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Resultado na Grécia favorece recuperação de commodities

Notícias Gerais

20/06/2012


O alívio proporcionado pelo resultado da eleição parlamentar grega, que afastou a possibilidade de uma saída do país da zona do euro, deve dar espaço para uma modesta recuperação das commodities metálicas neste ano, além de permitir uma relativa estabilidade no preço do petróleo, segundo analistas consultados pelo GLOBO. Esta é uma boa notícia para o Brasil, forte exportador de commodities, e que tem no superávit da balança comercial umas das principais fontes de financiamento da conta de transações correntes (que integra operações do país com o exterior, como comércio, gastos com viagens internacionais e remessas de lucros e dividendos).
? O petróleo Brent, que chegou a ser cotado a US$ 125 em março, deve se manter por volta dos US$ 100 a US$ 110. Isso tanto por causa da perspectiva menor de demanda quanto do aumento da produção na Arábia Saudita e retomada da produção na Líbia ? diz Marco Laes, economista da LCA Consultores.
No caso das commodities metálicas, o que explica a retomada dos valores é a perspectiva de manutenção do crescimento da China, diz Laes. A projeção da LCA Consultores é que o minério de ferro feche o ano cotado no mercado chinês a US$ 145 o barril, alta de 6,14% ante a média de maio, de US$ 137. Essa tendência se observa também no preço do aço, que pelas projeções da consultoria deve terminar 2012 cotado US$ 500 dólares a tonelada, valor 11,89% maior que os US$ 137 em maio.
? Tanto aço quanto minério de ferro estão indo em queda nos últimos meses por causa de toda essa história na Europa e das incertezas em relação ao crescimento chinês. Nosso cenário especificamente para minério de ferro e aço é uma ligeira reação no terceiro trimestre e no início do quarto trimestre ? diz Bruno Rezende, analista da Tendências Consultoria Integrada.
Apesar da recuperação no terceiro trimestre, a Tendências considera que o preço do aço deve fechar 2012 com uma queda. A estimativa é que a bobina laminada a quente encerre 2012 cotada a US$ 542, ante o preço atual de US$ 609, uma queda de cerca de 10%.
Commodities agrícolas devem seguir flutuações relativas à oferta
Já as commodities agrícolas, que sofreram alta devido às safras magras no fim do ano passado e começo deste ano, devem seguir as flutuações relativas à oferta, sem uma correlação direta com os eventos que suscitam as incertezas na economia europeia e internacional.
A cotação da soja tem a perspectiva de cair ao longo do ano, depois da alta acumulada nos primeiros meses de 2012. Em maio, a oleaginosa teve cotação média de US$ 14,16 bushel, ata de 23,88% em relação ao início do ano, por causa da safra reduzida nos EUA e da menor produção no Brasil e Argentina, afetada pelos efeitos do La Niña. Com a perspectiva de uma safra americana maior, a commodity deve ter uma queda de 8,2% de acordo com as projeções da LCA, fechando o ano em US$ 13 o bushel.
O preço do café também deve ceder ao longo do ano, graças à perspectiva de uma produção maior no Brasil. A projeção da LCA é de que a commodity tenha uma queda de 8,03% até o fim do ano, saindo dos atuais US$ 1,74 por libra-peso para US$ 1,60 até o fim do ano.
? Estamos nesse momento no auge da safra aqui no Brasil, que foi muito boa e influencia as cotações internacionais do produto ? diz Amaryllis Romano, economista da Tendências.
A perspectiva para o açúcar é de alta, recuperando um pouco da queda de 13,64% ocorrida no acumulado do ano até maio. A perspectiva da LCA é que a commodity feche o ano cotada a US$ 21 cents/libra-peso.
Para o professor de economia da Faculdade de Administração e Economia da USP (FEA), Simão Silber, na média geral das commodities a trajetória é de queda, graças à desaceleração da economia europeia.
? A intensidade da queda é maior nas commodities metálicas, que já caíram 23% no acumulado do ano. As agrícolas também acumulam queda de 14% no mesmo período ? afirma.

Estado de S. Paulo


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