Resultados globais da Bunge têm forte retração em 2009
05/02/2010
Os resultados globais da Bunge confirmaram as expectativas e registraram fortes quedas em 2009. Conforme balanço divulgado na quinta-feira em White Plains (Nova York), as vendas líquidas consolidadas da multinacional atingiram US$ 41,926 bilhões no exercício, queda de 20,2% em relação a 2008, apesar do aumento de 2% no volume de produtos movimentados. O lucro líquido do grupo recuou 66% na comparação, para US$ 361 milhões.
As quedas anuais foram influenciadas sobretudo pelos negócios de fertilizantes do grupo. Nesta divisão, o resultado operacional antes de juros e impostos foi negativo em US$ 616 milhões no ano passado, ante os US$ 321 milhões positivos de 2008. Com tal pressão, o resultado operacional geral caiu 67%, para US$ 443 milhões. Analistas entendem que esta piora na área de fertilizantes precipitou a recente venda dos ativos de mineração da companhia no Brasil para a Vale, por US$ 3,8 bilhões. O negócio incluiu a participação de 42,3% da múlti na Fosfertil, maior fabricante de matérias-primas para adubos do país e que também foi mal em 2009.
A Bunge nega a teoria. Ao Valor, o CEO da multinacional, Alberto Weisser, afirmou após a concretização da transação com a Vale que investimentos em minas, cada vez mais elevados, são, atualmente, para mineradoras, que vêm diversificando seus negócios. A Bunge mantém operações com fertilizantes na Argentina e no Marrocos, mas sem ativos minerais. No Brasil, a múlti também segue com as atividades de mistura e venda de produtos ao consumidor final.
“Em 2009, os fertilizantes geraram perdas significativas, as quais vieram de uma dificuldade de mercado caracterizada por altos custos dos estoques em um ambiente de preços baixos”, afirmou o presidente da companhia, Alberto Weisser, em comunicado.
Ao analisar os resultados de 2009 no comunicado divulgado na quinta-feira, Weisser mostrou-se particularmente desapontado com a performance do quatro trimestre, quando houve um prejuízo de 21 centavos de dólar por ação. Além de perdas em fertilizantes, o resultado no segmento de agribusiness, que inclui as operações com grãos, foi pior que o esperado pela empresa – que tem, entretanto, perspectivas otimistas para 2010, com safras recordes nas Américas e a expectativa de uma demanda maior por commodities.
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Valor Econômico