Setor quer papel mais relevante
15/06/2012
Humanidade foi orçado em R$ 44 milhões, bancados pela Fiesp, Firjan, Sesi, Senai, Fundação Roberto Marinho e governo fluminense, com apoio do Sebrae
O histórico Forte de Copacabana, um cartão postal da Zona Sul do Rio construído em 1823, ganhou nos últimos dias uma estrutura inusitada: um edifício-andaime, equivalente a um prédio de seis andares, que ocupa 7 mil dos seus 114.169 m². O espaço, que foi idealizado pela arquiteta Carla Juaçaba e pela cenógrafa Bia Lessa e abriga salas suspensas para a realização de exposições, atividades culturais e debates, é desde a última segunda-feira o palco de um dos principais eventos paralelos da Rio+20″: o Humanidade 2012. Representa para o setor empresarial durante a Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável o mesmo que significam para os governos os pavilhões do Riocentro, na Zona Oeste, ou o Aterro do Flamengo, também na Zona Sul, para as entidades de sociedade civil.
O Humanidade 2012, orçado em R$ 44 milhões, bancados pelas federações das indústrias de São Paulo e Rio de Janeiro (Fiesp e Firjan), Sesi, Senai, Fundação Roberto Marinho e governo fluminense, com apoio do Sebrae e da Prefeitura do Rio, é apenas um dos eventos que mobilizam os empresários na Rio+20. O setor parece decidido a assumir um papel de maior destaque nas discussões ambientais, ao contrário da participação quase figurativa que teve na Eco92, realizada vinte anos atrás na cidade.
“Éramos vistos como o problema, mas hoje somos parte da solução”, diz Jorge Soto, diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem, que participa da organização de vários eventos paralelos. “O setor empresarial terá desta vez uma participação ativa.”
Mais do que ativa. Pelo menos dois hotéis de luxo da cidade foram reservados para dois grandes encontros empresariais internacionais e outro nacional. Os empresários ocuparão ainda espaços nobres destinados aos eventos paralelos, como o Píer Mauá, na zona portuária da cidade, e o Parque dos Atletas, vizinho ao Riocentro. Dezenas de auditórios e centro de convenções espalhados pela cidade também foram reservados para seminários e encontros que envolvem os representantes do setor.
Um túnel virtual foi criado no estande que a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) ocupa no Píer Mauá para mostrar o que é uma fazenda degradada e quais as tecnologias utilizadas para a sua recuperação. A ideia é que, durante o trajeto, o visitante acompanhe todas as fases do processo de regeneração da propriedade.
O Espaço AgroBrasil da Rio+20, que foi inaugurado nessa quarta-feira e fica aberto à visitação pública até o dia 22, será ancorado por projetos da CNA que destacam as tecnologias destinadas à produção de alimentos com conservação ambiental. O objetivo é mostrar a realidade da agropecuária brasileira para o mundo.
A indústria mineral também ocupa um espaço no Píer Mauá. A presidente Dilma Rousseff era esperada para a abertura do “Encontro da Indústria para a Sustentabilidade”, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A entidade realizará ali, no dia 18, o workshop “Mineração e Economia Verde: o Novo Paradigma de Desenvolvimento e seus Benefícios para a Coletividade”, com a intenção de difundir o papel da mineração como transformadora dos padrões de vida da sociedade.
Oitocentos empresários eram esperados ontem no Hotel Sofitel, quase em frente ao Forte de Copacabana, no “Encontro da Indústria para a Sustentabilidade”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O maior evento envolvendo apenas representantes brasileiros na Rio+20 estava marcado para discutir um estudo encomendado pela entidade com 16 segmentos industriais que avaliou os avanços na conservação do meio ambiente. Estavam confirmadas as presenças da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do ministro das relações exteriores, Antônio Patriota.
O Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que reúne os maiores grupos empresariais do país, lança dia 22 no Pavilhão 3 do Riocentro, a versão verde-amarela do “Vision 2050 – a New Agenda for Business”. O documento do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) tem inspirado o planejamento estratégico de empresas em todo o mundo. O Cebds também participou, durante a cerimônia oficial de abertura da Rio+20, na quarta-feira, do lançamento da Bolsa Verde do Rio, para negociar ativos ambientais como créditos de carbono.
Valor Econômico