Serviço Geológico do Brasil faz levantamento mineral no Seridó
12/05/2008
Equipes do Serviço Geológico do Brasil – antiga Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM)- estão no Seridó realizando o mapeamento geológico da região. Quando estiver concluído, o mapa será um grande diferencial para os investidores de um setor que vem se revitalizando a passos largos e não para de crescer, gerando empregos e aquecendo a frágil economia da região.
Uma equipe de mapeamento geológico e outra de cadastramento de recursos minerais estão percorrendo a chamada folha Currais Novos, que abrange várias cidades seridoenses, recolhendo amostras para os mapas. A folha Currais Novos é composta pelos municípios de Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas, Frei Martinho (PB), Jucurutu, São Vicente, Cruzeta, Lagoa Nova, Tenente Laurentino, Florânia e Bodó.
No roteiro do levantamento também estão as minas e garimpos da região. O mapa será disponibilizado no Geobanco, na página da CPRM/Serviço Geológico do Brasil, onde os empresários do setor e novos empreendedores interessados na atividade poderão baixar os dados que necessitarem sem nenhuma burocracia. ?O resultado desse trabalho será um documento, com ilustrações, mapas e notas explicativas. O documento é um fomento à atividade mineral, que vai impulsionar definitivamente os investimentos no setor?, considera o chefe do Núcleo de Apoio de Natal (NANA) da CPRM, Vladimir Cruz de Medeiros.
Ele lembra que, com o Geobanco, ficará muito mais fácil o caminho a percorrer para requerer licença de exploração ao DNPM já que o que está disponível atualmente é um mapa geológico da década de 80. Com suas atividades restringidas a quase zero nos últimos anos, a CPRM/Serviço Geológico do Brasil passou de uma empresa de economia mista para uma instituição federal. Com o aumento no preço das comodities, dando novo fôlego ao setor, as atividades da empresa foram retomadas em um novo formato, e foram contratados mais de cem funcionários.
O NANA, por exemplo, permaneceu fechado de 1999 a 2004 e tudo era feito na superintendência Regional de Recife. Reativado, hoje o NANA funciona no mesmo prédio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. Desde então, já foram contabilizados alguns avanços no setor. ?Em 2006 foi lançado o primeiro mapa geológico do RN aumentando em cerca de 40% as requisições de áreas para exploração no estado?, lembra Vladimir.
Outra ferramenta que vai fomentar os investimentos no setor mineral é o mapa da geodiversidade do RN, direcionado para os gestores públicos. ?É uma ferramenta que ficará à disposição do setor público. Com ela, os gestores municipais terão mais subsídios para direcionarem os investimentos? explicou Vladimir Cruz.
Nos últimos anos houve involução da mineração não só no RN, mas no país como um todo. Como não foram buscadas novas jazidas, não houve investimentos, consecutindo na fuga de investidores em pesquisa mineral e em descoberta de novas jazidas. Fatores estes que resultaram em uma flagrante escassez de minérios.
A geodiversidade natural e o potencial mineral do país – existem cerca de 80 cadeias minerais no Brasil – aliado à retomada de levantamentos aerogeofísicos e geológicos que melhoraram as condições de acesso ao conhecimento geocientífico do território já apresentam reflexos positivos no setor mineral.
O preço do tungstênio (63% da scheelita é composta de tungstênio) triplicou em menos de três anos. De acordo com dados do DNPM, no ano passado o estado de Rondônia era responsável por 78% da produção de tungstênio e o RN, com destaque para o Seridó, por apenas 22% do total produzido no país.
Os investimentos privados, como a retomada das atividades da Metasa no segundo semestre de 2007 – com produção mensal estimada em 10 toneladas e capacidade para triplicar o volume – e a chegada da suíça Von Roll em Currais Novos para beneficiar a muscovita; as sondagens realizadas pela MAHG Mineração (que explora ferro em Jucurutu) nos municípios de São João do Sabugi, Ipueira e São Mamede (PB) ilustram bem a nova pujança do setor.
O Centro de Produção Quartzito, em Ouro Branco, o Laboratório de Análise Mineral em Parelhas e, em Currais Novos, o Núcleo de Apoio à Extração Mineral dos Pegmatitos do Seridó e a Cadeia produtiva da Muscovita são projetos governamentais em faze de implantação no Seridó que também remetem à retomada do setor e a volta do interesse governamental na atividade dá sustentação ao crescimento e que gera divisas indispensáveis à redução da vulnerabilidade externa.
O empresário Vilton Cunha, que atualmente emprega mais de cem pessoas na atividade mineral ressalta que o investimento em pesquisa e prospecção é essencial para que os pequenos possam investir e consolidar o seu negócio e não ter apenas uma grande ascenção e uma grande queda, como já aconteceu décadas atrás. ?Um ambiente institucional estável para novos investimentos também é essencial. Acredito que deve haver esforço para sustentabilidade ao setor que tem uma grande contribuição para dar ao país. É preciso que os investidores tenham segurança nos títulos de outorga?, ressalta Vilton.
Recursos O estado tem cerca de 60 recursos minerais com possibilidade de exploração econômica. Desse total, apenas cerca de 25 estão no mercado por terem quantidade suficiente e demanda garantida. Os principais são scheelita, sal marinho, petróleo e gás natural, caulim, feldspato, berilo, tantalita/columbita, calcário, cálcio e magnesiano, rochas ornamentais, quartzito, argilas branca e vermelha, diatomita e gemas, como a água marinha e turmalina.
Daniele de Souza Da equipe do DN Seridó
Diário de Natal Online