduz o impacto ambiental. Outro exemplo é a tecnologia que dispensa o uso de água no beneficiamento dos minérios e permite chegar aos produtos finais a partir da umidade da própria mina.

Brasil Mining Site


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