Setor do aço quer agora o minério
04/07/2011
Maiores aportes em Minas Gerais são das rivais Usiminas e CSN
Estado de vocação mineral, Minas Gerais vê as principais empresas que atuam no setor viverem momentos distintos. As mineradoras conseguem lucratividade recorde graças à grande demanda da China, aos preços altos no mercado internacional e à tecnologia em pesquisa geológica que permite encontrar minas e utilizar comercialmente minerais em concentração até pouco tempo inúteis para a indústria. Já as siderúrgicas enfrentam estoques cheios, queda na demanda mundial, alto custo da matéria-prima e dificuldades estruturais para ampliar a comercialização interna.
Assim, o caminho para as siderúrgicas é buscar a autossuficiência mineral, resume o analista da corretora SLW e especialista em mineração e siderurgia, Pedro Galdi. A medida diminuiria a dependência das siderúrgicas do preço do minério – principal insumo na produção do aço – que segue em consistente curva ascendente.
Essa direção já está sendo tomada por alguns dos principais grupos siderúrgicos do país. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por exemplo, já produz todo o minério que consome. Até 2015, a empresa pretende investir cerca de R$ 13 bilhões em sua mina Casa da Pedra, situada em Congonhas, região central de Minas Gerais, para ampliar sua capacidade produtiva de 26 milhões de toneladas de minério de ferro para 89 milhões.
A Musa, braço de mineração do grupo siderúrgico Usiminas, vai investir R$ 600 milhões nos próximos dois anos para ampliar sua capacidade de 7 milhões de toneladas para 12 milhões. As obras desta expansão mal começaram e já está em estudo uma nova ampliação. A meta da siderúrgica é produzir 29 milhões de toneladas de minério de ferro até 2015. “No auge da expansão (2015) vamos atender a toda demanda interna e poderemos exportar o excedente”, revelou o diretor-executivo da Musa, Wilfred Brujin.
Pedro Galdi diz que não há sinais na economia mundial de que a situação se altere nos próximos anos. Segundo ele, a China continua aquecida e com grande demanda por minério de ferro. Já os países ricos, como Estados Unidos e membros da União Europeia, ainda estão em recuperação e comprando pouco aço, com cortes de gastos e de investimentos.
Infraestrutura. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira para o Progresso da Mineração (Apromin) e presidente do Conselho de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (ACMinas), José Mendo Mizael de Souza, o problema das siderúrgicas pode ser resolvido internamente.
“O governo precisa entender que somos um país continental. Há no próprio país uma gigantesca demanda reprimida por aço”. Ainda de acordo com Mizael, “existem muitas obras de infraestrutura que precisam ser feitas e aí, naturalmente, os investimentos siderúrgicos vão acontecer, sem a necessidade de pressões do governo”.
O Tempo