Siderúrgicas têm margem para lidar com alta de custos de insumos
07/04/2010
As siderúrgicas europeias podem sobreviver a uma alta no custo do minério de ferro por ora, contando com repasse dos aumentos dos preços de matéria-prima para os clientes que estão recompondo estoques.
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Mas o problema maior dos aumentos de custos com minério de ferro, carvão coque e sucata vai ser sentido no terceiro trimestre, quando analistas prevêem uma possível queda no movimento de reconstituição de estoques conjugada com demanda do usuário final ainda lenta.
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A indústria siderúrgica europeia pediu para autoridades mundiais analisarem o que chamam de competição desleal, refletida por preços de minério de ferro quase duas vezes maiores este ano e por uma mudança no sistema anual de estabelecimento de preços.
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Mas analistas acreditam que as siderúrgicas têm margem suficiente para absorver esses aumentos de custos com matérias-primas, pelo menos até o final de 2010, quando afirmam que as margens vão se retrair. Por enquanto, as usinas estão promovendo aumentos consecutivos de preços de aço, o que significa que até agora elas estão se sentindo confortáveis em repassar os custos.
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“O custo de produção da bobina a quente na Europa aumentou cerca de 140-150 dólares recentemente, e o preço subiu junto”, afirmou o analista Colin Hamilton do Macquarie. “Na nossa visão, as usinas já passaram o custo, a questão o quanto mais elas conseguem fazer isso.”
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ArcelorMittal, ThyssenKrupp e Voestalpine anunciaram vários aumentos de preços nos últimos seis meses, impulsionando o preço médio da bobina a quente na Europa para 680 dólares ante 561 dólares a tonelada no último trimestre de 2009.
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A ArcelorMittal, maior grupo siderúrgico do mundo, é uma das preferidas dos analistas por ser um dos grupos mundiais mais auto-suficientes em minério de ferro, produzindo 59 por cento de suas necessidades no quarto trimestre do ano passado.
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“Os preços praticados no segundo trimestre devem gerar expansão de margens devido à compra de matérias primas sob o contrato anual enquanto os preços têm sido relativamente fortes”.
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DE OLHO NO TERCEIRO TRIMESTRE
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A maior produtora mundial de minério de ferro, a Vale, fechou um acordo semana passada com usinas japonesas, que irão pagar 90 por cento a mais pela commodity ante o atual sistema de preços.
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A sul-coreana Posco, quarta maior produtora mundial de aço, concordou em pagar 200 dólares por tonelada de carvão coque duro importado de abril a junho, o que reflete uma alta de 55 por cento ante os preços estabelecidos no ano passado.
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Mas o custos serão visíveis somente na parte final do ano.
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“O que acontecerá no terceiro trimestre é a questão. Acreditamos que a demanda será relativamente forte e que os preços continuarão subindo, mas o aumento no minério de ferro e carvão coque aumentarão os custos em aproximadamente 200 dólares por tonelada”, disse Wood na Nomura.
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Uma possível desaceleração na demanda, que diversos analistas antecipam em decorrência da reposição de estoques pode deixar as produtoras de aço em uma posição vulnerável.
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“Parece que a demanda do cliente final não crescerá tanto quanto a produção de aço, o que para mim é um indicativo de que as pessoas estão comprando aço para estocar a um preço menor e evitar comprá-lo quando os preços estiverem maiores”, disse Matthias Hellstern, analista na Moody`s.
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“Isso significa que quando os estoques estiverem cheios e todos pensarem que os preços atingiram um certo nível, então todos vão parar de comprar.”
O Globo