Rio Tinto eleva oferta de compra pela Riversdale
11/03/2011
A Rio Tinto elevou sua oferta pela Riversdale Mining para pouco mais de 4 bilhões de dólares australianos (US$ 4 bilhões) em sua tentativa final para assegurar uma aceitação mínima equivalente a 50,1% de participação na empresa australiana de capital aberto, que possui atraentes depósitos de carvão em desenvolvimento em Moçambique.
A mineradora anglo-australiana já controla 18% das ações da empresa-alvo e está confiante de que sua nova oferta, que disse ser a última a não ser que surja alguma rival, a tornará a maior acionista da Riversdale. A CSN do Brasil tem participação de 19% e a indiana Tata Steel, de 27%.
Ontem, a Rio Tinto apresentou oferta em dinheiro de 16,50 dólares australianos por ação, com a condição de que a proposta seja aceita por acionistas com 50,1% das ações. O valor anterior era de 16 dólares australianos. A nova oferta, que foi estendida em duas semanas, até 1 de abril, é 3% maior que a anterior.
Ainda não está claro se a Tata ou a CSN apoiarão a proposta da Rio Tinto, embora fontes a par da situação disseram que as participações não foram necessariamente adquiridas para bloquear a Rio Tinto, mas para assegurar uma posição de negociação mais fortalecida caso a companhia australiana tenha sucesso em ganhar o controle da Riversdale.
Até agora a oferta da Rio Tinto foi recomendada por todos os diretores do conselho de administração da Riversdale, incluindo até mesmo o indicado pela Tata Steel. “Tomamos conhecimento da ação da Rio Tinto, mas não temos mais nenhum comentário a oferecer”, informou ontem a siderúrgica indiana.
Já o diretor-gerente da Riversdale, Steve Mallyon, disse ao “Financial Times” que as instituições com as quais ele havia falado ontem foram, em termos gerais, favoráveis à nova oferta da mineradora australiana.
“Minha sensação é que a força está com a Rio Tinto, quando antes não havia essa força. Minha expectativa é que eles conseguirão entre 30% e 40% e, então, ficará claro para a CSN e Tata tomarem sua decisão final. Eles podem ir adiante com a Rio ou fazer outra coisa”, afirmou o executivo. As minas de carvão da Riversdale estão na rica bacia de Moatize, em Moçambique, que segundo algumas estimativas teria potencial para produzir 55 milhões de tonelada por ano de carvão de coque até 2020.
As reservas da mineradora nas concessões de Benga e Zambeze estão entre as maiores reservas inexploradas de carvão de coque e carvão térmico do mundo.
A bacia está perto do Oceano Índico e de rotas mercantes para a Índia, China e Brasil, o que a torna competitiva em termos de tarifas de frete com o carvão de coque australiano.
Tata Steel e CSN têm grande interesse em assegurar acordos de fornecimento de longo prazo e deter participações na Riversdale aumentará seu poder para negociar os acordos conhecidos como “offtake”.
A Tata já assinou acordo para receber 40% da produção de carvão da mina da Riversdale em Benga, que deverá começar a produzir este ano.
Valor Econômico