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Setor do alumínio reflete estagnação

Notícias Gerais

05/04/2011


Alta de custo, especialmente de energia, leva produtores a frear investimento e reduzir produção, abrindo espaço para a competição externa no País, dono de uma das maiores reservas de bauxita do planeta.
Em 10 anos, preço da eletricidade subiu, em média, 187,8% em termos reais para a indústria, passando de R$ 82 por megawatts/hora para R$ 236.
Em 2009, a Valesul desativou uma unidade no Rio de Janeiro com capacidade nominal para produzir 95 mil toneladas de alumínio por ano. Em 2010, foi a vez da Novelis fechar uma planta em Aratu (BA) com capacidade nominal para produzir 60 mil toneladas por ano. Entre os motivos para que essas empresas colocassem o pé no freio no momento em que a economia brasileira se encontrava em alta estão os aumentos constantes dos custos da operação, especialmente no que diz respeito à energia elétrica.
Na última década, o preço da energia elétrica subiu, em média, 187,8% em termos reais para a indústria, passando de R$ 82 por megawatts/hora para R$ 236, conforme estudo encomendado pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) ? da qual a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) faz parte.
Com isso, apesar da vocação natural do Brasil para fabricar alumínio ? o País possui a terceira maior reserva de bauxita do planeta e é o número três na produção mundial do minério e de alumina ? a cadeia produtiva nacional ligada à commodity vem enfrentando um dos piores períodos para se manter como uma das principais protagonistas globais no setor.
Na fase primária, por exemplo, a falta de garantia de suprimento de energia elétrica a preços competitivos tem represado novos investimentos e, consequentemente, breca o volume de exportações a fim de garantir o abastecimento do mercado interno. Já nas etapas; secundária e terciária, a valorização do real diante do dólar estimula as importações, principalmente da China.
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Estagnação ? De acordo com dados da Abal, desde 1985 nenhuma nova fábrica de alumínio primário foi instalada no Brasil. O resultado disso é que a capacidade de produção de alumínio primário no País praticamente ficou estagnada entre 2007 e 2010 no patamar de 1,6 milhão de toneladas.
Por outro lado, entre 2007 e 2010, segundo a Abal, o consumo doméstico de produtos transformados de alumínio cresceu; 30% e passou de 994 mil toneladas para 1,296 milhão de toneladas. E tudo indica que a demanda continuará forte. De acordo com dados das empresas associadas à entidade, o consumo de chapas, folhas, extrudados e fios/cabos de alumínio ? que juntos representam cerca de 75% do consumo doméstico total ? aumentou 22,1% em fevereiro de 2011 ante igual período do ano passado.
Consumo ? Embora a entidade descarte risco de desabastecimento, se o consumo mantiver as taxas de crescimento de cerca de 9%, apurada de 2003 a 2008, e de 7% ao ano ao longo da atual década, entre as saídas estão intensificar as importações e reduzir ainda mais as exportações. Segundo a entidade, a exportação de alumínio primário e ligas passou de 754 mil toneladas em 2009 para; 594 mil toneladas no ano passado, uma retração de 21%.
As medidas de aumento da capacidade produtiva, hoje, têm ocorrido por meio de expansões em unidades já existentes e melhorias tecnológicas.
Reciclagem ? Outra fonte de abastecimento é a reciclagem. Em 2009, o volume de sucata recuperada no Brasil ? insumo recolhido na sociedade repassado às indústrias de fundição de alumínio secundário ? atingiu 275,3 mil toneladas.
A aquisição de itens acabados vindos de fora ? entre eles forros, revestimentos e aparelhos de ar-condicionado ? também já começa a incomodar o segmento secundário da cadeia, principalmente na área de construção civil, que responde por 15% da produção total. A campeã continua a ser a área de embalagens representada por blísteres, latas, tampas, entre outros itens.
“Não estamos nas mesmas condições da indústria de alumínio primário. Nossa capacidade instalada está acima da demanda, em torno de 350 a 400 mil toneladas por ano, enquanto o consumo em 2010 foi de 186 mil toneladas. Mas, de qualquer forma,; as importações já começam a despertar preocupação”, disse o coordenador do Comitê de Mercado de Construção Civil da Abal, José Carlos Garcia Noronha.
Banheiros e cozinhas ? O reflexo das importações tem afetado mais a indústria terciária de alumínio. Segundo dados do Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não-Ferrosos no Estado de São Paulo (Siamfesp), enquanto a produção de metais sanitários ? torneiras, misturadores para chuveiros, entre outros ? cresceu 10% em valores no ano passado para US$ 1,23 bilhão, as importações avançaram 38% para US$ 1,051 bilhão. “Atualmente, 80% das peças instaladas nos banheiros brasileiros vêm da China”, afirmou o gerente de tecnologia do sindicato, Roney Honda Margutti.
Outro segmento que tem apurado aumento expressivo nas aquisições de produtos chineses é o de artefatos de alumínio de uso doméstico, em particular, de panelas de pressão. No ano passado, as importações em valores cresceram 75%, enquanto a produção avançou 10%, segundo o Siamfesp. De acordo com o presidente da entidade, Denis Perez Martins, entre os fatores que incentivam a demanda por panelas está o aumento de poder aquisitivo da classe C. “Grande parte dos consumidores está substituindo peças em materiais menos nobres pelo alumínio. O problema é que, muitas vezes, os artigos são chineses e não nacionais.”
Competitividade colocada em xeque
Ciente dos desafios, a cadeia do alumínio tenta minimizar os gargalos que colocam em xeque sua competitividade. Por isso, a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) faz parte da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), que tem intensificado o diálogo com o poder público. Além disso, toca o Projeto Energia Competitiva (PEC), que mostra, a partir de estudos, os efeitos do preço desse insumo para o desenvolvimento econômico e possíveis alternativas para reduzi-lo.
“O governo precisa entender que a energia é um instrumento estratégico para o crescimento do País, e não como uma ferramenta para custear políticas públicas”, diz o presidente-executivo da Abrace, Paulo Pedrosa. Segundo ele, há muito tempo, a conta de energia deixou de refletir gastos com produção, transporte e venda e passou a incorporar custos de políticas governamentais, além de absorver a ineficiência do próprio setor. “Cada R$ 1 a mais pago por energia reduz o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) em R$ 8,50.”No entanto, segundo Pedrosa, o atual governo tem sinalizado uma preocupação com a relação entre o custo de eletricidade e a expansão da economia.
Segundo a assessoria de imprensa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no passado, a tarifa de energia elétrica dos consumidores industriais era subsidiada. Ou seja, essa parcela pagava menos pelo insumo que os usuários residenciais. A partir de 2002, com a edição do Decreto 4.562/02, foi determinado o realinhamento das tarifas, que nada mais fez do igualar essa componente para todos os consumidores. O processo foi escalonado e encerrado no fim de 2006, provocando aumento nas tarifas dos consumidores industriais.
A agência informou ainda que está tratando da reformulação da estrutura tarifária na AP120/2010. Estão previstos aperfeiçoamentos que deverão acarretar a redução das tarifas dos consumidores industriais.
Por sua vez, o Comitê de Mercado de Construção Civil da Abal, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), inicia neste ano um estudo para detectar o grau de competitividade desse universo. “O segmento de extrudados é formado por um amplo número de micro e pequenas. Estimamos que existam de 3 a 4 mil fábricas em todo o País. Embora as importações ainda não gerem incômodo, é preciso antever qual será o cenário”,; disse o coordenador do comitê, José Carlos Garcia Noronha.
Já o Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não-Ferrosos no Estado de São Paulo (Siamfesp) busca manter a competitividade da indústria nacional e evitar a explosão das importações por meio de normas técnicas. “O Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP), do Ministério das Cidades, condiciona o uso de recursos públicos para habitação a empresas de construção civil que utilizem produtos em conformidade com normas técnicas pré-estabelecidas “, disse o gerente de tecnologia do Siamfesp, Roney Honda Margutti.
O executivo, no entanto, vê desafios à frente. “Em virtude da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, a cadeia deve se voltar para o uso consciente do alumínio.”

Diário do Comércio – São Paulo/SP


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