Riqueza mineral afegã pode ser 3 vezes o estimado pelos EUA
18/06/2010
A riqueza mineral inexplorada do Afeganistão vale ao menos US$ 3 trilhões, o triplo da estimativa original americana, de acordo com o ministro das Minas afegão, que viajará ao Reino Unido no ano que vem para atrair investidores à mineração de um dos maiores depósitos mundiais de minério de ferro, identificado no país devastado pela guerra.
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Os geólogos estavam informados há décadas de que o Afeganistão conta com vastos depósitos de ferro, cobre, cobalto e outros minerais muito procurados, mas um relatório do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, divulgado esta semana, avaliou os minérios localizados no país em espantosos US$ 1 trilhão. O ministro das Minas, Wahidullah Shahrani, disse na quinta-feira que havia estudado avaliações geológicas e estimativas setoriais de que os minerais valem ao menos US$ 3 trilhões.
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“O Afeganistão conta com imensos recursos naturais de energia e minérios ainda inexplorados, o que oferece imenso potencial de desenvolvimento econômico”, disse Shahrani. “Garantir que a exploração desse patrimônio seja realizada da maneira mais transparente e eficiente, e que ao mesmo tempo ofereça o maior valor possível ao país, é uma das prioridades do governo”.
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Os críticos da guerra no Afeganistão questionaram os motivos para que a riqueza mineral do país esteja sendo alardeada em um momento de recrudescimento da violência e a coalizão internacional que auxilia o governo do país está sob crescente pressão para provar que a estratégia de combate à insurgência que adotou recentemente está funcionando.
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Os críticos argumentam que se o Afeganistão empobrecido passar a ser considerado como uma região de futuro econômico brilhante, isso poderia ajudar governos estrangeiros a persuadir seus cidadãos, cansados de guerra, de que proteger o país valeria a continuação dos combates e as baixas inevitáveis. Também poderia dar esperança aos afegãos, disseram funcionários do governo dos Estados Unidos.
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Mas Shahrani insistiu em que a divulgação do estudo aconteceu depois de meses de trabalho de avaliação dos depósitos minerais, com assistência de velhos dados geológicos obtidos por diferentes países ao longo das mais de três décadas de conflito no Afeganistão.
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“Houve comunicações regulares, um intercâmbio constante de informações, entre o Ministério das Minas e o Serviço de Levantamento Geológico dos Estados Unidos. Três meses atrás, eles nos transmitiram essas informações”, disse Shahrani. “Nós estávamos esperando para que a troca de informações entre Washington e Cabul fosse concluída, antes do anúncio”.
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O presidente Hamid Karzai mencionou a riqueza mineral identificada em seu país em uma entrevista coletiva concedida durante uma reunião com a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, em Washington, no dia 13 de maio, mas não acrescentou detalhes. O Ministério das Minas organizou uma entrevista coletiva na capital afegã depois que uma reportagem sobre o relatório do Pentágono quanto ao patrimônio mineral afegão foi publicada pelo New York Times.
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Shahrani disse que o ministério vinha trabalhando com parceiros internacionais a fim de avaliar as reservas minerais afegãos e aperfeiçoar os conhecimentos dos geólogos afegãos. Além disso, Shahrani disse que as leis de exploração mineral e de hidrocarbonetos do país haviam sido atualizadas a fim de se adequar aos padrões internacionais, e que há esforços em curso para prevenir a possível corrupção na concessão de contratos.
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Em novembro, dois funcionários do governo norte-americano que conheciam bem as informações sobre o patrimônio mineral do país afirmaram que Mohamad Ibrahim Abdel, o antigo ministro afegão das Minas, havia aceitado um suborno de US$ 20 milhões para a concessão de um contrato de mineração de cobre no valor de US$ 3 bilhões, conquistado pela China Metallurgical Group no final de 2007. O ex-ministro negou ter recebido quaisquer subornos, e disse que a concessão do contrato havia sido conduzida pelos canais legais.
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Aynak, um antigo reduto da Al Qaeda a sudeste de Cabul, aparentemente abriga uma das maiores reservas mundiais inexploradas de cobre. A mineração de cobre criaria entre quatro mil e cinco empregos no Afeganistão em prazo de cinco anos, e propiciaria centenas de milhões de dólares em receita ao governo, disse Shahrani.
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Craig Andrews, um dos principais especialistas em mineração do Banco Mundial, disse que a região de Aynak deve começar a produzir cobre dentro de dois a três anos. A produção de um total estimado em dois milhões de toneladas de minério de ferro em Hajigak, na província de Bamiyan, no relativamente seguro Afeganistão central, pode começar dentro de cinco a sete anos, ou ainda mais cedo, ele afirmou.
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Andrews apontou para o fato de que cada emprego em mineração cria de cinco a 10 empregos em outros setores.
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“Claramente, essas minas terão enorme efeito de estímulo econômico não apenas sobre a economia nacional mas sobre as regiões nas quais estarão operando”, disse Andrews. “Creio que quando as pessoas têm empregos e renda, se interessam mais pelo futuro, e esse futuro deixa de incluir a insegurança Creio que assim que as comunidades estiverem ancoradas em uma economia que lhes ofereça emprego, dinheiro e renda estável, se sentirão menos inclinadas a apoiar o Taleban ou outros grupos insurgentes”.
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