Resultados de testes em Itataia até o fim do mês
14/09/2010
Planta da usina está em fase final de testes de equipamentos. Processo químico com amostras inicia-se ainda neste mês
Os primeiros resultados dos testes de separação do urânio do fosfato nas amostras de minério da mina de Itataia, localizada em Santa Quitéria, devem sair em cerca de um mês. A planta piloto da usina, que está montada em Caldas, Minas Gerais, está em fase final de testes de equipamentos e, ainda em setembro, iniciará o processo químico com as amostras.
Ao longo dos anos, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) separou amostras do minério de Itataia para testar a tecnologia de exploração do urânio nesta jazida, que se encontra ligado ao fosfato. A técnica consiste em separar os dois minerais por meio do ácido fosfórico, e os testes devem durar cerca de cinco meses. A planta piloto está sendo preparada pela Galvani, que é a empresa que trabalhará em parceria com a INB na exploração da jazida.
De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, a planta está trabalhando ainda na britagem e moagem do minério, para levá-lo para os processos químicos que fazem a rota tecnológica da usina. Os processos que serão realizados nesta planta serão repetidos, igualmente, na futura usina de Santa Quitéria. Parte dos equipamentos utilizados foi aproveitada da usina que já existia em Caldas, mas que foi paralisada por não ser economicamente viável, e o restante foi comprado pela Galvani, que também é responsável pelo investimento na construção da usina de Itataia.
Na outra frente, a INB se esforça, junto ao Governo do Estado, para solucionar a pendência relacionada ao licenciamento ambiental do projeto. A ideia é reverter a decisão judicial que suspende o documento já emitido pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e que exige a licença por competência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Por hora, não se trabalha ainda em um novo EIA/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental), que seria necessário caso seja preciso mesmo uma nova regulação.
Imbróglio judicial
“Nós já entramos com recurso contra a decisão judicial que cancela a licença da Semace, e o Estado também ficou de entrar”, informa o diretor de Recursos Minerais da INB, Otto Bittencourt Netto. Contudo, o diretor acredita na solução do imbróglio por outra via: “Nos últimos meses, houve mudança no Ibama, da presidência e da diretoria de licenciamento. A superintendente da Semace, Lucia Teixeira, já se encontrou com o presidente e afirmou ter sido muito bem recebida: “Estamos acreditando na possibilidade de conseguirmos uma decisão conciliatória, percebemos um clima favorável a isso”. Ela informou ainda que o presidente da INB, Alfredo Tranjan Filho, elaborou e enviou ao Ibama um ofício solicitando que o órgão acelerasse a solução para esta questão do licenciamento. A expectativa é de que a usina entre em operação em 2012.
Diário do Nordeste